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terça-feira, 7 de março de 2017

Resenha - Show "Nossas Histórias" (Oswaldo Montenegro)

Quaisquer palavras que venha escolher para a concretização dessa resenha ainda serão pequenas... O sentimento ampliou-se após assistir ao show no dia 04/05, em São Paulo (Espaço Tom Brasil)...
Certamente não conseguirei escrever uma resenha crítica padrão, ausentar-me de recursos poéticos e das minhas amadas reticências seria cometer suicídio literário... 

Sei que parti à plena emoção ao vê-lo no palco, escutar a voz limpa, instrumentos limpos, alma limpa... Faxina auditiva mais do que necessária!... Posso dizer que as letras, melodia, voz, tudo: uníssonos... Talento mais que notável e escutar algumas histórias foi uma delícia!
Embora não tenha habilidades, conhecimentos também limitados, sou uma apaixonada por música!... As primeiras notas já me arrepiam, encontro uma sensação de paz que só é possível por mais um modo, além da música: sensação de dever cumprido!... Isso que, afinal, é a paz que todos buscam, embora cada qual encontre a sua maneira para descrevê-la...

O espaço é bonito, tem pitadas de luxo, o que nada mudam minha reflexão, até mesmo porque sou professora e meus vislumbres amarram-se ao adjetivo paupérrimo... A única menção negativa a fazer é justamento o serviço nas mesas, o atendimento é excelente, mas após o início do show a circulação de garçons dificulta a visualização...Não sei se os culpados são os atendentes, o local que preocupa-se em lucrar ou simplesmente as pessoas que optam por consumir algo que não as marcarão tanto quanto a canção!...
A escolha do repertório foi excelente e a flauta de Madalena Salles, beleza rara!... 

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a música sem pretensão
eu quero que as buzinas toquem flauta doce
e que triunfe a força da imaginação...  (Trecho da música "Sem Mandamentos")

Ah, inclusive essa música, Sem Mandamentos, está ligada à infância de Oswaldo Montenegro. Segundo ele, quando criança era extremamente católico, mentiu à mãe que havia feito um dever de casa... Ao contar ao padre soube que era algo sem perdão, pecado capital... O pai, observando-o cabisbaixo o questionou e Oswaldo Montenegro acabou mencionando que iria para o inferno... A figura paterna, então, disse-lhe que era para ser feliz, que isso era o que Deus queria... A música é resultado da resposta dada pelo pai juntamente com novos pensares, poeticamente organizados... Hoje, o cantor afirma-se agnóstico, mas Madalena Salles mencionou que é também uma pessoa espiritualista, que discutem Spinoza, independentemente de qualquer rótulo... 

Claro, não posso deixar de mencionar que ele tocou "minha música"... Tenho vários momentos, nos últimos meses, como sabem ou deixei a entender, passei por mais um doloroso... E a música "Estrada Nova" é o mantra da vez!...



(Tentei fazer upload do celular, mas tenho problemas tecnológicos, rsrs... O vídeo é de 2013, do canal do próprio no Youtube - ao vivo, gravado, em CD, na internet, em carne e osso... o mesmo som!)


Boa semana!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Era no tempo do rei!...

Leonardinho – filho de um beliscão e de uma pisadela!
Cada personagem com seu nome-valor, nome-função,
E Meirinho... será esta uma nobre profissão?!
Um sargento e suas memórias... relembranças sem cautela!...
Hortaliça que sente saudades da origem,
Está mais para chuchu!... ou quem sabe... Engano...
Mãe, esposa e quitandeira do ano!...
Deixa Pataca irado e este chuta-lhe a malandragem!...
O livro é livre, o livre é leve e breve,
Tem humor, ironia e simpático cinismo,
Linguagem direta, sem perder retratos do provincianismo...
Manuel Antônio de Almeida é quem escreve!...

NADINE GRANAD 

*Resenha poética para o livro que deixei no metrô. Mais informações: aqui.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Resenha: Um Artista da Fome - Franz Kafka

(Imagem retirada do Google)




 Enquanto meio de expressão e operação construtiva, o conto “Um Artista da Fome” é o indicado hoje. Franz Kafka soube, brilhantemente, trabalhar com imagens assumidas e recodificadas pelo discurso, originando um conjunto de elementos de apreensão muitas vezes difícil, dada a complexidade presente em sua obra.
Quando Franz Kafka expõe um jejuador profissional “trabalhando” e sendo admirado por algumas crianças:
“Maravilhando-se ante o homem pálido, de costelas salientes, que vestia justas calças negras e não tinha sequer uma cadeira, sentando-se na palha espalhada no chão (...) estendendo de vez (em quando) o braço através das grades, para que verificassem como estava magro” (KAFKA, 2007, p.3).
 Deparamos-nos, neste trecho, com a descrição do estado físico em que se encontrava o jejuador, atendo-se ao uso de expressões adjetivadas: “homem pálido”, “costelas salientes”, “justas calças negras”, para exprimir e destacar a situação do mesmo, assim como a ideia de condição inferior, buscada por si próprio. 
Kafka propõe até mesmo a desumanização do que, em uma visão exterior, seria humano, tanto é que coloca o jejuador em uma situação inferior, e porque não, animalesca, por ser portador de uma significação maior. 
O ABSURDO na obra de Kafka ganha dimensões sensoriais e emocionais...
Recomendo!

Nadine Granad.

sábado, 18 de abril de 2009

Notícia da notícia... Manuco


"João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia

[num barracão sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado."

(Manuel Bandeira. In "Libertinagem")


É... Manuel Bandeira fez uso da linguagem jornalística.. e de maneira brilhante poetizou...

Hibridismos mil: o prosaismo da não-ficção que está imbricado no material jornalístico... a prosa oriunda deste... a musicalidade dos verbos sequenciais... e a poesia... principalmente por conta do leitor...



Manuco era poeta e morava no Recife

[descobre seu pneumotórax e vai para o Rio de Janeiro.

Numa manhã libertina ele escreve o que

Viveu

Cantou

Morreu

Depois se transformou numa estrela... da vida inteira