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quinta-feira, 23 de março de 2017

Blues do despe-aço

Ele furou meu peito com olhares,
Cílios que encontram águas alheias
E fez-me buscar novos ares,
Blues que em minh'alma permeias...

Se nas entranhas sejam ferro,
A mente é punhal de bronze das sereias
E ao tomar novo fôlego, um berro
- Luz explode aos ouvidos como candeias...

A canção é tudo o que me resta,
Embora a noite tenha a luz lunar,
Nem tudo em que é escuro terá festa.
Preparo-me para quando a última nota soar...

Agora, aço na faca, peito com oco
Ele caminha semisereno, semipartido
E eu completamente de olhar fosco
Canto para não sentir que algo em mim tenha morrido!...