Mostrando postagens com marcador conto poético. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conto poético. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Resenha: Um Artista da Fome - Franz Kafka

(Imagem retirada do Google)




 Enquanto meio de expressão e operação construtiva, o conto “Um Artista da Fome” é o indicado hoje. Franz Kafka soube, brilhantemente, trabalhar com imagens assumidas e recodificadas pelo discurso, originando um conjunto de elementos de apreensão muitas vezes difícil, dada a complexidade presente em sua obra.
Quando Franz Kafka expõe um jejuador profissional “trabalhando” e sendo admirado por algumas crianças:
“Maravilhando-se ante o homem pálido, de costelas salientes, que vestia justas calças negras e não tinha sequer uma cadeira, sentando-se na palha espalhada no chão (...) estendendo de vez (em quando) o braço através das grades, para que verificassem como estava magro” (KAFKA, 2007, p.3).
 Deparamos-nos, neste trecho, com a descrição do estado físico em que se encontrava o jejuador, atendo-se ao uso de expressões adjetivadas: “homem pálido”, “costelas salientes”, “justas calças negras”, para exprimir e destacar a situação do mesmo, assim como a ideia de condição inferior, buscada por si próprio. 
Kafka propõe até mesmo a desumanização do que, em uma visão exterior, seria humano, tanto é que coloca o jejuador em uma situação inferior, e porque não, animalesca, por ser portador de uma significação maior. 
O ABSURDO na obra de Kafka ganha dimensões sensoriais e emocionais...
Recomendo!

Nadine Granad.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Da senhora que toma sol...

(Foto por Flaviele Leite. Linda!)


Todo dia que é sábado passo pela casa : branca... cabelos, mãos, vibrações: "a senhora que toma sol"!
Sem alcunha e eu sem coragem!...
O trajeto é alegre... é o sábado, normalmente sábado... o sol brilha gostoso e o gelo é apagado. A "senhora" lá está: cadeira, portão, sorriso sutil... Chega a fazer cócegas!... Mal viro a primeira curva, uma vontade de escancarar os dentes... Nada... não... Nem uma palavra... "a senhora que toma sol" também toma vocábulos!... Balanço a cabeça como quem diz:
- Bom dia! Sabe... sempre a observo... parece-me ligeiramente triste... mas dá um não-sei-o-quê em mim!... Tem mais: o amor toma sol contigo!...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Gole de amorida...

(Linda imagem por Flaviele Leite)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos ! - (Clarice Lispector)


Amo-te e bebo-te!...
Bebida gelada -

Agregada: aquece!...

Canto e brindo à vida...

A vida... ida...
Tão somente a alcolizar-me de alegria...

Peito a pulsar, costuras na alma...
Já não sei se sou ou suo:

Líquidos segregados do que não (se) parte!...

domingo, 7 de março de 2010

Para os amigos...


... Excerto em especial a meu amigo poeta que apenas começou a ler ;)
O Pequeno Príncipe
...
Recomendo e releio!...

Abraços!
... que deixemos-nos cativar!...

"(...)O pequeno príncipe escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que batiam no joelho. O vulcão extinto servia-lhe de tamborete. "De uma montanha tão alta como esta", pensava ele, "verei todo o planeta e todos os homens..." Mas só viu pedras pontudas, como agulhas.

- Bom dia! - disse ele ao léu.

- Bom dia... bom dia... bom dia... - respondeu o eco.

- Quem és tu? - perguntou o principezinho.

- Quem és tu... quem és tu... quem és tu... - respondeu o eco.

- Sejam meus amigos, eu estou só... - disse ele.

- Estou só... estou só... estou só... - respondeu o eco.

"Que planeta engraçado!", pensou então. "É completamente seco, pontudo e salgado. E os homens não têm imaginação. Repetem o que a gente diz... No meu planeta eu tinha uma flor; e era sempre ela que falava primeiro."

Mas aconteceu que o pequeno príncipe, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas em direção aos homens.

- Bom dia! - disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia! - disseram as rosas.

Ele as contemplou. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem sois? - perguntou ele espantado.

- Somos as rosas - responderam elas.

- Ah! - exclamou o principezinho...

E ele se sentiu profundamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ele era a única de sua espécie em todo o Universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!

"Ela teria se envergonhado", pensou ele, "se visse isto... Começaria a tossir, simularia morrer, para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade..."

Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. Uma rosa e três vulcões que não passam do meu joelho, estando um, talvez, extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso..."

E, deitado na relva, ele chorou.

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia - disse a raposa.

- Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, olhando a sua volta, nada viu.

- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? - Perguntou o principezinho. - Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa - disse a raposa.

- Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...

-Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa - disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?

- Procuro os homens - disse o pequeno príncipe. - Que quer dizer "cativar"?

- Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?

- Não - disse o príncipe. - Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"...

- Criar laços?

- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. - Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível - disse a raposa. - Vê-se tanta coisa na Terra... (...)"

Trecho de O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O menino e o barquinho

(foto por Flaviele Leite. In: http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)


O menino veleja na cama,
Ondas dos cabelos guiam,

Arma lençóis como marinheiro ama-mar,

Indaga tubarões temporais;

Vendavais dos pesadelos...
Naufraga de cansaço!...

Mamãe é sereia a embalar o mais doce dos sonos!...

MAR À VISTA

Eu não sei,
que será de mim!
Eu não sei
e nada me importa saber
eu só sei,
que havia um mar à vista ali
você passou assim por mim
e eu me perdi.

(Djavan)

O menino doente

O menino dorme.

Para que o menino
Durma sossegado,
Sentada ao seu lado

A mãezinha canta:

— "Dodói, vai-te embora!

"Deixa o meu filhinho,
"Dorme . . . dorme . . . meu . . ."

Morta de fadiga,

Ela adormeceu.

Então, no ombro dela,

Um vulto de santa,

Na mesma cantiga,
Na mesma voz dela,
Se debruça e canta:

— "Dorme, meu amor.

"Dorme, meu benzinho . . . "


E o menino dorme.


(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Texto: O lustre

(LEITE, Flaviele. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos)

No salão mãos cochicham,
Dedos timidos afagam-se...
Ariscamente o convite desabrocha,
Flor desenvolta a estampar rostos...
Iluminados pela música,
Dançam ao som do ilustre lustre!...
O prédio e o casebre;
A vila e a cidade;
Os extremos de um cordão envoltos por um só nó de luz!...
E a chama é carregada por ambos;
E a melodia enleva...
... A bela e fera:
São o um ante todos que dizem muito in vazio!...
Candelabro pendente;
Brilho lustrado, riqueza que adorna sem que se veja...
Lampadário dos opostos que se escolhem!...
Uma irradiação, sem muita certeza...
Movem-se pelo mesmo sentir...
Ainda tudo vale a pena!...
Beijo sela a noite de dança, de luz, de brilho, do lustre belo...
Dos ilustres conhecidos!...