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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Eu tigre, ele touro

Imagem retirada de: Depositphotos





Nunca uma dor despertou tanta beleza,
Favorecendo ousadias, algum agouro
Que leva poeiras e traz ouro,
E que pertence a minha natureza.

Quem ontem grita, hoje fraqueja
Em peito quente d’um touro,
Que leva certezas e traz choro,
E que mantém a chama acesa.

Por que amor assim tanto me guia?
Ó luz de dias contados e findos!
Ditoso é quem faz do escuro teu dia!

Na madrugada escuta-se algum rugido,
E meus olhos de tigre em covardia
Olham o teto a ler versos restritos.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Aroma amoroso

(foto do meu acervo)

Sinto um novo aroma,
N'alma atinge o perfume
Que no Coliseu, em Roma,
Digladiam antigos costumes...

Pele odorífera que me atordoa
E meu pensamento conflitante:
Desconhece o novo pulsar,
A presença d'um amor militante...

As narinas vibram, viciadas,
Só querem mais uma dose.
As tremedeiras evidenciadas,
Quente suor em mim escorre...

Desfaço-me em pétalas,
Enquanto o cheiro permanece,
Correndo por entre as frestas,
Em meus dedos, não fenece...

Sinto um novo aroma,
A cobrir-me de êxtase,
A escrever axioma,
A beijar com ênfase...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Um pouco sobre platonismo...

Não, não discorrerei sobre a filosofia tratada por Platão... O fato é que tenho duelado com minhas próprias questões. Carrego uma mistura de filosofia e poesia muito pessoais para conseguir argumentar sobre transcendência de ideias do plano da matéria... 
Sou uma matéria que não se aprende em livros... Ah, não era isso?
É provável que as afeições contemplativas sejam possíveis de explicações pelo viés psicológico, inclusive. A situação é que em meu universo não encontro as respostas que gostaria, quando (ou quanto?) ao menos não sei as perguntas...
Sou idealizada e idealizo, quase uma constante. Tenho uma frequência cardíaca que costuma parar - morre-se por segundos... Em minha essência sou amor, sim, o amor também uma questão digna de nota aos filósofos... Mas o amor me tem sido tão complexo, tão singular, deixaria qualquer ser mais racional em estado de perplexidade (ou não?). Isso para esboçar que, se em essência sou amor, em ausência sou confusão... E essa bagunça arrumo sozinha, não há sublimação: caminho sobre sentimentos e alguns descubro serem navalhas!... Sangro e isso é ser comum - finda qualquer idealização...
Eu transpiro poesia, não porque trabalho a palavra... Eu a engulo e, quando não a cuspo, transpiro incessantemente... Por isso, não poderia receber o amor que mencionei antes... Esperava, como de fato o é, a idealização, ser o mote poético de alguém... Sou coberta por perfumes raros, depois preciso seguir quase seca... E o que vem depois? Uma chuva a molhar-me, e eu gosto!...
Quando prevejo, estou forte? Errado. Admiro a possibilidade de me permitir estar enganada, ser tocada e tocar... A frustração prevista vem com um bonito laço de cetim, pede-se para ser desfeita, vou adiando o desembrulhar... Então, desembrulho e eu mesma também me desembrulho!... Fico menos poesia, embora a essência esteja ali, fico um pedaço, um pedaço de carvão em brasa que pede por um abraço, mas queima... Meu presente é inevitável... Sim, mais um platonismo!...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Curta o curto LXVIII

Eu vi alegrias em telas...
Elos que iam, enquanto eu vinha...
A falta de necessidade (sua) e o (meu) excesso de amor me obrigam a desligar(me)...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Sobre o acaso...

Recebi de uma amiga, durante essa semana, um link de um texto que citava três tipos de pessoas que encontramos na vida: presente, lição e teste. Resumidamente, falava que:
1 -  a "pessoa presente" é aquela que amamos, que nos traz coisas boas;
2 - a "pessoa lição" é aquela que nos ensina, com quem aprendemos e evoluímos, seja pela dor ou amor;
3 - a "pessoa teste" é o desafio, a pessoa que bagunça nossa vida para encontrarmos a nós mesmos.

E tudo isso para dizer que cada encontro que temos em nossa vida tem um propósito!... Eu acredito nisso, que nada é por acaso, tudo acrescenta e nos ensina...
Embora eu possa ter pensado encontrar apenas relacionamentos testes, posso dizer que, apesar da mágoa (probleminha difícil e que preciso superar), sinto que já fui premiada com uma pessoa presente e lição (após passar por uma pessoa teste)...

Não estou mais nesse relacionamento, mas aprendi tanto, amei tanto... Ganhei um "melhor amigo", ouvidos pacientes e um companheiro de aventuras inesquecível!... Penso que, provavelmente, fui apenas o teste, ou a lição... Porque não sentimos o que o outro sente, sei que dei o melhor de mim, mas o nosso melhor nem sempre é o que o outro espera... De repente, o outro precisava apenas do teste, para conseguir seguir com seus planos que não envolvessem ninguém.

Não, não fico feliz em ser quem bagunça e já não me culpo mais... Fui uma pessoa inteira que quis uma pessoa inteira, mas o papel que desempenhamos na vida do outro ganha pontos de vistas pessoais... Espero, ao menos, ter sido em algum momento presente e ter deixado lições...

Quem sabe agora venha apenas o presente... Pelo menos temos de viver o presente e ter a certeza de que há um propósito que nem sempre compreendemos no momento...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sobre algumas cartas...



Sempre escutei/li poemas de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), prendendo-me aos versos: "Todas as cartas de amor são ridículas"... Bom, não consigo parar de pensar nos múltiplos significados depreendidos...

Depois, pós-muitascoisas-chaticesdiárias, fiquei relendo algumas cartas... Puxa! Engraçado como soam vazias depois de um tempo... soam ridículas, promessas que se desfizeram na primeira crise!... O poema soa uma profecia que se perpetua...
E mais engraçado ainda deve ser a compreensão da relevância delas por parte da geração e-mail, WhatsApp, Facebook... (Sim, ainda as escrevo...)

Sou uma ridícula nata, tenho talento para tal, inclusive valorizo as cartas ridículas alheias... Poderia, talvez, inscrever-me em uma nova vaga de emprego: crítica de cartas de amor... Certamente aprovaria todas!... Cada sentimento é único, marcado por um presente que perdura em letras, mas não necessariamente em sentires... É preciso respeito...

Citações de poetas, músicas, filmes, vale tudo na hora de escrever cartas de amor... Mas o ideal seria lê-las e jogá-las ao vento... Afinal, letras imortalizam-se e ações nem sempre condizem com escritas... Quantas vezes prometemos algo e não cumprimos? E, pior, quantas vezes escrevemos algo e não cumprimos? Isso é uma faca cortante que algum equilibrista-destinatário irá atravessar...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Você pode enfrentar a vida...

Imagem retirada do Google
Um de nós desfez o nó e sorriu...
... Quem escolhe levanta-se, tira o pó...
Quem fica com o laço, estagna os próprios passos...

Um de nós fica com as lembranças, larga as ânsias...
... Quem lembrou, sente-se pleno do amor que o rodou...
Quem que esquecer, questiona o amor, se teve...

Fiquei com a fita e com o nó na garganta, deixei as boas lembranças...
... Sou quem quer vê-lo feliz, ainda que custe minhas incertezas...
Sou a cicatriz e meu sentimento há de ser bom juiz...



terça-feira, 18 de março de 2014

Desculpe-me, eu amo demais...

Sim, lamento...

Fragmentos do texto de Fabrício Carpinejar – “ELE VEIO DE CARRUAGEM, ELA ESPERAVA UMA CARRETA DE BOIS”
– Por que vocês se separaram?
– Ela explicou que eu amava demais.
– Amor demais? Tá de sacanagem? Aprontou alguma?
– Não, amei demais.
– Ninguém se separa por amor demais.
– Sim, ela se separou de mim por este motivo.
– Traição, ciúme, ressentimento são as causas mais comuns.
– Não, havia química poderosa. A gente ria muito. Os amigos enxergavam nosso contentamento. Admiravam nossa felicidade.
– Ria?
– Sim, de gargalhar, de doer de gargalhar. Bebíamos de noite conversando bobagem.
– Não faz sentido. Explica?
– Era muita surpresa para uma rotina. Casal perfeito, sabe?
– Sem filosofia, ela alegou o quê?
– Que era muito amor para uma mulher só, que ela não era o que eu idealizava.
– Você falou isso?
– Não, pelo contrário, eu falei que ela era muito melhor do que eu idealizava.
– Toda mulher deseja alguém por perto, romântico, com olhos somente para ela, não?
– Ela não gostava. Chamava de carência. Insistia para me controlar, amarrar as mãos, amordaçar a boca, não ficar em cima, dar espaço.
– Não tem cabimento... Tá brincando?
– Tem, sim. Amor demais. Eu lavava a louça antes dela acordar, eu a levava para o trabalho, eu estava à disposição de seus chamados.
– Ela ainda reclamava?
– Sim. Amor demais. Reclamava que não aguentava tanta pressão, que não conseguia respirar.
– Pressão de quê?
– Do meu amor demais.
– O que você pensava da situação?
– Nada. Estava feliz amando demais. Escrevia cartas e bilhetes, fazia declarações públicas, mandava flores, banquei serenata na janela, coloquei outdoor.
– Nossa, que estranho!
– Não é estranho, ela reclamava do amor demais. Ela se separou pelo amor demais. É muita expectativa.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Curta o curto XLII

O beijo aspira a alma alheia...
... E expele sorrisinhos brejeiros.
E eu inspiro por um beijo...
Para expirar flechas de Eros!...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Curta o curto XXXVII

Ele estende as mãos, braços e sorrisos...
Ele ama, acalma, escuta todo mundo...
TODO MUNDO... o mundo todo... o tempo todo...
O todo do mundo cabe em seu peito...
Mas custava, para variar, eu não me sentir TODO MUNDO -
- Ser só, mas não SÓ... seu mundo!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Curta o curto XXXVI

Quando "nós" estamos... unificamos!...
Quando é meu tempo... você não está;
Quando é seu o tempo... estou sem estar!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Curta o curto XXXIV

... Às vezes finjo que não consigo abrir o vidro:
Só para vê-lo sorrir...
... E ambos com a sensação de dever cumprido!...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Curta o curto XXXIII

Se eu não o vejo...
... Cego-me e o resto:
É monocromático diante do caleidoscópio do estar lado a lado...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Curta o curto XXXI

Day after day é regador,
Já que amor é jardim...
Flor não é adorno de janela...
Tampouco fica [em] solitário à mesa...

sábado, 9 de julho de 2011

Curta o curto XXVII

Saudade é removedor
 - a es[correr] pelo meu coração de tinta!



Para S.F.C.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Carta sem você

(Legenda na foto de Caio Fernando Abreu:"Uma alegria interna quase como uma primavera"- Foto de Flaviele Leite)

E a espera de cinco minutos é a eternidade aos meus sentidos...
Nariz a não-respirar nicotina;
Mãos, braços, pés... polvo inútil;
Língua sem papilas;
Ouvidos sem canção...
E os cinco minutos não são nada sem ele...
Mas esperei a vida inteira, por que não esperar cinco minutos?
Porque o Agora é rápido... Talvez não seja trans[lúcida] o suficiente...
Talvez o querer sempre, não é um dos quereres dele...
Guerra! Porque a paz apenas encontro no peito do meu amado...


(Escutando: SEM VOCÊ, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não se esqueça do amor...

(Apaixonada pelas fotos de Flaviele Leite)

INSPIRADA PELA IMAGEM... SAIRAM AS SINGELEZAS ABAIXO:

Desejo que leia[me];
O despercebido seja o pasmar;
O óbvio soe surpreendentemente aos olhos!...
O despertar de mais e mais...
Lida... seja amada!
Longe do clichê... perto de explodir: [e] eu amo!
O efêmero de dividir as batatas... o travesseiro:
- É a eternidade aos meus olhos! 


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"Coisa rara e bonita é a gente poder se comunicar por meio da alma, sem que palavra alguma necessariamente aconteça."

(Ana Jácomo)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Curta o curto XX

Parte I:
Ele disse: - Preencho meu vazio com a fumaça do cigarro!...
Eu digo: -Preencho o meu vazio com excesso de amor!...


Parte II:
Eu disse: - Fumo sentimentos que preenchem-me!...
Ele diz: - Você é a base de todos os planos que temporariamente preencho com fumaça!...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Eu ganhei uma gaveta...

(Imagem do Google)

Tenho vaga no armário dele!...
Escova de dentes;
Vazio cheio de quinquilharias que pulsam no guarda-roupa...
Um roupão!...
Maçaneta que gesticula, convite para que fique...
Adeus ônibus!...
Gaveta; dentes a sorrir; miudezas a pulsar; toalha que acaricia...
[Se isso não for amor...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O não-dizer aritmético


Números, cálculos, hipotenusas que não vivo;
Sei que meu oposto quero ao meu lado!...
Não calculei... e as palavras dançaram além papel;
Não respiradas - multiplicadas sequencialmente!...
Desconheço operações, calcular medidas;
Arrependo-me do ímpeto não ser maior do que sinto!...
Sou escrava de letras nem sempre crescentes;
Faço-me denominador incomum!...