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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Eu tigre, ele touro

Imagem retirada de: Depositphotos





Nunca uma dor despertou tanta beleza,
Favorecendo ousadias, algum agouro
Que leva poeiras e traz ouro,
E que pertence a minha natureza.

Quem ontem grita, hoje fraqueja
Em peito quente d’um touro,
Que leva certezas e traz choro,
E que mantém a chama acesa.

Por que amor assim tanto me guia?
Ó luz de dias contados e findos!
Ditoso é quem faz do escuro teu dia!

Na madrugada escuta-se algum rugido,
E meus olhos de tigre em covardia
Olham o teto a ler versos restritos.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meia jarra

Foto retirada do acervo do Depositphotos

A jarra encheu vagarosamente,
Respingos inevitáveis na roupa,
Desejos que saltam da bocarra,
Choramingo a sua frente...
Não, não beba desse modo,
Não ouça o tilintar do copo,
Não deixa secar sua marra,
Não tente forçar a barra...
A jarra já está sem coragem,
Despede-se da vida cheia,
Gelo é apenas miragem,
Aquece-se e desnorteia...
Meio é um meio certo,
Assim como o talvez tem vez,
Na hora do conserto
Da alça já em sua viuvez...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Da cigana em meus dias

O coração encanta,
em mantra ao sol,
somos sós,
somos sóis...
Sem saber a ordem,
no palpite não dito,
a desordem dos dias
fica a critério...
Pitadas de arco-íris,
luzes que sacodem,
arde o que já abrasa,
íris que oscila
olhar a vida remota...
Flor lilás que purifica,
a insensatez das horas,
a solidez da queda,
o andar cansado,
a música que não toca...
Lições das dúvidas,
energias da derrota,
cantos dos pássaros
- nota ao perdão...
Pelo deserto,
ser chuva,
ser o oculto a luzir,
o símbolo a significar,
fortaleza (ser)...
Fitas coloridas,
maçãs e cravos
desenham a pele,
segura a lua crescente...
E o coração canta
uma oração ao som do flamenco...


Para escutar:




terça-feira, 1 de agosto de 2017

Perguntas e respostas, ou sobre a dialética da teima

Perguntou se havia amor nas asas,
Sorrindo torto e com olhar reto.
Respondi com olhar torto e sorriso reto
Que as asas estavam em meu amor.

Alcancei algumas estrelas d'um céu,
Sem endereço, sem retorno.
Enquanto ficou na rua de pedras,
Com nomes, com duas vias.

Gritou por mim em seu infinito,
Respondi que não voltava ao fim.
Chorei por decolar sem ar,
Riu por ficar e respirar.

Para escutar:


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Aroma amoroso

(foto do meu acervo)

Sinto um novo aroma,
N'alma atinge o perfume
Que no Coliseu, em Roma,
Digladiam antigos costumes...

Pele odorífera que me atordoa
E meu pensamento conflitante:
Desconhece o novo pulsar,
A presença d'um amor militante...

As narinas vibram, viciadas,
Só querem mais uma dose.
As tremedeiras evidenciadas,
Quente suor em mim escorre...

Desfaço-me em pétalas,
Enquanto o cheiro permanece,
Correndo por entre as frestas,
Em meus dedos, não fenece...

Sinto um novo aroma,
A cobrir-me de êxtase,
A escrever axioma,
A beijar com ênfase...

domingo, 9 de julho de 2017

Ele parou o carro ao lado do monstro...

E encontrando monstro horrendo,
fostes logo perguntando:
- O que há de matar primeiro,
a saudade ou seu assombro exitando?
Criatura tenebrosa, mal sussurra a resposta:
"Saudade não mata, apenas aparta a briga,
razão e sentimento. Faço, então, uma proposta,
o que teu peito abriga? Sobrevive se decifras..."
Não sabias o que responder, nem ser
o que deveria ser o que em si carregava.
Negavas e queria ao desumano maldizer,
adiava o inevitável que aos seus olhos fumegava...
Assobiava canção repleta de dignidade,
o monstro o encarou de alto a baixo
decidiu largá-lo a sua própria sorte,
já que a saudade era seu pior fracasso.

domingo, 28 de maio de 2017

Curta o curto LXX

Ele dormiu e roncou:
Sílabas poéticas saltaram,
Inundaram seu travesseiro...
Sou a moça da lavanderia -
- Fronha imprópria para sabão...
Notará que levei para mim?

domingo, 2 de abril de 2017

Colombina de asfalto


... Eu que sempre preferi Pierrot,
Notei-me roubada,
O Arlequim me furtou!

As lágrimas negras escorrem,
Antes de tocar o chão,
Nas estrelas morrem...

No asfalto quente um palhaço dorme,
Uma escrava chora,
Um ladrão corre...

O primeiro semáforo nos congela,
O conto vira riso,
Tudo termina em novela!...

terça-feira, 14 de março de 2017

Curta o curto LXV

O dia quente,
Ventilador no rosto...
Bronquite no peito,
Peito vazio...
Prece para que ventile-se a dor...

segunda-feira, 13 de março de 2017

Aviso / Desabafo

Há algum tempo tenho recebido comentários como: "aceita parceria?", "ajude-me a divulgar?", "siga-me que eu te sigo".... Pensei em algumas vezes publicar os comentários e responder publicamente... Todavia, acabo repensando por dois motivos: a pessoa que escreve provavelmente não perderia tempo em ler a resposta e também não sou tão má a ponto de expor alguém que, às vezes, só precisa sentir-se lida...
Sim, gosto de saber que tem alguém "lendo-me"... Acredito na palavra que está tão na moda ultimamente: RECIPROCIDADE... Obviamente que se alguém me segue, acabo retribuindo... Sinceramente não é algo que peço... Desejo que as pessoas sigam se sentir que há "algo" aqui... caso encontrem de alguma forma abrigo e/ou familiaridade no que escrevo... 
"Metade de mim é o que eu escrevo, a outra metade também"... Utilizo um pseudônimo, mas a necessidade de expor, desabafar, utilizar-me de vocábulos para cuspir minhas inquietações têm sido a terapia que acredito... Ler vocês também alivia meu ser!... Nem sempre consigo comentar, mas sempre que posso leio aos outros como gostaria de ser lida...
Portanto, minha intenção não é vender poesia... Procuro viver poesia, respirar poesia, ser a poesia... logo, não sou uma mercadoria...
Beijos com minha pitada de amor:  =)

terça-feira, 7 de março de 2017

Resenha - Show "Nossas Histórias" (Oswaldo Montenegro)

Quaisquer palavras que venha escolher para a concretização dessa resenha ainda serão pequenas... O sentimento ampliou-se após assistir ao show no dia 04/05, em São Paulo (Espaço Tom Brasil)...
Certamente não conseguirei escrever uma resenha crítica padrão, ausentar-me de recursos poéticos e das minhas amadas reticências seria cometer suicídio literário... 

Sei que parti à plena emoção ao vê-lo no palco, escutar a voz limpa, instrumentos limpos, alma limpa... Faxina auditiva mais do que necessária!... Posso dizer que as letras, melodia, voz, tudo: uníssonos... Talento mais que notável e escutar algumas histórias foi uma delícia!
Embora não tenha habilidades, conhecimentos também limitados, sou uma apaixonada por música!... As primeiras notas já me arrepiam, encontro uma sensação de paz que só é possível por mais um modo, além da música: sensação de dever cumprido!... Isso que, afinal, é a paz que todos buscam, embora cada qual encontre a sua maneira para descrevê-la...

O espaço é bonito, tem pitadas de luxo, o que nada mudam minha reflexão, até mesmo porque sou professora e meus vislumbres amarram-se ao adjetivo paupérrimo... A única menção negativa a fazer é justamento o serviço nas mesas, o atendimento é excelente, mas após o início do show a circulação de garçons dificulta a visualização...Não sei se os culpados são os atendentes, o local que preocupa-se em lucrar ou simplesmente as pessoas que optam por consumir algo que não as marcarão tanto quanto a canção!...
A escolha do repertório foi excelente e a flauta de Madalena Salles, beleza rara!... 

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a música sem pretensão
eu quero que as buzinas toquem flauta doce
e que triunfe a força da imaginação...  (Trecho da música "Sem Mandamentos")

Ah, inclusive essa música, Sem Mandamentos, está ligada à infância de Oswaldo Montenegro. Segundo ele, quando criança era extremamente católico, mentiu à mãe que havia feito um dever de casa... Ao contar ao padre soube que era algo sem perdão, pecado capital... O pai, observando-o cabisbaixo o questionou e Oswaldo Montenegro acabou mencionando que iria para o inferno... A figura paterna, então, disse-lhe que era para ser feliz, que isso era o que Deus queria... A música é resultado da resposta dada pelo pai juntamente com novos pensares, poeticamente organizados... Hoje, o cantor afirma-se agnóstico, mas Madalena Salles mencionou que é também uma pessoa espiritualista, que discutem Spinoza, independentemente de qualquer rótulo... 

Claro, não posso deixar de mencionar que ele tocou "minha música"... Tenho vários momentos, nos últimos meses, como sabem ou deixei a entender, passei por mais um doloroso... E a música "Estrada Nova" é o mantra da vez!...



(Tentei fazer upload do celular, mas tenho problemas tecnológicos, rsrs... O vídeo é de 2013, do canal do próprio no Youtube - ao vivo, gravado, em CD, na internet, em carne e osso... o mesmo som!)


Boa semana!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Nossas Histórias - Oswaldo Montenegro

Oswaldo Montenegro produziu essa canção para uma websérie na qual Madalena Salles (sua parceira, flautista, há mais de 40 anos) relata fatos desses anos de parceria!...
Linda poesia, com votos de uma ótima semana!



Quando a sua história tira a minha para dançar
Como bailarina salta e gira sem cansar
Vence a gravidade e fica leve até voar
Vendo a gente toda a gente busca o seu par
Quando um coração se acalma e volta pro lugar
A esperança sonolenta acorda e vai brincar
Toda a melodia é um farol guia em alto mar
Quando uma canção consola alguém valeu cantar
Quando uma canção consola alguém valeu cantar

* Ansiosa para vê-lo dia 04/03 :D


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Não há vagas para ela...

Sinto dizer, mas ela não está apta!...
Sim, acabou, passou... era uma nuvem que só precisava chover!...

Ela foi bem empregada, mas o tempo expirou...
Precisa de atualizações!

Lamento, mas as vagas disponíveis exigem experiência...
Ela viveu sob uma única batida cardíaca!...

Precisamos de corações renovados...
O dela venceu!...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Você pode enfrentar a vida...

Imagem retirada do Google
Um de nós desfez o nó e sorriu...
... Quem escolhe levanta-se, tira o pó...
Quem fica com o laço, estagna os próprios passos...

Um de nós fica com as lembranças, larga as ânsias...
... Quem lembrou, sente-se pleno do amor que o rodou...
Quem que esquecer, questiona o amor, se teve...

Fiquei com a fita e com o nó na garganta, deixei as boas lembranças...
... Sou quem quer vê-lo feliz, ainda que custe minhas incertezas...
Sou a cicatriz e meu sentimento há de ser bom juiz...



Raiva ou mágoa?

Retirado do site: http://kdfrases.com/frase/159835



De raiva e mágoa fico com a segunda...
Não que queira ficar,
Mas é ousadia ignorar a presença de algo que foi plantado...
É presunção escolher quando somos apontados inerentemente...

A primeira não cabe em meu peito,
Longe de verbetes consagrados, assim defino raiva:
Ódio, aversão... Não cabe, já que foi o aparecer de outra versão...

Da mágoa, preciso vencê-la, já que é meu próprio veneno...
É apoiar-se em palavras que hoje ficaram vazias...
Uma decepção por inação, dor n'alma...

O pesar pesa mais que a própria...
As palavras são paredes que teimam em permanecer...
O amor matou a raiva e as promessas sopraram a mágoa...
Que voe longe... que me deixe livre...

domingo, 25 de setembro de 2016

Há de valer sem pena...



Os sentimento verdadeiros perenes, peregrinam...
As veias sambamrodeiam sob a pele
- Mas são um livro aberto nos gestos!...

As lágrimas que corriam
(hoje apertam o passo),
A bronquite inesperada
(esperada pelo cigarro e bolor),
A falta de ar... consequências de boa amizade:
Mas péssimo amor!...

Os cuidados médicos necessários,
que pouco a pouco hão de abrir espaço:
à cura íntima, já que a alma é maior que as inconsequências...
Sou de baixa estatura, mas ocupo espaços que nem sempre podem oferecer!...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Letramente

Estou com Letramento!
- Não tem mais cura!...
Não sei ler e escrever sem ter o que dizer...

A mente, totalmente lenta...
... Faz-me lentamente comer letras,
Para cuspir versos e respingar sufixos... então, desconverso...

Estou fixando as palavras,
Depois apago-as...
E refaço... pré-fixo... mando-as ao espaço!...

E a caligrafia normalmente é boa!...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Do cansaço...

As palavras não disfarçam,
já esparsas,
nada dizem...
... apenas dormem!...
O cansaço carrega linhas
e as linhas se encarregam do sono!...
Boa noite a tarde -
- Sinal de que já é tarde para dizer!...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Da chuva que inspira...

Ahhhhhh... Aqui em São Paulo está um dia que pede filme e edredon!... 
Aproveitando o tema... Vejam que linda homenagem:


... Da artesã, musicista, costureira, cantora, talentosa, atenciosa etc (rs)... Beth Aquino.
E tem uma lojinha *-* : http://www.elo7.com.br/bebeth

sábado, 2 de junho de 2012

Sobre o cuspe no palco...

(Imagem retirada do Google)

Chame como quiser: líquido segregado;
ou segredo não-mais-guardado.
Saliva, ou a língua que alivia.
Troca-se a consoante inicial...

Só não troque o ato:
Cuspi no palco!...

Não cuspo para cima,
Não escarro meias verdades
- Ou mentiras interrompidas...
Cuspo na farsa deste espetáculo:
O palco levado à vida!...