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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Perguntas e respostas, ou sobre a dialética da teima

Perguntou se havia amor nas asas,
Sorrindo torto e com olhar reto.
Respondi com olhar torto e sorriso reto
Que as asas estavam em meu amor.

Alcancei algumas estrelas d'um céu,
Sem endereço, sem retorno.
Enquanto ficou na rua de pedras,
Com nomes, com duas vias.

Gritou por mim em seu infinito,
Respondi que não voltava ao fim.
Chorei por decolar sem ar,
Riu por ficar e respirar.

Para escutar:


terça-feira, 25 de julho de 2017

Deu bandeira...

Paraty/RJ - meu clique (2017)
Apresentou o impossível:
Seus olhos disseram,
Dissecaram a derme,
Qualquer coisa, qualquer fato - era mais um retrato!...

O dinheiro apareceu,
A pobreza destacada -
Era sopa de pedras preciosas,
Qualquer pedra, qualquer perda - era mais um retrato!...

Bandeiras presas no fio voaram,
As cores presas ao peso,
Do fio, do arame, no poste,
Qualquer cola, qualquer fita - era um retrato que não colava!...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Um pouco sobre platonismo...

Não, não discorrerei sobre a filosofia tratada por Platão... O fato é que tenho duelado com minhas próprias questões. Carrego uma mistura de filosofia e poesia muito pessoais para conseguir argumentar sobre transcendência de ideias do plano da matéria... 
Sou uma matéria que não se aprende em livros... Ah, não era isso?
É provável que as afeições contemplativas sejam possíveis de explicações pelo viés psicológico, inclusive. A situação é que em meu universo não encontro as respostas que gostaria, quando (ou quanto?) ao menos não sei as perguntas...
Sou idealizada e idealizo, quase uma constante. Tenho uma frequência cardíaca que costuma parar - morre-se por segundos... Em minha essência sou amor, sim, o amor também uma questão digna de nota aos filósofos... Mas o amor me tem sido tão complexo, tão singular, deixaria qualquer ser mais racional em estado de perplexidade (ou não?). Isso para esboçar que, se em essência sou amor, em ausência sou confusão... E essa bagunça arrumo sozinha, não há sublimação: caminho sobre sentimentos e alguns descubro serem navalhas!... Sangro e isso é ser comum - finda qualquer idealização...
Eu transpiro poesia, não porque trabalho a palavra... Eu a engulo e, quando não a cuspo, transpiro incessantemente... Por isso, não poderia receber o amor que mencionei antes... Esperava, como de fato o é, a idealização, ser o mote poético de alguém... Sou coberta por perfumes raros, depois preciso seguir quase seca... E o que vem depois? Uma chuva a molhar-me, e eu gosto!...
Quando prevejo, estou forte? Errado. Admiro a possibilidade de me permitir estar enganada, ser tocada e tocar... A frustração prevista vem com um bonito laço de cetim, pede-se para ser desfeita, vou adiando o desembrulhar... Então, desembrulho e eu mesma também me desembrulho!... Fico menos poesia, embora a essência esteja ali, fico um pedaço, um pedaço de carvão em brasa que pede por um abraço, mas queima... Meu presente é inevitável... Sim, mais um platonismo!...

domingo, 6 de novembro de 2016

Antes do cochilo

Nem sempre pensar, pensar... é preciso dormir também...
A semana ré-inicia e o que mudar?
Nós com nós... desatar a caminhada rumo à evolução...
Vamos à ação?

domingo, 23 de outubro de 2016

Sobre o parentesco...

Difícil... quem disse que não seria?
Os maiores testes precisam ser enfrentados no nosso próprio lar, no conforto do teto encontramos a angústia do convívio, as diferenças que podem ser indiferenças para uns, lágrimas para outros... 

Embora transmitam uma verdade que é rara nas ruas, transitam pela curva do estresse, com doses de incoerências engolidas a seco... Algumas vezes temos direito à água... outras não podemos desistir, não baixamos a bandeira, apenas a lavamos e reerguemos mais alto, gritamos mais alto... No duelo de grito todos perdemos a voz...

Não é possível que seja um eterno agora, certamente houve um antes... esse antes pertence ao nosso presente que determinará nosso futuro... Estamos em uma escola diária e quem preenche os diários somos nós mesmos... Escolher sofrer, magoar-se, rir ou relaxar são avaliações duras...

Facilmente corremos para a força materna, os conselhos paternos, os ouvidos ou piadas fraternas... Dificilmente será apenas perfume... os diferentes odores nos dão força para evoluir...

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

DONADA, dê nada!

Retirado de: frasespesiaseafins.tumblr.com
E do nada a vida seguiu...
Na verdade o nada já estava ali,
quando o tudo pensou ser o bastante,
já nadávamos no abstrato...

Se havia, haveria de ser algo...
Ou o Tudo é tão relativo
e o Nada é tão retroativo?
Os tempos acabam sendo pretéritos de si...

O mesmo acaba sendo a diferença que falta,
as palavras nem sempre satisfazem metalinguagens...
E o coração é, por vezes, razão...
Dê Nada e ganhe Nadas... nademos, então...


***Para escutar:



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Crise dos 30

Tenho 30 dias para resolver problemas de 365,
30 minutos para aguardar - ônibus, encontros e desencontros,
30 segundos para respirar.
E o que eu fiz?
O que farei?
Os sonhos se desmancham em menos de 30 anos...
E a queda é dura,
Dura uma vida!...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Curta o curto XXXIX

Estava aqui (entre uma coceira e outra) a pensar:
Que bonito o mosquito!...
... A fêmea carrega sangue para nutrir seus ovos.
E a coceira é a lembrança (constante?) de que:
- Um pouco de nossa "essência" pertence ao ciclo alheio!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Em um banco de ônibus...

(Imagem retirada do Google)


Atrás do banco,
Escrito em letras garrafais
(ou após garrafadas):
"Ovivando meu amor eterno e que não separará".
Ri do nome e do eterno que pode, ou não, separar...
Engulo a risada, declaração é música, é réquiem...
Próxima parada,
Rapaz com aparelho sonoro coletivo.
Nova escrita, dessa vez no vidro:
"O Diguinho assasino geral".
Interessante a imagem: sinos assados,
Não há erros... 
Depende do contexto ou com-texto?
Sem-texto mesmo... 
... Fiquemos com agentes letais que distraem-nos em nossos percursos.