quarta-feira, 24 de maio de 2017

O voo da coruja

Foto pessoal da minha coleção (e amor) de/por corujas

Ela voou, voou...
Para lá que eu vou?
Não, não sabe-se onde pousará agora...

Clarividente da noite,
a lua como guardiã defronte,
ondas a cintilar o breu lá fora...

Tente não segui-la, não ouvi-la voar...
O canto é dor, desamor no chirriar!...
Talvez os us e us são monossílabas d'outrora...

Regressará à Atena, volta em inspiração,
dorme satisfeita, presa na própria audição...
É preciso deixá-la ir embora.

sábado, 20 de maio de 2017

Coffee Break XVIII

Entre um gole e outro de cappuccino,
- Sem café puro para mim -
A chuva lá fora era menor que a dentro,
Goteiras doces, desabamentos inevitáveis...
Capisce?

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ele e a máquina de escrever

(Imagem retirada do acervo: Getty Images)


São poucas teclas,
Não, poucas sílabas...
Há um medo intermitente,
Há uma febre que oscila...

Em seus dedos há um peso,
Sobretudo, anula...
Não há como apagar tudo,
A máquina desdenha...

O que tecla é leve,
Mas as teclas pesam...
Sente dores, palpitações,
Tictic, tictic, tictic, plim...

Lido: se futuro presente,
Enquanto martela, flutua...
O papel acaba, sílabas também,
Precisa de ar, sai sem a máquina...

O cilindro gira, nova folha,
A ausência não impede...
Alavanca de entrelinha,
Folha voa, ganha vida...




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Curta o curto LXIX

A dança nova é um renovar,
Há refletores,
Poucos atores,
Saltos que descalçam...
Alivio aos calos e ao ar!...
E a música?
Canções infindáveis...
- nunca chega a última...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Um pouco sobre platonismo...

Não, não discorrerei sobre a filosofia tratada por Platão... O fato é que tenho duelado com minhas próprias questões. Carrego uma mistura de filosofia e poesia muito pessoais para conseguir argumentar sobre transcendência de ideias do plano da matéria... 
Sou uma matéria que não se aprende em livros... Ah, não era isso?
É provável que as afeições contemplativas sejam possíveis de explicações pelo viés psicológico, inclusive. A situação é que em meu universo não encontro as respostas que gostaria, quando (ou quanto?) ao menos não sei as perguntas...
Sou idealizada e idealizo, quase uma constante. Tenho uma frequência cardíaca que costuma parar - morre-se por segundos... Em minha essência sou amor, sim, o amor também uma questão digna de nota aos filósofos... Mas o amor me tem sido tão complexo, tão singular, deixaria qualquer ser mais racional em estado de perplexidade (ou não?). Isso para esboçar que, se em essência sou amor, em ausência sou confusão... E essa bagunça arrumo sozinha, não há sublimação: caminho sobre sentimentos e alguns descubro serem navalhas!... Sangro e isso é ser comum - finda qualquer idealização...
Eu transpiro poesia, não porque trabalho a palavra... Eu a engulo e, quando não a cuspo, transpiro incessantemente... Por isso, não poderia receber o amor que mencionei antes... Esperava, como de fato o é, a idealização, ser o mote poético de alguém... Sou coberta por perfumes raros, depois preciso seguir quase seca... E o que vem depois? Uma chuva a molhar-me, e eu gosto!...
Quando prevejo, estou forte? Errado. Admiro a possibilidade de me permitir estar enganada, ser tocada e tocar... A frustração prevista vem com um bonito laço de cetim, pede-se para ser desfeita, vou adiando o desembrulhar... Então, desembrulho e eu mesma também me desembrulho!... Fico menos poesia, embora a essência esteja ali, fico um pedaço, um pedaço de carvão em brasa que pede por um abraço, mas queima... Meu presente é inevitável... Sim, mais um platonismo!...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Miragens na cidade

Os prédios que outrora estavam,
As casas que abrigavam,
As terras que deslizavam.
(Geram consequências...)

Estar já era menos presença,
Abrigo já era quase doença,
Deslize já era qualquer desavença...
(Vê-se o que não quer...)

Presença, quase um mal-me-quer,
Doença, quase origina novo flâneur,
Desavenças, quase lágrimas quaisquer...
(Mata-se pela ausência de reciprocidade...)

- Miragens na cidade?

Curta o curto LXVIII

Eu vi alegrias em telas...
Elos que iam, enquanto eu vinha...
A falta de necessidade (sua) e o (meu) excesso de amor me obrigam a desligar(me)...

domingo, 30 de abril de 2017

Meu coração de pedra, clichê da vida real...

Foto próxima a uma cachoeira no Paraná (meu clique)




Eu e a mania de amar inteira,
As metades sempre me cansam...
Pode-se dizer: "que asneira",
Mas versos não mais balançam...

Sorriu, sorri... Voou, voei...
Descobri que voava no penhasco,
Sozinha, depois perdoei...
Hoje, virou mais um asco...

A pedra cá dentro não bate,
Soca e martela os pensamentos...
Se às vezes canto, Ela rebate,
Prefere tijolos a fragmentos...

Tenho digerido juras de amor,
Embriagado-me com afeto...
A pedra tanto bate a dor,
Que fura o meu teto!...


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Coffee Break XVII

... Um pedaço do coração foi servido com chá
 - Não, não tinha café!...
Tinha muita espera e uma vontade de ir...
Para onde?
Onde o café era sempre quentinho,
O abraço longo,
As palavras breves...
Então, devorou-se grande fatia,
mas na garganta um naco -
Cof(fee), cof(fee), o para sempre é um minuto que vale a pena!...

terça-feira, 25 de abril de 2017

Crise dos 30 - Parte II (fim da saga)

O trem mais parecia um avião...
Em poucas horas chegou.
E eu, e eu é quem fui sem esperar!...

Meu refrão gastou,
Virou marchinha e marchando foi
- Bateu na contramão de uma esquina qualquer!

Chegaram, chegaram trintas dias no mês,
Mais parecem pássaros canoros em gaiolas...
E o canto? O canto não sai...

Oh, drama de três décadas!
Oh, espetáculo de meia hora!
Oh, triplo X romano!

Não há aplausos,
Sonhos vaiam em dissílabas...
Ecos infinitos de "inta"... "inta"..."inta"...



OBS: Em 2013 já estava em crise (haha), cheguei a  desabafar sobre: https://nadinegranad.blogspot.com.br/2013/01/crise-dos-30.html#comment-form . Agora os '20 e dez' chegaram!... Como diriam os Novos baianos: "Acabou o chorare"...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Germanices equatoriais

 Para O Equador das Coisas

Entre sombras e mares,
Avante, adiante,
Tão somente seguir...
Toma-nos ares...
O velejar, tal constante
 - Em dez anos a sorrir...

Não há como dizer,
Aquilo que não tem razão...
Todas as cores beijam em tom de azul,
Palavras que dançam em solidão
 - E ganham a amplidão do verbete nu...

As distâncias dos polos inexistem,
No peito do poeta o magnetismo é um...
A poesia é perpendicular,
Certeira ao lugar-incomum...

Entre estorvos e (re)começos,
Da inação à Comunicação,
Agracia-nos com essências...
Uma a uma que abraçam e pingam... coram ação...



* Poema em homenagem aos dez anos do blog "O Equador das Coisas" - o presente ganhamos a cada postagem!...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Curta o curto LXVII

Ele mandava flores virtuais e ganhava batidas de um coração real...
Mas a rosa secava pouco a pouco, enquanto a distância crescia...
- A chuva necessária era de outro céu!...