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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meia jarra

Foto retirada do acervo do Depositphotos

A jarra encheu vagarosamente,
Respingos inevitáveis na roupa,
Desejos que saltam da bocarra,
Choramingo a sua frente...
Não, não beba desse modo,
Não ouça o tilintar do copo,
Não deixa secar sua marra,
Não tente forçar a barra...
A jarra já está sem coragem,
Despede-se da vida cheia,
Gelo é apenas miragem,
Aquece-se e desnorteia...
Meio é um meio certo,
Assim como o talvez tem vez,
Na hora do conserto
Da alça já em sua viuvez...

domingo, 9 de outubro de 2016

Probleminha pueril...



A menina queria a atenção do menino e chorou...
Ganhou, contrariada, o olhar fulminante...
Pensou, pensou e decidiu-se, melhor sozinha:
É mais fácil ignorar problemas alheios!

O menino, contrariado, desinstalou o jogo...
Ganhou atenção, amor e carinho...
Pensou, pensou e decidiu reinstalar:
É mais fácil lidar com relações virtuais...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Você pode enfrentar a vida...

Imagem retirada do Google
Um de nós desfez o nó e sorriu...
... Quem escolhe levanta-se, tira o pó...
Quem fica com o laço, estagna os próprios passos...

Um de nós fica com as lembranças, larga as ânsias...
... Quem lembrou, sente-se pleno do amor que o rodou...
Quem que esquecer, questiona o amor, se teve...

Fiquei com a fita e com o nó na garganta, deixei as boas lembranças...
... Sou quem quer vê-lo feliz, ainda que custe minhas incertezas...
Sou a cicatriz e meu sentimento há de ser bom juiz...



Raiva ou mágoa?

Retirado do site: http://kdfrases.com/frase/159835



De raiva e mágoa fico com a segunda...
Não que queira ficar,
Mas é ousadia ignorar a presença de algo que foi plantado...
É presunção escolher quando somos apontados inerentemente...

A primeira não cabe em meu peito,
Longe de verbetes consagrados, assim defino raiva:
Ódio, aversão... Não cabe, já que foi o aparecer de outra versão...

Da mágoa, preciso vencê-la, já que é meu próprio veneno...
É apoiar-se em palavras que hoje ficaram vazias...
Uma decepção por inação, dor n'alma...

O pesar pesa mais que a própria...
As palavras são paredes que teimam em permanecer...
O amor matou a raiva e as promessas sopraram a mágoa...
Que voe longe... que me deixe livre...

terça-feira, 18 de março de 2014

Curta o curto LII

Queria saber o antes quando por vezes nem sei se haverá depois...
Gostaria de ter certeza do agora, mas a ampulheta já não tem tanta areia...
Vês?  Nem eu...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Curta o curto XXXVIII

Dizem que eu sou muito crítica...
E abro o peito para dizer: não é algo de que me orgulho!
Soa uma crítica da crítica,
Ou eu sou muito crítica -
E já estou criticando!?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lenda Tua

(Imagem retirada do Google)

Tu és corpo celeste e eu planta aquática...
Beijo delicadamente a água doce que toca seus pés;
Afago os cabelos lunares na imã-téria...
Tantas outras plantas... Mas eu tenho flor!..
Tu és todo tão... e eu quero ser tua...

Tu és luar... eu flor secular...
Rodeio n’água para alcançar-te;
Perfumo-me com brilhos que irradia...
... Sou vitória régia sem vencer... Sem reger!...
Ainda... não sei...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Ele" gosta desgostando...

(Imagem retirada do Google)
"Ele" não gosta dos poemas dirigidos...
(que fatalmente capta...)
... Mas será que à direção não têm atalhos ou desvios?
Será que não é um pouco de tudo?
Ou uma das minhas pitadas que muito temperam?

"Ele" não gosta de manha...
... Mas eu gosto das manhãs ao seu lado...
Será que é manha querer todas as manhãs?
Ou uma das minhas crises de TPM?
(fatalmente capta!)

"Ele" não tem paciência...
... Mas eu espero... e quase uma vida...
(capta?)
Será que ele tem pressa para viver e não para me vi-ver?
Ou eu quem não sinto sua ubiquidade?

"Ele" não gosta de pessimismo...
... Mas a insegurança, por vezes, não é gasolina?
Será que o não saber e esperar que saiba é temer?
Ou eu sou covarde porque sou um não-saber?
(captura.)

... Eu gosto d"Ele"...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Curta o curto XVIII

Perguntam-me de estilo:
Não sei que trem é esse,
Só sei que meu vagão são palavras que me sufocam!...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Curta o curto XV

Se o passado é memória,
Se o presente é o viver agora;
O futuro é sonhar...
Por que queria apagar passos?
Viver como se fosse o adeus?
Sonhar o que poderia ter sido?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O não-dizer aritmético


Números, cálculos, hipotenusas que não vivo;
Sei que meu oposto quero ao meu lado!...
Não calculei... e as palavras dançaram além papel;
Não respiradas - multiplicadas sequencialmente!...
Desconheço operações, calcular medidas;
Arrependo-me do ímpeto não ser maior do que sinto!...
Sou escrava de letras nem sempre crescentes;
Faço-me denominador incomum!...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Curta o curto XI

Eu não sei e não devo sabê-lo até o dia em que saberei...
E a dúvida há de sanar?!
Não... sei!
Não, sei!
Não sei!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Citando Fernando Pessoa... e sobre minha pessoa...

 (Foto por Flaviele Leite. Achei-a ideal: pensamentos a mil)

Lendo, fuçando... Vale a pena citar:

[fragmento]
Ah, mágoa de ter consciência da vida! 
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo, 
Que rasgas os robles — teu pulso divida 
Minh'alma do mundo!  

Ah, se, como levas as folhas e a areia, 
A alma que tenho pudesses levar - 
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia 
De eu ter que pensar!  

Abismo da noite, da chuva, do vento, 
Mar torvo do caos que parece volver - 
Porque é que não entras no meu penssamento 
Para ele morrer?  

Horror de ser sempre com vida a consciência! 
Horror de sentir a alma sempre a pensar! 
Arranca-me, é vento; do chão da existência, 
De ser um lugar! 
  
(Fernando Pessoa)

Não sei se é o sono que não vem... 
Estou em uma fase mais do que pensativa... as pálpebras querem cerrar quando o sol já vem, então com as duas mãos seguro o dia!... 
Mas eis que de tanto pensar é inevitável que se queira dormir!...
Não sou uma alma serena... tão pouco um ser brilhante!... Preciso de sete horas!!!
Clariceando... por vezes considero-me um coração batendo no mundo e em troca de amor mais amor!... Sinceramente penso que é o automatismo que o tempo insiste em manipular, a brincar e testar meus nervos!... Ou o sono fecha meus olhos no momento exato que o músculo bate!... Então durmo na hora errada!!! Prefiro sentir!...
No momento quero ficar com a sensação de que estou certa... falta... um 'seilá,' talvez nunca saiba... Afinal, é apenas o sono que não vem...
Hoje fico com a pessoa de Pessoa!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Curta o curto VI

A incerteza aplaude meu tremor;
minha paralisia;
o não ir... o não vir... impelir!
Vamos?!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Boca com flores

(Belíssima imagem por Flaviele Leite)

Primavera Nos Dentes
Composição: João Ricardo/João Apolinário

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

... E não tenho certeza do SER;
O verbo deveras me cala...
E o que antes, claro... hoje anoitece;
Palavras tecem os suspiros! 

Sem perder a candura... perde-se a cabeça!...
Achemos o caminho... a Pasárgada escondida...
A cama para que o desespero repouse...
Sua não-cabeça em mantos primaveris!...

Ó SER que não sabe sê-lo!
Que não sabe dos quereres;
Que nada sabe... mas a tudo sente!...
Carregai-me com as flores... em seus dentes!...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tentativa sem regras: escrever sensações do hoje!

Hoje acordei querendo dormir!... Pensando em tantas coisas, histórias que já se foram, outras tantas que ao menos vivi!... Em vão tentei escrever sobre os sentimentos que desperta[m] em mim!...
Pensando, pensando, roendo unhas do amor que não tem medida, mas que há muito a poesia abandonou!...
Apaguei, reescrevi... O que transpiro? Ideias que me deixam insegura e assustada: bicho papão é/da vida!...
Queria poder dizer o quanto me alegra aguardar os sábados... aguardar o sono reparador... os “bom dia”... Não consegui... Inquietude não tão quieta... Suspensa no peito como balões...
Estilingadas seriam bem-vindas... ou apenas adiariam a vontade de dizer e não saber!?...
Longe de comparar... Comparo!... Tento me enganar, adiar o que quero gritar: não sei... e não saber me atrasa!... É... meu tempo é pontual!
Não sei o quanto... Não sei o tão longe... Li a alma de outrem... e a minha fica a ir ao encontro, depois volta assustada!...
... Voltar para as cobertas fica mais fácil do que saber que não é ou será igual... Saber que a vida possivelmente tenha se tornado mais séria, seca, talvez menos divertida!...
Dói!...
E medir o que não se mede soa para mim... no momento... como pedir para as flores não morrerem!... Não sei... não entenderá... Mas para mim o escrever compreende!...
Passarinhemos... à Quintana!

Passou!

domingo, 25 de abril de 2010

Traga água doce!...



Eu sabia que ele viria!...
Não, não havia a certeza,
O saltitar no peito e entusiasmo das mãos
- que teimam em pentear-me e perfumar-me... e "mes" de nós...

Eu queria que viesse!...
E do desejo do querer acredita-se,
Banha-se, troca-se...
Roupa de festa para a fresta da porta 
- que teima em não abrir!...

E atesta-se, contesta-se, manifesta-se:
Ainda nem um sinal!
MAS ele vem!
Pernas inquietas... e "ses" de mim...

Nada... nada... o nada é algo...
O algo é preencher...
Lacunas assustam-me...
Logo... salve o lago de sentires
- que teima em deixar-me boiar!...


Sê nosso esse lago!

terça-feira, 23 de março de 2010

Josi

(Foto de Flaviele Leite. IN: http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)


Josi é outra...
Outra face ou mesmo corpo...

A ocupar idêntico espaço?...
Ou outro passo...

A caminhar no espaço entre nós?
...
Ou é enlace da qual não desfaz...
Pudera ser fugaz - trem-bala!...

... Ou atendente a recepcionar:

Breu com dono,

Flutua, viaja, some?...

Ou apenas equívoco de articulação fonética?!...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Lista lunar


(LEITE, Flaviele. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos/41605778 )

1- Estou sem saber dizê-lo!
2- O não sei e o cansei,

3- Há pensamento, sem meio de fazê-lo!

4- Nem sempre o que encontro, procurei...

5- Cansaço não dele, daquilo ou disto...

6- Um não saber daqui, um cansei dali...
7- Dúvida a martelar... "não" quisto
8- Não se manda na razão;

9- Certeza em desconfiar sem acreditar!

10- Não se ordena o tempo todo o coração,
11- Das fases, qual delas melhor ministrar?
12- Da metade, fica-se o minguar;
13- Do cheio, o vazio... o nada está iluminado
14- Desejo de destaque, tende a aumentar...
15- Não é do todo que me faço metal lapidado
16- Velhice retrograda... meninice que desponta;
17- Cresce-se, sobejos que se quer dividir...

18- O céu impõe limites, meu ímpeto afronta;
19- Em um eclipse, resta-me partir!...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Da poesia do laço...


A ponta do laço desfaz;
Uma tira, outra tira e nada acrescenta...
Desisto e refaço amarras,
O descaso afronta;
Encerramos em outro laço não tão laçado.

Jogo de mãos e nós,
Tropeços e alças...
Quem dera só não sentir-me
Na trilha única dos medos!...

Todo espaço do não saber:
Pequeno, apertado, sufoca...
O querer é combustível:
Energia que impulsiona o andar.

Do laço desfeito, poesia da incerteza
Sem saber se arremato lirismo,
Ou se deixo o lirismo me arrebatar!