domingo, 20 de dezembro de 2009

Lista lunar


(LEITE, Flaviele. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos/41605778 )

1- Estou sem saber dizê-lo!
2- O não sei e o cansei,

3- Há pensamento, sem meio de fazê-lo!

4- Nem sempre o que encontro, procurei...

5- Cansaço não dele, daquilo ou disto...

6- Um não saber daqui, um cansei dali...
7- Dúvida a martelar... "não" quisto
8- Não se manda na razão;

9- Certeza em desconfiar sem acreditar!

10- Não se ordena o tempo todo o coração,
11- Das fases, qual delas melhor ministrar?
12- Da metade, fica-se o minguar;
13- Do cheio, o vazio... o nada está iluminado
14- Desejo de destaque, tende a aumentar...
15- Não é do todo que me faço metal lapidado
16- Velhice retrograda... meninice que desponta;
17- Cresce-se, sobejos que se quer dividir...

18- O céu impõe limites, meu ímpeto afronta;
19- Em um eclipse, resta-me partir!...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Nata Serena



Meu poeta eu hoje estou contente, todo mundo de repente ficou lindo... ficou lindo de morrer!... Eu hoje estou me rindo, nem eu mesma sei de quê... Porque eu recebi uma cartinhazinha de você!... (Vinicius de Moraes)


Ária graciosa do leite delicado
Entoa pela noite afável
E o que se bebe é o nãorenovado...

Aquecida bebida a embalar;
Panaceia a vibrar de cordas e abraços,
Uma só batida, um só enlaço...
E as dores... não demoram a naufragar!

Amêndoas doces, perfume do lácteo.
Creme sem gordura, leveza esparsa...
De temas - calor aromático;
De lágrimas - que o beijo nasça!

A poetisa é só menina...
Embalada pela cantiga, batucada;
Pelo creme, pela visão antineblina...
Na roda a flutuar... serena como a nata!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Bilhete ao maquinista

Guiai-nos à Refazenda!...

Devagar, suave como as nuvens... 
... embora cinzas nesse dia... o poeta tinha razão: o cinza lá fora não diminui as magnitudes que podem naufragar cá dentro!...

... Que o trem seja leve como os batuques silenciosos, espirituosos,
... a saltitarem no primeiro vagão!... 


Sorrisos de carmim!!!
Sem mais, 
Tamborim no coração!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Da poesia do laço...


A ponta do laço desfaz;
Uma tira, outra tira e nada acrescenta...
Desisto e refaço amarras,
O descaso afronta;
Encerramos em outro laço não tão laçado.

Jogo de mãos e nós,
Tropeços e alças...
Quem dera só não sentir-me
Na trilha única dos medos!...

Todo espaço do não saber:
Pequeno, apertado, sufoca...
O querer é combustível:
Energia que impulsiona o andar.

Do laço desfeito, poesia da incerteza
Sem saber se arremato lirismo,
Ou se deixo o lirismo me arrebatar!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Caixa cor de rosa



Palavras graciosas a brincar na caixa:
Rosa da rosa perfuma olhares...

Fada de palha a iluminar grutas obscuras...
Salta da caixa,
A luzir, tocar, transformar...
Sorrisos esculpidos subitamente!...

Papelão rosáceo,
Ganha vida, ganha odor...
Condão que embala o deleite,
Pula da caixa, salta aos olhos e...
E gargalha com o espectador,
E flutua no espaço das mãos entreabertas,
E descansa na pausa da tampa,
E principia sono dos nobres...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Prece ao Nãoamor III


(Imagem de: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos ... porque só uma alma sensível consegue fotografar detalhes igualmente dotados de sentidos)


Hoje não enxergo mais do que um pequeno fulgor...
Sentes decepção?
Pois... há dias que desejamos sair e sentir toda a pele queimar...
... Sentir que privar a vista é melhor do que reconhecer o frio!


Nãoamor... pense... tempos que não lhe rogo...
Então... transcenda!
Faça com que o sol volte a trautear cá dentro,
Faça com que a (in)diferença do meu pulsar determine faltas...


... Não colho flores, apenas alimento-me do que poderia...


Bata em outra janela... Deixai o sim aquentar-me...
Tirai novamente espinhos da rosa!!!





Que assim seja...
Nadine Granad.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vou-me... que o vento seja a mão que afaga e aparta...




Novo dia...
momentos que são
...
e a vida sã!...
Fora do casulo as flores são mais flores;

O ar mais respirável!...

Dói, mas que se vá!...

Vou-me..
.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

... Sei lá...

Sei lá... a vida tem sempre razão

Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer. 


Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão. 


A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.


De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Algumas ideias sufocadas... I

Como consta na definição do blog... ideias sufocadas!...

Muito do que eu escrevo não segue a saudosa métrica clássica... ou simplesmente não é encarado como poema por sua estrutura deveras desestruturada... Que tenha poesia!...
Não digo da forma... refiro-me (sempre) à essência!...
... Muito embora eu seja a sombra de outrem... estou em cada palavra!... E antes de cada palavra, sou eu que 'humanamente' sinto vontade de cuspir nesse espaço palpitações nem sempre físicas!...

E hoje venho para escrever que brotou uma lágrima cardíaca!...
Muito provavelmente a imagem seja difícil... áspera... soa quase como uma fantasia de uma aprendiz de poeta que se abriga em linhas tortuosas e em milhares de reticências...
... Se há o ato de umedecer a conjuntiva, a córnea... digo, pois, que os olhos do peito não ficam imunes de poeira e corpos (nem sempre) estranhos...

... E como uma criança em um dia tempestuoso... quer uma mão para segurar, um cobertor para cerrar os olhos e dormir... Ignorar completamente os relâmpagos e trovões que insistem em bradar...
... Quando não há mãos, cobertas, o ignorar... há o temor... há a lágrima a escorrer do músculo...
... Aqui deixo um cadinho de sal puro...
... Sigo... Há quem torça para que lágrimas não cessem...
... Todavia... Há quem torça para que as lágrimas sequem!...
... Para esses
o coração pulsa embalado pelo frevo...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Não sei... quero que seja!



Seguro a luz do dia;
Escorre-me pelos dedos;
Fuga do que se quer deter;
Anseio que conduz no breu.

Incautos caminhos;
Voz áspera, berros inaudíveis...
Ecos nas trilhas de arautos;
Ouvidos nem sempre eficazes.

Névoa densa e baixa;
Propensa ao não ver;
Faixas a ocultar trilhas;
Mãos a tatear texturas.

Contruindo imagens do cerne...
Constatando o não-segurar...
Impressão incerne da dúvida...
Há censura de duelos - vence-se o sentir!

Rudimentos cinzelados;
Cuidados que juvenescem;
Encanto da qual se quer ser parte e todo...
Desconheço, todavia aspiro!...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma migalha de mi'alma


Migalha branca... amarga!...
Como se o amargo fosse ruim,

Como se o branco fosse paz!...


Percorro e deixo pequenos fragmentos;
Leves, o vento se encarrega;
Ao menos deseje segurar -

Feche a palma em concha e absorve!...

Não exijo a ingestão;
Deglutida;
Compreendida!...
Ao menos assimile a migalha que lhe caiba...

Não fere migalhar...
Dói que não sintas falta;
Que não descortine...
O fragmento que deixo!...

E de migalha em migalha deixo pulsares...
Esvanece-se vida...
Fragmenta-se partículas oníricas...
... Partes de um todo inseguro!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

LESTE


Sinto-me a última... Não que eu queira ser a primeira...
... Mas gostaria de ser única!...
Não que eu me encare como ser raro...

... Mas gostaria de fazer a diferença...

Indiferente da posição ocupada...
Ser o alguém pelo qual possam chorar sem medo do ridículo...

... Sou ridiculamente um eu que mergulhou... e quer voltar para a segurança do leste...
... Mas não controlo mais... Last... voo ao norte ainda...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fase morta, sem muito o que dizer... lagarta de mim...


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu..." (Chico Buarque)

Sol... não vem só...

Nuvem: Chuva ou bom tempo, Mario?

Aqui... chove!...

Deixemos molhar...

Escoem as dores que não se vê...

Filtrem a mágoa que não se crê...
E a borboleta... Volta a ser lagarta?

Não há almofada de seda...

Estou largada, atada... fiz-me empalhada...

Há muros cegantes...

Até mais, viajante!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dessabor


Dia enfadonho
Lágrima gratuita
... sem gosto!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carta a quem (SE) parte...



Acordei chorando... Por isso escrevo-lhe...

Meu jardim de rosas... Recebeu doses elevadas de agrotóxicos raivosos...
... Mas brotam árvores que ficarão altivas... Abrigarão pássaros canoros...
Hoje já não há espinhos...

Lembro-me: o amor... O amor não esvaece... Não é fumaça...
Já não quero saber a frequência com que invado seus pensares...
Sinta-o... Onde quer que esteja...

Quais as cores que lhe prenderiam?
Não, já não há cores para ti...

Posso torcer para que sua viagem seja agradável...
Não sou mais sua companhia... mas enquanto semeei amor...foi de verdade...
Sempre... Sempre é muito tempo... e é com essa periodicidade que você parte...
Sinto-me leve... seja feliz...
Que você sorria...

Raio do meu âmago comece a clarear noutros horizontes...
Leve-me toda forma de tristeza para que em mim floresça

Um novo ser, já que tu partes em vão e sob minhas mãos

tão pequeninas, ainda carrego a flor que tu deixaste

Este sofrimento me vem e não de agora

Sentia-me órfã com você ao meu lado

Vivia esperando em meus anseios que

Tu suprisses esse vazio que em meu peito sinto

Mas tu não leva de mim apenas velhas chagas,

Leva-me amores e desamores...


E já não tenho raiva de ti...

Tu se foi... e eu estou aqui...

Gritando por uma vida nova...


A janela de mi'alma recebe raios de sol...

Brisas, aromas do campo...

Mágoas os ventos levam...

Cortinas se abrem e mostram-me novas paisagens!...


Seu perfume, nossos andares...
Passos fora do compasso...

Lembranças que partem com suas malas!...

Peito a sorrir... despeço-me!

Gargalho para os galhos dos pinheiros que se curvam...

Respiro melhor...


Olhai os pássaros ao redor

Colhei dos lírios, semeai amor...

Onde estiver e para onde for

Eu... eu quero voar!


*Suave e sensível parceria com Jair Fraga!...

VERSOS DO CINZA DO DIA


Dia cinza... e dedos quentes a digitar;
Palavras de camomila espargem;
Quisesse acalmar meu ser a gritar;

Pudera ver-te em minha vida, folhagem.


Incessante luta do pensamento...

Não, já não te esqueço... audaz tormento...


A insônia apontando você

E o coração aqui... tão dentro;

Resignado... perco-o sem buscar o porquê.


Sou fragmentos a bombear... o que se divide

Um dia nublado... e o não saber que envide...


Em linhas invisíveis desenho passos ;

Trilhas que segues de olhos fechados...

Tinjo monocromáticos erros crassos -

Colorir, modificar... adornar o encerrado...

As luzes se apagam... dormir, não poderia

Tateio lembranças do que poderia...


Sentir que será nosso esse chão multicor...

O relógio canta minha hora, caminho...
Camomila atua... sonífero de doce odor

Repouso dúvidas... você: cinza e sozinho.


Nômade de emoções atiradas ao vento
Residências longe da felicidade... sem rima final...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Água de pedúnculo



Água que banha mi'alma...
... da haste da rosa, do caule do ser.
Banho de reedificação de pétalas.


Pedúnculo de ouro, dúctil, luzido...

... Eletricidade conduzida
- vida desabrocha;
Uma única ostentação:
verdade do sentir;
Não se comercializa, não se funde
[água se incorpora.

Tempo do banho... que não se cobra
Não se pode medir a força da torrente

Ouro boiando nas água das hastes
Perfume que me cria perfume.

Tudo se faz claro...
Equilíbrio e natural perfeição
Olhares que se falam...
Medos que impedem...
Águas de sustentação...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sentir-me plena...


De tanto amor que lhe tenho,
O coração é quem toca seus lábios;
Em beijos ternos...
Predispostos a tornar-nos um...

Cada verso brada como singular,
Palavras que se conversam,
Vivas pela força imbricadas -
Por sentires únicos... faz-me plena...

Desconheço medida capaz de sintetizar:
Sensações, pulsares... saudades!...
Se amor é o maior que se possa...
Que amor seja e reticências!...

O coração inflou...
Como balão de bons ares...
Não voa, cá fica... e não se descreve:
O que não cabe em vocábulos...

O que sinto... completude por amar e ser amada!...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sono pensante...


Acordei, mas não sei se acordei!...
Não tão simples para explicar
[bem sei...

Muitas coisas a pensar...
Dúvidas, incertezas...
O casulo finda...
Pronta para encarar fraquezas?

No peito: pessoas de brilho singular
... e o pensamento a sorrir com ironia:
Cada qual está onde deveria ficar?

No jogo dos questinamentos o sono não-sono
... o sonho não-sonho...
Ansiedades a perturbar tique bisonho.

A sensação de amar demais...
... como se houvesse medida-síntese
- determinar o que flui perseverante,
O que torna qualquer razão incapaz...

Estou dormindo ainda!...
Estou crisálida do não saber...
Invólucro de mim mesma...
... Por não cuspir o quê...

sábado, 19 de setembro de 2009

Do pulsar que falta para preencher...


Saudade das palavras-tetos;
Abrigos que ecoam do peito
E afagam meus ouvidos...
Proteção... abraços-laços...

Quero... mas querer é pouco...
Força intrínseca me leva...
Na condução, freios que não controlo:
Abnego... propulsão incontida!...

[Duelo... eu-eu

Aqui... só... faltas
Sem cafeína... o sono chega...
Novo tônico: a expectativa do amanhã!...

Vitalidades saúdam:
Mensagens
Palavras
Acalentos para o coração saudoso...

Eis cantiga de ninar-
Ressoa, voa... vem!
Durma bem!...
... que venha o depois - de trem!

Muro no mundo



Muro entre meus olhos e a cidade,
Doses sem pressa e precisão:
De gaiolas e fronteiras!


Tijolos gastos pelo tempo...

De frestas funestas:
Escuro e o claro do mesmo lado do muro:
Infrutuosidade explícita.

Escuto frases reiteradas;
Ludíbrios ditos placidamente,

Perfumados de verdades das quais desacredito...

Bebeu da taça de enganações?


A sombra já não protege...

Temos o mesmos sonhos... lanternas diferentes!

Ah! Pudesse derrubar o muro!...

Ah! Pudesse ter sua mão sobre a minha!


Mas não há certo... o errado é cimento...

NINA

............[para A.R.S.

Menina guia da trilha,
De lúcidas amarelas pupilas.

Braços extendidos de bambus,

Pernas em pranchas... jiraus...

Moça marota de manhas,

Sentada na rede sonhas...

Pulseiras arteiras nos pulsos,

Brilhos e sussuros noturnos.

Sorrisos despertos, acordes domina;

És a bela Nina!...

domingo, 13 de setembro de 2009

Breve desabafo em uma madrugada...

  • ... Palavras têm faltado!...
  • Estou com sentimentos a SE conversar...
... a cuspirem milhares de novelos... Nós inevitáveis!...
  • Estou com pulsares a me deter... a parar mãos...
  • ... Por vezes deixo de respirar... a ideia: confusa e deseja assim estar...
  • Sou garrafa, pedido de socorro...
... Ou então apenas folha seca que o vento leva e por vezes desejo saber onde vou... Impossível!

  • Que o vento leve-me então... E voou... estou... amo!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O cobertor


Abandonei meu bom cobertor...
Não que esteja sol,
Não que nuvens enegrecidas tenham se dissipado
...
... da vida... da minha... descoberta

Tenho frio, mas o cobertor já não me serve
Não que seja descartável,
Não que já não tenha me aquecido...
... variações térmicas... opor-se a lã de cada dia

O cobertor deixa pedaços que o vento leva
Não que eu inveje o vento,

Não que fique inutilizável
...
... mas pedaços não cobrem o todo que clama manta

Meu cobertor queria me aquecer sem vontade
Não que deixasse de me afagar
,
Mas queria tão somente cobrir meus pés
...
... pés gelados, mas todo um resto a desejar meias de metades que se completem

Deixei o cobertor, sem pronome...
Não que de fato eu possuísse,

Não que eu não congele
por vezes incontáveis ...
Mas senti que era hora de deixá-lo...

Ir...

sábado, 22 de agosto de 2009


Doce parceria com Sidnei C. F.
... Alma sensível da qual me sinto honrada em dividir alguns versos...

Do encantamento da qual não se quer a cura...

Sopro folhas secas...
Com um condão benfazejo;
Pesados gravetos transformam-se:
Em cores e traços solícitos...

Medica meu cerne perplexo
No anverso... lampejos num amplexo!

Cores que cobrem meu cinza,
Matizam meu ser de suaves encantos.
Traços que delineam pensamentos,
Esvanecendo-se a desfigurada ausência...

Absorto... íntimo congela
Abrasa-se com candura, absorvo!

Entrego-me totalmente a esta dança,
Calma e serena como uma valsa
Que invade os póros da alma,
E acalenta cada frasco de dor.

Muitos sábios chamam isso... Amor...
Eu me calo, não há definição pertinente!

A cada palavra, um não-olhar comovente,
Que envolve cada refúgio do âmago,
Deságua nas pálpebras,
E morre silenciosamente, no lenço de papel...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ao poeta do conto real



Frio... não o que tateia inexpressividade;
Frio que faz com minhas pernas tiritem;
Frio que embala meu ventre...

Numa dança perfumada de saudade!


Palavras doces, canções tocantes...

Perfuram barreiras e adornam meu íntimo

Com singelezas soberanas...

Não há pompa, há essência de jasmim...

Bálsamo para um coração ferido não resignado;

Almeja curar quem lhe medica...
Numa troca sincronizada....

Café aromatizado de companhia:

Adoça telas com suavidades;

Embriaga conversas com encantos;

Estimula a insônia desejada.


Sonhos que são tocados;

Poeta que surge além da lua...

Sem cavalo branco...

Não precisa dele para ser majestoso!


Da caneta: espada cega - não corta, afaga.

Cavaleiro acertante...

... Adiante...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Canteiro de tecido lírico


(Imagem retirada do Google)



Dor fina do gérmen ausente...
Terra adubada, chuva escassa.
Em segredo: canções tristes;
E me inundo de melancolia.

Coso enternecida poesia
Arremato, passo, não lavo.
Bordo pérolas, visto-me;
Frio acalentado, algumas rosas despertam...

Semente pérfida - perece.
Gestos silentes - crescem.
Jardim ávido - esqueces.
Palpitações vãs - padecem.

Ao semear e coser;
Sementes maviosas destacam-se dos meus olhos;
Escorrem frementes,
[terra umedecida.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Rápidas lembranças da casa no campo


Poço aberto, sombra n'água
Balde cheio de nostalgia.
Sazão, todavia, frutos verdes;

Colhemos juntos?

Não, tu apenas desconfiavas...

Ternura em ti havia

(Em mim igualmente...)

Hoje, nem falais...
Não vi seu sorriso,

Seus planos e anseios.
Amor - sentir fugidio!

Hoje, não colho rosas...

Mãos ainda marcadas por espinhos...

Tu não choras...

Entretanto, não esqueço!

E a vida - esta segue...



Poema em parceria com Osvaldo Fernandes...
... Poeta de sensibilidade ímpar...
... De talento igualmente...
Obrigada!!!!


Escrever um livro

Escrever um livro
e uma alma;
dar-lha...
E se viriam orelhas
e parágrafos crivos
cobertos com talma...

Como que com humildade
se cobre brio...

No anverso de páginas
de alvura provisória;
Letras vivazes aquecem vácuos...

Incompletudes d’alma,
afagadas por sentires límpidos.
... no afago do ser é que palavras entoam,
cantam e dançam nas folhas
[músicas que satisfazem leitores escassos
Que tocam... tocam vocábulos...
Tocam linhas... tocam e transpiram essência.

E assim, se escrevem,
cândidos e completos
... o livro
[a alma
e a inspiração...

Singular


Topázio
Lilás
Onde posso encontrar?

- Estão todos sonâmbulos!...
Eu te pudesse repor:
O lençol mitológico da noite
... de estrelas matinais.

Que a distinção desse poema abrigue-se na ternura;
Versos sem amarras e alegrias pueris e palavras límpidas.

Acontecimento ideal - se puder ser singular!
Problemas - que sejam recobertos por soluções!
Jogo de dados - que cada lance possa ser reformado!
Ser - que tenha originalidade inexplicável!

terça-feira, 11 de agosto de 2009


Poema em parceria com Jair Fraga...
... Obrigada amigo poeta!

Versos Na Água

Alguns versos caem na água;

Tu que me lês reflete-se...
E no teu sonho imagina

Como poderiam flutuar em seu rio...

Acharás-lhes beleza sequiosa?

Fará parte do ciclo hidrológico?

Lavará sua alma com poesia?
Ânsia incontentada, banhada.


Alguns versos me saem nas lágrimas

Vão escorrendo em minha face

Experimento-me enquanto o tempo

Dá uma forma, um disfarce


Você me pergunta quem sou

E o que quero com isso

Você me pergunta por que e para onde vou

Acaso pensaste que sou apenas

Uma tinta fresca que num belo dia

Dormiu e acordou poesia?

E a água leva meus versos

E os versos refletem em olhares serenos

E tu ignoras os respingos
Que molham suas vestes opacas e incoerentes.


Perguntas não respondidas em tardes úmidas.

Tu ignoras a poesia que insiste em lavar,

Alma,

Afagos,

Vidas não vãs...

Os versos... Os versos naufragam...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Labor Introspectivo


Estou no átrio particular
Carente de técnicas anti-sísmicas;
Quando a dor subsiste secular
Evola-se mi'alma em danças anímicas.

Venenos sobre imagens previamente contempladas
... Ações benfazejas surgem - denegadas...

Ser míope de indicador misto;
Dedos apontam, ponto envolto.
Espelho! Olho que vê e é visto;
Não há exatidão para o que é amorfo.

Sobressaltos... tornam-se fendas no pensamento
Ideias reinvestem energias... cura ferimentos...

Rompe-se a reflexão vespertina.
Chave única para cada porta, mesmo edifício,
Tranco sentimento oceânico - água perdida...
Desbocam lágrimas, luminescências do ofício.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Da brisa com brio


[Meu caro, sinto-o com novos ares...]

Vácuos em seu peito com florestas equatoriais a expandir
... Uma brisa ainda insiste em limpar-lhe o pó dos sapatos



Tens razão para não dormir, ter o peito a palpitar descompassado
... e a brisa ainda vela teu sono, sopra-lhe afagos



Meu caro, encontrou sua musa de versos fixos
... a brisa ainda lhe sopra músicas aos ouvidos, inspira a inspiração



Encontras seu ar... motivos para sonhar
... a brisa? ajuda-lhe a respirar, quando tudo parece seco


Brisa lhe tocava suave as mãos;
Secava-lhe duras lágrimas,doce aragem.
O esquecimento chegou como tufão,

Tal como sua mais nova estação...

A brisa sempre admirada, mas não se pode ver o vento...
A brisa, após apagar-se... recupera-se e ainda permanece a contemplar...
E a brisa... sou eu!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O que poderia ser sentido... no ilogismo dos ventos


Dia gélido... e dedos quentes a digitar
Palavras de camomila espargem
Quisessem acalmar meu ser a gritar
Pudera ver-te em minha vida, folhagem.


Incessante luta do pensamento...
Não, já não te esqueço... audaz tormento.


A insônia apontando você
E o coração aqui... tão dentro...
Resignado... perdido... sem a busca do porquê.


Sou fragmentos a bombear... o que se divide
Dia infindável... a fragilidade... esta incide.


Dolorosamente recrio a luz que você segue...
Num devaneio , vida de todas as cores...
Tinjo passos monocromáticos que te perseguem
Colorir, modificar... adornar meus não amores.


As luzes se apagam... dormir, não conseguiria
Tateio lembranças do que poderia...


Sentir que será nosso esse chão multicor...
O relógio canta minha hora, caminho
Camomila atua... sonífero de doce odor
Repouso dúvidas: você... sozinho.


Nômade de emoções atiradas ao vento
Residências longe da felicidade... sem rima final...
Sou apenas
[reticências...

Estive viajando... Eis que recebi um presente de uma amiga...
... Trata-se de um poema de Lya Luft que me inspirou...
... Posto, então, o poema da escritora e minha releitura, se assim posso chamar, uma vez que está carregada de sentires pessoais, como não poderia deixar de ser...


Canção da Estrela Murmurante

Nós nos amaremos docemente...
nesta luz, neste encanto, neste medo;

nós nos amaremos livremente

nos dias marcados pelos deuses;

Nós nos amaremos com verdade
porque estas almas já se conheciam;
nós nos amaremos para sempre
além da concreta realidade.

Nós nos amaremos lindamente;
nós nos amaremos como poucos.
Nós nos amaremos

no teu tempo.
(LUFT, Lya. Secreta Mirada)


Canção da Estrela Vociferante
 

A janela rubra vocifera trancas
E nós... nos amamos

Em cada canto, um refúgio...
Em cada abrigo, luminescências abrandam

No tempo d'água nos amamos
Nosso relógio: sem mostrador

Jarro de néctar pueril, saltos de sensações
Almas que se reencontram e se assimilam... saciaremos-nos

Nadine Granad

sábado, 1 de agosto de 2009

Do amor que não (se) parte...



A lua me incita e saio da gruta gélida
Sigo descendo por ruas nunca dantes percorridas
Passos largos para esquecer o que não há...

Do olhar para fora: apenas miragens
Do olhar para dentro: sonhos caramelizados

Eis meu par... Convite para dançar ao som de grilos
Enfrentamos olhares de serestas prontas

A lua na rua são tijolos que cheiram lar
A madrugada a nos luzir

Eu, meu par... teimamos em não interromper
Amada... assim julgada pelos risos madrigalistas
Brincamos na fonte... salpiscos de almíscar
Nós dois... cúmplices do que não se cronometra

Perde-se-á no caminho se tentar seguir nossos passos
Em passos descompassados gargalhadas brincam
Fugiram de ilhas e galopam em desafio
Explosão: somos pedacinhos... e ainda assim nos sentimos plenos!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Xale inglês


Cara amiga, escreva-me...
Narra-me sua paixão londrina... longínqua,
Caminhadas por Kensington Gardens
Trilhas ladeadas de flores...

Compartilhe o verde abundante que brinda
Explosão de cores e movimentos...
Ônibus double deckers que dançam nas ruas...
O sol... o sol começa a estrondear!

Descreva-me a beleza do lago ovóide
O desfile dos cisnes majestosos
Os anos... primaveris!

Omita-me a temperatura gélida das águas...
... Diga-me apenas do que é fosfórico.
Seja minha guia...
... Conduza-me às cenas inglesas e aqueça-me com seu xale!...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

DA ROSA QUE SE DIZ MINHA...


A rosa afirma que a mim pertence...

Tudo o que move...
... Remove

Montanhas, grandezas...
... Exigem defesas mínimas

No fundo eu julgo o mundo...
... De muros, jugos profundos

Quando cenas clamam calma...
... A alma pede cenas coerentes...

A vida prossegue...
... Meu coração, sem rumo certo, segue...

O tempo caminha com passos largos, tem pressa...
... Recuso-me, cedo horas a quem interessa

A lua a iluminar asfaltos fatigados...
... Sobressaltos para que eu saia, luzir a rua

A sobra do passado assombra...
... Íntimo assola, há sombra na paisagem

Pressinto dor num silêncio raro que cansou...
... Reminiscências do tempo que não passou

Paz na solidão engana...
... Ser só é morrer, inflama

A pausa do retrato para o passar...
... A voz da intuição é meu trato a não penar

A fórmula do acaso guia alguns passos tórridos...
... Passos de pensamentos caóticos...

O alcance da promessa... ter a rosa... minha!



*Inspirado após ouvir várias músicas ;-)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Estou na partícula do outono...

Estou entre o óleo e a água...
Ideias que bailam na heterogeneidade...
Estou no cinza...
Talvez outono...

Minhas folhas secas tropeçam...
Gramado adornado por gravetos ressequidos
Perfume... aroma de dores que ainda ralham.

Árvores acarinhadas por ventos... ameaçam tombar
Não... raízes resistem, abraçam solos férteis...

O vento grita na janela, grita na pele...
Pelos eriçados... frio que abriga algum verde
[obriga vestimentas pesadas...

Nevoeiros que impedem passos coloridos...
... Tatear mãos confusas...

Baixa umidade... seco, seca...
... Quero água... para pintar retratos...

Amarelo... talvez haja vermelho...
Em frutos que teimam cair...
[sem amadurecer...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Estrangeira d'além mundo


É tarde! Vou-me embora amigo...
Intento de regressar
Sentir-me em casa... sentir-me eu...
Sentir outrem... e ainda assim me sentir...

Acarinhar semelhantes...
Extasiar-se com lugares tatuados intrapele...
Com o reencontro da identidade livre...

Amigo, vou provar da lavanda de tempos infantis!
Correr nos campos que soluçavam segredos florais...
De paixões vãs, alimento a nave...
Vou-me embora, amigo!

Em seu planeta recebi o selo de iconoclasta...
Por acreditar que significados valem mais do que os símbolos
Por ser tocada por subjetividades... mais do que cascas
Por emoções não serem medidas, pesadas, tabeladas...
Amassei, rasguei, cuspi!

Amigo... vou-me... embora...
Retornar aos meus prados esvoaçantes...
Sem paredes, tetos... ilimites... tocar o todo...
Um só músculo a pulsar...
Usar as asas lacradas... pela sensação de estrageira.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Aos fomentadores...


Dia turvo martelado por luz mansa...
Luz que perfura as gotículas da chuva...
Aceito participar da cadência dos corpos...
... Giros constantes... esqueço o motivo que me leva a dançar.

(Lá fora... a chuva ainda molha...)

Lua simulada... de papel...
Astros cintilando, cores discrepantes...
Mão brandas tiram-me corpúsculos oculares.

(Lá fora... a chuva ainda molha...)

Olvido... já não sei quem sou...precipito-me na água...
Constipação... inflamação de ingenuidades...
... Rasteiras, corizas de enganações...
Ofertam-me analgésicos de carinhos balsâmicos...
Já não há predileções...

(Lá fora... a chuva ainda molha...)

Riso silencioso a desenhar-se no meu rosto...
Afeto azul... puro... céu claro...
Gargalhadas acompanhadas de merengues d'alma...
Se alavantam vozes: Aceitas outra dança?

(Aqui dentro... danças com pares que me estimam...)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Estertor da agonia d'um dia morto...


Por caminhos ínvios...
num desfiladeiro me encontrei...

Porvir ante/passado
Solo mordaz...
Intuições, enleios...
[perseguidos pelo ceifador...

Cadáveres que riem...
Sem medos, ríspidos...
... à face da luz solar
[Não vejo... apenas ouço-os...

Retrovisor alinhado...
Espelho que condensa singularidades...
Apontam para lembranças fúnebres...

O invisível açoita...
Punindo recordações;
Cessar de regulações;
Pedras laterais;
Carro obscuro...
Cada mundo numa distância indefinível... refletida.

As trevas assoberbam...
Gadanha entre o que mata e o que parte...
Grito aos fulgores...
Morte... reflete-se para que eu não me esqueça...
da ceifa que corta sem noção de lateralidade...
Reto, profundo... exatidão do tempo...

Olhar para trás... apenas reflexo...
Para frente é que se prossegue...
Adiante o clarão me eleva...
Retrocesso...

sábado, 27 de junho de 2009

Sonholenda... dormências...


Na estalagem justafluvial... peregrino audaz repousa...
Andarilho errante... cupido adormece...

Perdida... me congelo diante da janela do seu quarto... enterneço-me...
Olhar aveludado, inspeciono cada aresta... tocar, minhas mãos ousam...

Incauta... inebriei-me com sobejos do elixir das setas...

Líquido de aparência inócua... agente agressivo...


Banalidades... configuram-se afeições intensas...

Lágrimas candentes brotam... soluços, domino...


O forasteiro não encontrava abrigo... escolheu se hospedar onde eu me desencontrava...

Desconhecia a embriaguez com o bálsamo de suas flechas...


Min'alma pairava pelo infinito... meu coração era rio...
Afã de ter embarcação entre as espumas...

Recifes rasgam as águas... corro... fuga da dor...


Shakespeare: mais um sonho de uma noite de verão...

Fico com outra opção: rubra flor de perfume AMOR.

A exatidão dos olhos azuis


Esmeraldas e safiras se encontraram...
Arrebatada pelo índigo, calculei...
... disparates, fuga da praxe foram somadas...
Apeteceu-me discorrer despretensiosamente.

Pausa lógica: não pertenço ao conjunto dedutivo...
Eu... Olhos azuis... agrupamentos diferentes...
Sou parte e relação decimal: afago (dez)atinos
Anilado: pertence às horas, coerentes sucessões.

Quiçá subtrai com equívocos...
A diferença: relação fundamental da adição.
Tiremos a prova, confrontemos números naturais...
Alimentemos-nos de (i)números sentidos...

Potencializemos, encontremos fatores uniformes...
Somando expoentes, temos a mesma base magistral.
Fique com a racionalidade, com frações...
Fico com ilogismos, com implícitos...

[Cá estou... troquemos pedras preciosas...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Meu conto de um canto de um tempo...


Eu... ser místico... estendi as mãos para a figura lodosa...
Ambiente fétido, obscuridade áspera...
Intrépida, carreguei-o em minhas asas...
Deixei-me ser tocada... e fui perdendo as penas...
E toquei-o igualmente... mãos arenosas... tornei-me humana... e senti um suave calor em seu rosto... pontas dos dedos dormiram... esperança acordara...
Ganhei pulsares antes não sentidos...
(figura lodosa, semi límpida)
Líquens arrancados um a um... gritos de dor que cravavam minha alma de piedade...
Lisonjas... o lodo transforma-se em bálsamo...
E eu... e eu... Eu... já não era eu... nós... argila...
Perdi o brilho... afetada pelo afeto ofertado pela figura afetada...
... Contentava-me com a metamorfose...
Escuridão no céu... inundações na terra... Provações, reprovações, atuações...
O que parecia escultura maciça... por dentro ainda era terra... barro... lama...
Novo teste... as asas sempre estiveram comigo... deixei de enxergá-las quando escolhi o lodaçal...
Devolvi ao esgoto seu filho...
Deixei-me ser carregada pelo vento... Ser purificada... alma lavada... Mas ainda chorei... lágrimas de dor... lágrimas... barro...

Da gordura que cega, mas não mata...


[para M.R.M.A.]

Viva a substância graxa!
Graciosamente ausente no tecido adiposo...
... presente em gélidos olhos.
Viva o óleo!
Besunta calúnia e ego escabroso
...
óleoduto - despeja em carvalhos.
Viva a gordura!
Excessos alentados, exaltado pelo teimoso...
... placas saturadas, distribuídas como baralhos.

Viva a insolubilidade!
A não homogeneidade no vaso receoso...
... veias para alma, sem atalhos.
[Substância graxa de óleo gorduroso insolúvel no substrato do olhar...]

Breve Agrado Floral


[À Chris e todos os novos amigos que me ajudam na meditação nossa de cada dia...

Entre linhas sinuosas...
Entre veredas insólitas...

[Fina flor álacre toca meu peito


Planta ornamental...

Flor descomunal...

[Verdeja litígio e tormento


Se soubesse musicar alimentos para a terra...

Se soubesse cantar adorno para pétala...

Certamente seria fruto-canção para lhe saciar de afeto.



(obrigada!)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Reflexões Cinematográficas...



Precisei sangrar para mostrar que estou viva.
Precisei chorar para provar que sinto dor.
Precisei partir para sentires ira de minha ida.
Precisei poetar para naufragar no Nãoamor...

Alguns fatos parecem filmes monocromáticos...
[Cinza... branco no preto... deveras ausência.
Fatos que não escolhi viver, surgem sintéticos...
[Artificialmente me atingem, cenas de incoerência.

Eu tento sair de telas que igualmente não escolhi...
[Inconformo-me com atores despreocupados...

Que fogem de roteiros, que negam o que há de vir.
[Estou fora de roteiros estereotipados.
Jogo de sombras, marionetes, constante atuação

[Desconhecidos invadem meu set particular...
Os fatos, sentires, eis encenação
[De uma história que por vezes prefiro ocultar.
Soube que não aguentaria assistir até o fim.
[A história era seguramente dura para mim.


Inverte-se a cena... CLAQUETE...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ações dessa noite...


I

Lágrimas... rijas, frias
Peito dilacerado... adaga cravada
Mágoas sem sepulcro, crateras sem meteoritos
Laguna que surge, sem mar para dialogar.
Em meu lacustre, inspeção atenta...
Poeira nos dedos...
Folhas suadas, transpiram inconscientes...
Traços inelegíveis, molhados pelo sufoco
Grito no casebre... as letras chegam...
... Noite cai...


II


A foto, amarelecida, morta... na mesa
Abraço a caneta amarga, letras desfalecidas saem
Algumas ideias, pouco amestradas... incerteza
O papel alvo... sombra contrai...


Escrevo algumas linhas, perfumadas de partida
Releio, reescrevo... odor alterado
Atafulho de sentimentos, perfume de vida
Rosas ásperas, jardineiro equivocado.


Ato de reproduzir o que sinto... verso
Ato inviável, sim, confesso
Bosquejar o que está debilitado
A aurora canta... paro... papel asseado.


Prece ao Nãoamor II


Compadeça-se... Cegue-me...
... Coloque um véu em meu âmago...
... porque o sentimento êmulo insiste em afagar minha essência...

Acostumo-me com a imagem do nada...
...vazio, incompletude... com o choro afônico...
... e tão... tão toante... tão dentro, tão eu...

Traga-me o rum da neblina...
... Permita-me que eu ainda assobie a velha cantiga...
... mas que velhos sentires sirvam-me de adubo...

Desconsidere toda a prece se eu chorar estridente...
... Se eu anseiar compartilhar, sofrer, sorrir...
... entregar minha vida em mãos alheias... querer o pouco...
... o nada ser preenchido por muitos poucos...
... suficientes para que cada dia seja festa...




GR

IMÃS

Ao Pardal


Cultiva rosas formosas... sem espinhos...
Canta suave... oferta-me o coração...
Derruba pedras... no bico, carinhos...
Escuta, conforta... sua alma é canção...



Gêiser de morna água...
Intrínseco... há fonte de calor...
Jatos d'água... carregam mágoa...
Expele lisura, ludibria se é dor.



Não sei escrever com tanto brilho, Pardal.
Não sei descortinar meu sentir com facilidade
Não sei o caminho até Pasárgada, Pardal.
Mas deixo-me ser guiada por sua vivacidade.




sábado, 30 de maio de 2009

Vim... vivendo...


Viver o hoje... é o que aclamam... vozes sensatas...
Viver o agora... sem carregar o fardo do ontem...
O ontem se foi com meus desejos de sorrir...
... céu repleto de nuvens... sorrisos...
Sol... sorrisos...



Agora... nuvens, nata, entulhos... crostas...
Voz sensata... conforto, abraços, meias para pés gelados...
Oscilações, luta interna... meias e friagem, abraços e embates...
... conforto e insegurança...



Dualismos que se chocam e se beijam...
Trocam líquidos segregados, líquidos que acalmam abalos sísmicos...
... e eu vivo...
Vivo para vivenciar a vividez da voz...
Casamento, divórcio... tudo muito tumultuado em meu cerne...



E eu? e meu eu? nesse embate intrínseco...
Vivo... venho vivendo...
Retomo as teclas... e as palavras me tomam...