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domingo, 9 de julho de 2017

Ele parou o carro ao lado do monstro...

E encontrando monstro horrendo,
fostes logo perguntando:
- O que há de matar primeiro,
a saudade ou seu assombro exitando?
Criatura tenebrosa, mal sussurra a resposta:
"Saudade não mata, apenas aparta a briga,
razão e sentimento. Faço, então, uma proposta,
o que teu peito abriga? Sobrevive se decifras..."
Não sabias o que responder, nem ser
o que deveria ser o que em si carregava.
Negavas e queria ao desumano maldizer,
adiava o inevitável que aos seus olhos fumegava...
Assobiava canção repleta de dignidade,
o monstro o encarou de alto a baixo
decidiu largá-lo a sua própria sorte,
já que a saudade era seu pior fracasso.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Uma hora de batalha íntima

Imagem retirada do acervo Getty Images.

Embora meu inimigo não vencesse,
Deixou antes a prévia derrota,
Que na vitória eu me perdesse
E na perda, a esperança remota.
Não consenti uma morte há tempos,
Fiz do amor espada inquieta,
Hoje agonizo, além tormentos,
O toque já não é mais extrema meta.

Então deito em áureo leito,
Onde pensamentos incertos são,
Reavendo estranhos conceitos,
A vitória fulgura só na imaginação.
Estas duras vontades, adversárias
De inquietações, por si mostravam
Que, desde o início haviam várias,
E não partiam quem as alimentavam.

Então derrubo, lança e espada,
Concluo que quem vence, antes sua
E até mesmo ao passar estacada,
Já estava em uma morte crua.
Luto comigo, socorrer-me não queria
Por não causar bem, sei bem que erro
Do coração dado arrependia,
Minhas dores combatia a fogo e ferro!...