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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Da cigana em meus dias

O coração encanta,
em mantra ao sol,
somos sós,
somos sóis...
Sem saber a ordem,
no palpite não dito,
a desordem dos dias
fica a critério...
Pitadas de arco-íris,
luzes que sacodem,
arde o que já abrasa,
íris que oscila
olhar a vida remota...
Flor lilás que purifica,
a insensatez das horas,
a solidez da queda,
o andar cansado,
a música que não toca...
Lições das dúvidas,
energias da derrota,
cantos dos pássaros
- nota ao perdão...
Pelo deserto,
ser chuva,
ser o oculto a luzir,
o símbolo a significar,
fortaleza (ser)...
Fitas coloridas,
maçãs e cravos
desenham a pele,
segura a lua crescente...
E o coração canta
uma oração ao som do flamenco...


Para escutar:




terça-feira, 1 de agosto de 2017

Perguntas e respostas, ou sobre a dialética da teima

Perguntou se havia amor nas asas,
Sorrindo torto e com olhar reto.
Respondi com olhar torto e sorriso reto
Que as asas estavam em meu amor.

Alcancei algumas estrelas d'um céu,
Sem endereço, sem retorno.
Enquanto ficou na rua de pedras,
Com nomes, com duas vias.

Gritou por mim em seu infinito,
Respondi que não voltava ao fim.
Chorei por decolar sem ar,
Riu por ficar e respirar.

Para escutar:


terça-feira, 7 de março de 2017

Resenha - Show "Nossas Histórias" (Oswaldo Montenegro)

Quaisquer palavras que venha escolher para a concretização dessa resenha ainda serão pequenas... O sentimento ampliou-se após assistir ao show no dia 04/05, em São Paulo (Espaço Tom Brasil)...
Certamente não conseguirei escrever uma resenha crítica padrão, ausentar-me de recursos poéticos e das minhas amadas reticências seria cometer suicídio literário... 

Sei que parti à plena emoção ao vê-lo no palco, escutar a voz limpa, instrumentos limpos, alma limpa... Faxina auditiva mais do que necessária!... Posso dizer que as letras, melodia, voz, tudo: uníssonos... Talento mais que notável e escutar algumas histórias foi uma delícia!
Embora não tenha habilidades, conhecimentos também limitados, sou uma apaixonada por música!... As primeiras notas já me arrepiam, encontro uma sensação de paz que só é possível por mais um modo, além da música: sensação de dever cumprido!... Isso que, afinal, é a paz que todos buscam, embora cada qual encontre a sua maneira para descrevê-la...

O espaço é bonito, tem pitadas de luxo, o que nada mudam minha reflexão, até mesmo porque sou professora e meus vislumbres amarram-se ao adjetivo paupérrimo... A única menção negativa a fazer é justamento o serviço nas mesas, o atendimento é excelente, mas após o início do show a circulação de garçons dificulta a visualização...Não sei se os culpados são os atendentes, o local que preocupa-se em lucrar ou simplesmente as pessoas que optam por consumir algo que não as marcarão tanto quanto a canção!...
A escolha do repertório foi excelente e a flauta de Madalena Salles, beleza rara!... 

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a música sem pretensão
eu quero que as buzinas toquem flauta doce
e que triunfe a força da imaginação...  (Trecho da música "Sem Mandamentos")

Ah, inclusive essa música, Sem Mandamentos, está ligada à infância de Oswaldo Montenegro. Segundo ele, quando criança era extremamente católico, mentiu à mãe que havia feito um dever de casa... Ao contar ao padre soube que era algo sem perdão, pecado capital... O pai, observando-o cabisbaixo o questionou e Oswaldo Montenegro acabou mencionando que iria para o inferno... A figura paterna, então, disse-lhe que era para ser feliz, que isso era o que Deus queria... A música é resultado da resposta dada pelo pai juntamente com novos pensares, poeticamente organizados... Hoje, o cantor afirma-se agnóstico, mas Madalena Salles mencionou que é também uma pessoa espiritualista, que discutem Spinoza, independentemente de qualquer rótulo... 

Claro, não posso deixar de mencionar que ele tocou "minha música"... Tenho vários momentos, nos últimos meses, como sabem ou deixei a entender, passei por mais um doloroso... E a música "Estrada Nova" é o mantra da vez!...



(Tentei fazer upload do celular, mas tenho problemas tecnológicos, rsrs... O vídeo é de 2013, do canal do próprio no Youtube - ao vivo, gravado, em CD, na internet, em carne e osso... o mesmo som!)


Boa semana!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Nossas Histórias - Oswaldo Montenegro

Oswaldo Montenegro produziu essa canção para uma websérie na qual Madalena Salles (sua parceira, flautista, há mais de 40 anos) relata fatos desses anos de parceria!...
Linda poesia, com votos de uma ótima semana!



Quando a sua história tira a minha para dançar
Como bailarina salta e gira sem cansar
Vence a gravidade e fica leve até voar
Vendo a gente toda a gente busca o seu par
Quando um coração se acalma e volta pro lugar
A esperança sonolenta acorda e vai brincar
Toda a melodia é um farol guia em alto mar
Quando uma canção consola alguém valeu cantar
Quando uma canção consola alguém valeu cantar

* Ansiosa para vê-lo dia 04/03 :D


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Breves anotações sobre o sorriso dele...



É uma pitada de Debussy com poesia...
É bossa... que é nova no peito...
A lua está entre lábios e as marés nos abraços...

domingo, 20 de novembro de 2016

Para uma boa semana!


Show do Alceu Valença (19/11/16)... Assisti-lo de perto, simplesmente lindo!
Precisava, pois pensar, pensar, pede dançar conforme a música...
Prometo essa semana colocar as leituras dos blogs em dia ;-)

Boa semana!

sábado, 29 de outubro de 2016

Sobre a paz que procuro...

(...)Ela já acreditou no amor, mas não sabe mais
Ela é um disco do Nirvana de 20 anos atrás
Não quer cinco minutos no seu banco de trás
Só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais
Ela é uma letra do Caetano com flow do Racionais
Hoje pode até chover, porque ela só quer paz(...)
Projota - Música: Ela só quer paz - Clique aqui para ouvir!



Dormir, acordar no horário,
O sono é embalado pela sensação de que fez o melhor
E não pensar em "se"...

Levar-se pelas marés, sem afogar-se...
Boiar no que é bom, jogar os pesos...
Ficar leve com o que foi feito e decidido por outrem...
O outro fez um favor, aceitar dar as braçadas...

Não buscar justificativas, ficar com o agora...
Deixar o depois para amanhã e ainda sim conviver com a urgência, sem pressa...
A sensação de dever cumprido...
Essa é paz tão sonhada!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

DONADA, dê nada!

Retirado de: frasespesiaseafins.tumblr.com
E do nada a vida seguiu...
Na verdade o nada já estava ali,
quando o tudo pensou ser o bastante,
já nadávamos no abstrato...

Se havia, haveria de ser algo...
Ou o Tudo é tão relativo
e o Nada é tão retroativo?
Os tempos acabam sendo pretéritos de si...

O mesmo acaba sendo a diferença que falta,
as palavras nem sempre satisfazem metalinguagens...
E o coração é, por vezes, razão...
Dê Nada e ganhe Nadas... nademos, então...


***Para escutar:



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Você pode enfrentar a vida...

Imagem retirada do Google
Um de nós desfez o nó e sorriu...
... Quem escolhe levanta-se, tira o pó...
Quem fica com o laço, estagna os próprios passos...

Um de nós fica com as lembranças, larga as ânsias...
... Quem lembrou, sente-se pleno do amor que o rodou...
Quem que esquecer, questiona o amor, se teve...

Fiquei com a fita e com o nó na garganta, deixei as boas lembranças...
... Sou quem quer vê-lo feliz, ainda que custe minhas incertezas...
Sou a cicatriz e meu sentimento há de ser bom juiz...



sexta-feira, 30 de setembro de 2016

(Para sair da Fossa III)




Música: Deixe Estar (Compositor - Tó Brandileone)
Interpretação: 5 a Seco

Letra:

Nunca vi chorar tanto por alguém que te não quis
Deixa estar
Que ele vai voltar louco para te ver,
Então verá,
Que você cresceu
Que apareceu, tem seu lugar,
E hoje está louca para sair
Sem saber que horas vai voltar.

Refrão (2x)
Eu quero mais é te ver na pista
Da vida, dançando sem parar
Eu quero mais é sumir com as pistas
De onde ele foi parar.

Se ele não ligou, nunca te escreveu
Não vai prestar.
Chega aqui que eu vou te falar
O que você sempre quis ouvir.
Deixa isso pra lá, que você não pode ficar assim
Põe um fim.
Que ele vai voltar louco pra te ver,
Então verá...

Refrão (3x)
Eu quero mais é te ver na pista
Da vida, dançando sem parar
Eu quero mais é sumir com as pistas
De onde ele foi parar

Nunca vi chorar tanto por alguém que não te quis,
Deixa estar

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

(Para sair da Fossa II)


Por enquanto - Renato Russo   (vídeo do filme)        
           
Letra:
Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém, só penso em você
E aí então estamos bem

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

(Para sair da Fossa I)


Música: Liberdade (Marcelo Camelo)                        

Letra:

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não, eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares
Vou fingindo ser o que já sou, fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar, eu vou

É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
Seguro de que vale ser aqui
De que vale ser aqui onde a vida é de sonhar
Liberdade

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Saudade...

... Boa semana a todos!!!!

OBS: Voltarei a postar quando sairem os resultados dos exames... sou ansiosa demais =(

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Carta sem você

(Legenda na foto de Caio Fernando Abreu:"Uma alegria interna quase como uma primavera"- Foto de Flaviele Leite)

E a espera de cinco minutos é a eternidade aos meus sentidos...
Nariz a não-respirar nicotina;
Mãos, braços, pés... polvo inútil;
Língua sem papilas;
Ouvidos sem canção...
E os cinco minutos não são nada sem ele...
Mas esperei a vida inteira, por que não esperar cinco minutos?
Porque o Agora é rápido... Talvez não seja trans[lúcida] o suficiente...
Talvez o querer sempre, não é um dos quereres dele...
Guerra! Porque a paz apenas encontro no peito do meu amado...


(Escutando: SEM VOCÊ, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Boca com flores

(Belíssima imagem por Flaviele Leite)

Primavera Nos Dentes
Composição: João Ricardo/João Apolinário

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

... E não tenho certeza do SER;
O verbo deveras me cala...
E o que antes, claro... hoje anoitece;
Palavras tecem os suspiros! 

Sem perder a candura... perde-se a cabeça!...
Achemos o caminho... a Pasárgada escondida...
A cama para que o desespero repouse...
Sua não-cabeça em mantos primaveris!...

Ó SER que não sabe sê-lo!
Que não sabe dos quereres;
Que nada sabe... mas a tudo sente!...
Carregai-me com as flores... em seus dentes!...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

AMOR

Composição: João Ricardo - João Apolinário
 
Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.
Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.
Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poema de Cassiano Ricardo

(Foto por Flaviele Leite)

As Andorinhas 
(CASSIANO RICARDO)
Nos
fios
ten
sos

da
pauta
de me-
tal

as
an
do
ri
nhas
gri-
tam

por
fal
ta
de u-
ma
cl'a-
ve
de
sol

sexta-feira, 26 de março de 2010

Do choro choroso...


O choro toca, balança,

Não cansa... Agita...

... Lágrimas plangentes no salão...

Coração é mais tantan que tuntun!...

quarta-feira, 17 de março de 2010

"Eu te amo", de Tom Jobim e Chico Buarque


... Ao acaso encontrei uma análise semiótica da música!... Trata-se de um artigo de Peter Dietrich, na qual discorre sobre a relação entre o texto linguístico e o texto musical, levantando as relações existentes entre os elementos... Resumidamente: símbolos... Eis que compartilho parte dele, bem como a letra!... Sem matar o sentido individual... ;)

EU TE AMO                                                      Composição: Tom Jobim / Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.


(...)O amor relatado pelo narrador não é apenas intenso. Ele é, literalmente, visceral. Podemos verificar esse fato principalmente nos versos: 'Já confundimos tanto as nossa pernas/ Diz com que pernas eu devo seguir', 'Se na bagunça do teu coração/ Meu sangue errou de veia e se perdeu'. Sujeito que ama e objeto amado se entrelaçam e se confundem (...) Nestes versos podemos perceber que a proximidade entre os amantes é tanta que chega mesmo a superar o conceito de proximidade: estamos diante de um amor que chamaremos de 'fusional'(...)
O mundo em que este amor acontece não faz fronteira com o mundo externo ('Rompi com o mundo/ Queimei meus navios'), nem tampouco é limitado temporalmente ('perdemos a noção da hora', 'noites eternas').
(...)
Seguindo as estrofes da canção temos o seguinte padrão melódico: AB CD CD C. É importante notar, desde já, que esta é uma estrutura inusitada(...) temos uma estrutura assimétrica (...) O tema melódico das partes A e C é construído a partir de uma escala cromática, ou seja, uma escala que 'anda' de meio em meio tom. Nesta canção as notas estão portanto absolutamente coladas: não há espaço possível entre uma nota e outra. Já nas partes B e D, podemos observar a presença de diversos saltos intervalares: é a manifestação da disjunção, da descontinuidade (...)"

sexta-feira, 5 de março de 2010

O menino e o barquinho

(foto por Flaviele Leite. In: http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)


O menino veleja na cama,
Ondas dos cabelos guiam,

Arma lençóis como marinheiro ama-mar,

Indaga tubarões temporais;

Vendavais dos pesadelos...
Naufraga de cansaço!...

Mamãe é sereia a embalar o mais doce dos sonos!...

MAR À VISTA

Eu não sei,
que será de mim!
Eu não sei
e nada me importa saber
eu só sei,
que havia um mar à vista ali
você passou assim por mim
e eu me perdi.

(Djavan)

O menino doente

O menino dorme.

Para que o menino
Durma sossegado,
Sentada ao seu lado

A mãezinha canta:

— "Dodói, vai-te embora!

"Deixa o meu filhinho,
"Dorme . . . dorme . . . meu . . ."

Morta de fadiga,

Ela adormeceu.

Então, no ombro dela,

Um vulto de santa,

Na mesma cantiga,
Na mesma voz dela,
Se debruça e canta:

— "Dorme, meu amor.

"Dorme, meu benzinho . . . "


E o menino dorme.


(Manuel Bandeira)