Dança 1
Eu, que mal dançava sozinha,
Aprendia que a espera
Taria outros braços.
Foram dois - e seus pares.
O primeiro mentiu,
Inspirou-se,
Foi-se.
O segundo a ouviu,
Inspirou-se,
Foi-se.
Reflexos platônicos,
Mentiras azuis que sugaram
As histórias que precisavam
Para a criação de novos passos.
Depois do livro pronto,
Derrubaram-me do palco.
Dança 2
Em outro ritmo,
Ela perdeu o ato,
Ele perdeu o átrio,
Quando viu seu ânimo.
Entre vergonhas,
Entre planos,
Nenhuma fronha
Escondia os danos.
Ele gritou e culpou,
Eu decidi esperar,
Flor sem pétalas - grito
Já não mais quero dançar.
Dança 3
Novos passos - e muitos
Suor na medida - e quentes
Passos claros - e noite escura
Muito quentes, escura noite...
O par dorme - e some
Não tem hora - e ruma
Chega o carro - e parte
Some, ruma e a parte.
Dança 4
Pareciam em sintonia...
Dançavam sob olhares,
Sobre o cheiro da comida
Que era um alimentar da alma.
O outro não mais (a)parecia...
Dançava em outro estado,
Pós apocalipse no peito,
Já almejava outra canção.
Eu queria retornar...
O cheiro dele era paz,
Eu era guerra, era quebra,
Era a verdade que ninguém queria.
Poemas, críticas, resenhas, abuso de reticências, desabafos e versolivrismo e livreversismo...empadinhas com um único palmito... Ideias sufocadas...
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
quarta-feira, 24 de maio de 2017
O voo da coruja
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| Foto pessoal da minha coleção (e amor) de/por corujas |
Ela voou, voou...
Para lá que eu vou?
Não, não sabe-se onde pousará agora...
Clarividente da noite,
a lua como guardiã defronte,
ondas a cintilar o breu lá fora...
Tente não segui-la, não ouvi-la voar...
O canto é dor, desamor no chirriar!...
Talvez os us e us são monossílabas d'outrora...
Regressará à Atena, volta em inspiração,
dorme satisfeita, presa na própria audição...
É preciso deixá-la ir embora.
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