Dança 1
Eu, que mal dançava sozinha,
Aprendia que a espera
Taria outros braços.
Foram dois - e seus pares.
O primeiro mentiu,
Inspirou-se,
Foi-se.
O segundo a ouviu,
Inspirou-se,
Foi-se.
Reflexos platônicos,
Mentiras azuis que sugaram
As histórias que precisavam
Para a criação de novos passos.
Depois do livro pronto,
Derrubaram-me do palco.
Dança 2
Em outro ritmo,
Ela perdeu o ato,
Ele perdeu o átrio,
Quando viu seu ânimo.
Entre vergonhas,
Entre planos,
Nenhuma fronha
Escondia os danos.
Ele gritou e culpou,
Eu decidi esperar,
Flor sem pétalas - grito
Já não mais quero dançar.
Dança 3
Novos passos - e muitos
Suor na medida - e quentes
Passos claros - e noite escura
Muito quentes, escura noite...
O par dorme - e some
Não tem hora - e ruma
Chega o carro - e parte
Some, ruma e a parte.
Dança 4
Pareciam em sintonia...
Dançavam sob olhares,
Sobre o cheiro da comida
Que era um alimentar da alma.
O outro não mais (a)parecia...
Dançava em outro estado,
Pós apocalipse no peito,
Já almejava outra canção.
Eu queria retornar...
O cheiro dele era paz,
Eu era guerra, era quebra,
Era a verdade que ninguém queria.
Poemas, críticas, resenhas, abuso de reticências, desabafos e versolivrismo e livreversismo...empadinhas com um único palmito... Ideias sufocadas...
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
domingo, 6 de agosto de 2017
Coffee Break XX
Ah, sem café hoje,
vamos de chimarrão,
cuia,
erva,
aroma... tua fúria,
minha vinda...
vamos de chimarrão,
cuia,
erva,
aroma... tua fúria,
minha vinda...
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Perguntas e respostas, ou sobre a dialética da teima
Perguntou se havia amor nas asas,
Sorrindo torto e com olhar reto.
Respondi com olhar torto e sorriso reto
Que as asas estavam em meu amor.
Alcancei algumas estrelas d'um céu,
Sem endereço, sem retorno.
Enquanto ficou na rua de pedras,
Com nomes, com duas vias.
Gritou por mim em seu infinito,
Respondi que não voltava ao fim.
Chorei por decolar sem ar,
Riu por ficar e respirar.
Para escutar:
Sorrindo torto e com olhar reto.
Respondi com olhar torto e sorriso reto
Que as asas estavam em meu amor.
Alcancei algumas estrelas d'um céu,
Sem endereço, sem retorno.
Enquanto ficou na rua de pedras,
Com nomes, com duas vias.
Gritou por mim em seu infinito,
Respondi que não voltava ao fim.
Chorei por decolar sem ar,
Riu por ficar e respirar.
Para escutar:
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
A SEPARAÇÃO DEVERIA SER UMA CONSTRUÇÃO A DOIS - POR FABRÍCIO CARPINEJAR
Se a paixão é uma invenção a dois, com troca de projetos e planos, a separação não pode continuar sendo uma decisão unilateral.
Não pode seguir como uma intervenção egoísta. O que costuma ocorrer é um desabafo desinteressado: "Não quero mais, e que cada um siga seu caminho".
Toda uma história em comum é jogada fora.
Quem começou a brincadeira deve ter a coragem de terminá-la, e não sair no meio porque acabou a vontade.
O fim também precisa ser uma construção do casal, e não somente para casais com filhos.
É essencial sentar frente a frente e entender o que aconteceu de errado, avaliar as crises e rupturas, descobrir onde a lealdade desanimou, onde o remorso se agigantou.
Ser um casal também na despedida, partilhando as lembranças e a autoria dos problemas.
Talvez venha a nascer, da compreensão, a amizade e, quem sabe, o renascimento da atração.
Reunir-se com calma e carinho para expor o que não funcionou, e para experimentar um luto menos sofrido, com a distribuição dos lugares a frequentar e modos de interagir.
Sou favorável a uma última viagem do par que está se afastando. O contrário de uma lua de mel.
Ao definir o término, os dois tirariam uma semana de folga para ficar uma semana relaxando e dormindo no mesmo quarto, trancado num resort.
Assim como existem cursos de treinamento profissional em hotel, fariam um destreinamento sentimental, destinados a resolver as diferenças e não respingar ódio e raiva entre os amigos e conhecidos.
A dupla atravessaria uma imersão amorosa forçada, férias de ruptura, para passar a limpo o relacionamento. De preferência num lugar bem bonito, uma ilha paradisíaca, em que os hóspedes são enamorados e dispostos.
Não haverá melhor teste de resistência. Ambos vão tirar uma febre se realmente desejam permanecer longe, ou se era somente uma fase triste de cansaço e estresse, o que chamo de blecaute de personalidade.
Com outros casais por perto, estarão sujeitos ao extremo dos sentimentos, vulneráveis à nostalgia, à inveja e à angústia.
Haverá ainda crises de ciúmes em caso de amor sincero (Onde esteve? com quem estava conversando?) ou de indiferença na hipótese de rompimento verdadeiro.
Será que suportariam café na cama e jantar à luz de velas? Será que resistiriam a uma praia ensolarada? Será que sobreviveriam a uma rodada de drinques coloridos e afrodisíacos? Será que não cederiam às tentações da recaída em ambiente romântico?
Pois, quem quer se afastar, não dará a mínima ao luxo e ao conforto, estragará qualquer cenário com sua implicância.
Mas aquele que, por dentro ainda está casado, verá no desfecho mais uma esperança de ser feliz.
Terminar é também se entender e se fazer entender.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2016
(Para sair da Fossa II)
Por enquanto - Renato Russo (vídeo do filme)
Letra:
Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém, só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Carta a quem (SE) parte...

Acordei chorando... Por isso escrevo-lhe...
Meu jardim de rosas... Recebeu doses elevadas de agrotóxicos raivosos...
... Mas brotam árvores que ficarão altivas... Abrigarão pássaros canoros...
Hoje já não há espinhos...
Lembro-me: o amor... O amor não esvaece... Não é fumaça...
Já não quero saber a frequência com que invado seus pensares...
Sinta-o... Onde quer que esteja...
Quais as cores que lhe prenderiam?
Não, já não há cores para ti...
Posso torcer para que sua viagem seja agradável...
Não sou mais sua companhia... mas enquanto semeei amor...foi de verdade...
Sempre... Sempre é muito tempo... e é com essa periodicidade que você parte...
Sinto-me leve... seja feliz...
Que você sorria...
Raio do meu âmago comece a clarear noutros horizontes...
Leve-me toda forma de tristeza para que em mim floresça
Um novo ser, já que tu partes em vão e sob minhas mãos
tão pequeninas, ainda carrego a flor que tu deixaste
Este sofrimento me vem e não de agora
Sentia-me órfã com você ao meu lado
Vivia esperando em meus anseios que
Tu suprisses esse vazio que em meu peito sinto
Mas tu não leva de mim apenas velhas chagas,
Leva-me amores e desamores...
E já não tenho raiva de ti...
Tu se foi... e eu estou aqui...
Gritando por uma vida nova...
A janela de mi'alma recebe raios de sol...
Brisas, aromas do campo...
Mágoas os ventos levam...
Cortinas se abrem e mostram-me novas paisagens!...
Seu perfume, nossos andares...
Passos fora do compasso...
Lembranças que partem com suas malas!...
Peito a sorrir... despeço-me!
Gargalho para os galhos dos pinheiros que se curvam...
Respiro melhor...
Olhai os pássaros ao redor
Colhei dos lírios, semeai amor...
Onde estiver e para onde for
Eu... eu quero voar!
*Suave e sensível parceria com Jair Fraga!...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O cobertor

Abandonei meu bom cobertor...
Não que esteja sol,
Não que nuvens enegrecidas tenham se dissipado...
... da vida... da minha... descoberta
Tenho frio, mas o cobertor já não me serve
Não que seja descartável,
Não que já não tenha me aquecido...
... variações térmicas... opor-se a lã de cada dia
O cobertor deixa pedaços que o vento leva
Não que eu inveje o vento,
Não que fique inutilizável...
... mas pedaços não cobrem o todo que clama manta
Meu cobertor queria me aquecer sem vontade
Não que deixasse de me afagar,
Mas queria tão somente cobrir meus pés...
... pés gelados, mas todo um resto a desejar meias de metades que se completem
Deixei o cobertor, sem pronome...
Não que de fato eu possuísse,
Não que eu não congele por vezes incontáveis ...
Mas senti que era hora de deixá-lo...
Ir...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Estrangeira d'além mundo

É tarde! Vou-me embora amigo...
Intento de regressar
Sentir-me em casa... sentir-me eu...
Sentir outrem... e ainda assim me sentir...
Acarinhar semelhantes...
Extasiar-se com lugares tatuados intrapele...
Com o reencontro da identidade livre...
Amigo, vou provar da lavanda de tempos infantis!
Correr nos campos que soluçavam segredos florais...
De paixões vãs, alimento a nave...
Vou-me embora, amigo!
Em seu planeta recebi o selo de iconoclasta...
Por acreditar que significados valem mais do que os símbolos
Por ser tocada por subjetividades... mais do que cascas
Por emoções não serem medidas, pesadas, tabeladas...
Amassei, rasguei, cuspi!
Amigo... vou-me... embora...
Retornar aos meus prados esvoaçantes...
Sem paredes, tetos... ilimites... tocar o todo...
Um só músculo a pulsar...
Usar as asas lacradas... pela sensação de estrageira.
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