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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Eu tigre, ele touro

Imagem retirada de: Depositphotos





Nunca uma dor despertou tanta beleza,
Favorecendo ousadias, algum agouro
Que leva poeiras e traz ouro,
E que pertence a minha natureza.

Quem ontem grita, hoje fraqueja
Em peito quente d’um touro,
Que leva certezas e traz choro,
E que mantém a chama acesa.

Por que amor assim tanto me guia?
Ó luz de dias contados e findos!
Ditoso é quem faz do escuro teu dia!

Na madrugada escuta-se algum rugido,
E meus olhos de tigre em covardia
Olham o teto a ler versos restritos.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meia jarra

Foto retirada do acervo do Depositphotos

A jarra encheu vagarosamente,
Respingos inevitáveis na roupa,
Desejos que saltam da bocarra,
Choramingo a sua frente...
Não, não beba desse modo,
Não ouça o tilintar do copo,
Não deixa secar sua marra,
Não tente forçar a barra...
A jarra já está sem coragem,
Despede-se da vida cheia,
Gelo é apenas miragem,
Aquece-se e desnorteia...
Meio é um meio certo,
Assim como o talvez tem vez,
Na hora do conserto
Da alça já em sua viuvez...

terça-feira, 14 de março de 2017

Curta o curto LXV

O dia quente,
Ventilador no rosto...
Bronquite no peito,
Peito vazio...
Prece para que ventile-se a dor...

domingo, 4 de setembro de 2016

Curta o curto LVIII

As flores que recebi juravam ser bálsamo...
Mas permaneceram apenas espinhos...
- Mentiras são pétalas que o vento leva...
Dói espetar os dedos!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Desabafo - Sobre o término...

Sumi do blog, não quis arrumar minha "corujice", voltei o layout...

E hoje derramo lágrimas no teclado...
O término de algo que começou como os filmes, como um livro, dói profundamente... Sinto-me perdida, insegura, culpo-me, despenco e acho que nada tem solução...
Imagine ter planos, aceitar a falta de planos, acreditar que o amor supera, que a honestidade da relação está acima de tudo, que os problemas financeiros, emocionais podem ser resolvidos com diálogos e regas constantes e então você vê que apenas um EU faz e pensa assim!...
Eu tentei regar, tentei ser fria, depois quis "destentar" e o que aconteceu? Ouvi que tudo o que sentia transformou-se em amizade... que para um de nós tudo acabou: sonhos, vidas compartilhadas, segredos, desejos, esperanças...
O que fazer? Juro que ainda não sei... estou tentando, lutando para gostar mais de mim, para dormir certa de que amo e quem errou foi quem desistiu... Fui inteira, cedi, aprendi, cresci, mas hoje estou morrendo pouco a pouco... Será que nunca fui amada? Será que meu amor cegou-me tanto?... Eu mereço mais... mereço quem saiba engolir o orgulho, quem se entregue por inteiro, quem saiba que o amor não é só plantar a semente... é preciso adubo, é preciso falar com as flores... afinal, as flores escutam...
Amo... mas preciso aceitar... e aceitar aquilo em que não se acredita é atirar no próprio pé!...
Comecei esse blog saindo da lama... Mas não se compara, dessa vez foi mais... Ganhei mais... Perder é quem tem sido o martírio... Ainda parece um pesadelo e eu quero acordar... Quero evoluir, deixar meu amor maior que tudo para deixá-LO voar... O problema é que pensava ser um pássaro também...
Tento como lótus sair do lodo... Diferenciar-me do lamaçal...


Texto de Fabrício Carpinejar:
Passar a vida inteira sem uma loucura por amor é o equivalente a não viver. Em algum momento, precisa dispensar as suas reservas e os seus pudores e mergulhar na coragem que é se entregar, mesmo que não tenha a devolução de sua história, mesmo que seja necessário recomeçar do zero, sozinho e endividado.
Ganha tudo quem se arrisca a perder tudo.
Loucura por amor é atravessar o mundo por alguém, é mudar de uma cidade por alguém, é trocar de emprego por alguém, é se reinventar por alguém. O que sugere submissão é prova de personalidade, pois não existe o medo de deixar de ser diante das novas experiências.
O que adianta viver sem nunca quebrar a régua, sem nunca dar um passo em falso?  O passo em falso é a única chance que temos de voar.
As oportunidades desperdiçadas não voltarão a se repetir. A ocasião faz o herói.
Saber o que é necessário e não ousar é desmerecer a altura da felicidade, é apequenar a felicidade.
Amor é fundura mesmo. Não há maior desatino do que nadar no raso.
Como reconhecer o tamanho de um sentimento sem testar os seus limites? É como morar em uma casa e conhecê-la pela metade, é como manter vários quartos fechados ao longo do corredor e não ter nem a curiosidade de povoar inteiramente o desejo.
A loucura no amor é que garantirá a serenidade na velhice, a tranquilidade na velhice, a certeza de que não restou covardia para se lamentar, a confiança de que não houve nada a ser feito e de que as palavras não se distanciaram dos gestos.
Cansa prever sempre o que vai acontecer e ainda acertar, distanciado do nervosismo da surpresa e do arrebatamento da aposta. A profecia confirma a previsibilidade das nossas ações.
Só a loucura por amor traz a paz da consciência. É quando não nos arrependemos daquilo que não realizamos, quando a culpa não supera a memória.
Tentou-se o que podia, ofereceu-se o que se tinha em nome de uma verdade. Não se foi mesquinho com a própria biografia. A realidade não ficou reduzida à preguiça das mentiras.
É triste nascer gritando para depois se contentar com o silêncio.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

IN-direta 1

Quando eu perder o chão e deixar que as lágrimas corram,
Não deixe a dor passar - aceite o panfleteiro insistente no semáforo -
Abrace-me que eu prefiro o amparo das paredes!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ruga-ai!

(Imagem retirada do Google)
"Toda intimidade é ódio economizado"
(CARPINEJAR, Fabrício.Veneno , p. 272. IN: O amor esquece de começar)
                           
 A velhice pega-me de surpresa e bate à porta -
- quem abre é ele!...
Minhas rugas são aparentes e os parentes rugem...
E ele toca cada sulco...

As meditações têm auxiliado os desgastes...
E situações, presunções.. também!!!
Sinceramente, frutos de ações e inações já vêm podres da horta!...
E a aorta dele está torta...

... Quem sabe vou a Montevidéu e as rugas ao beleléu!!!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sirvo o café...

(Imagem retirada do Google)
Sirvo o café...
Capuccino:
-Sem creme, sem chocolate, sem leite!
Sem cafeína também!

Sirvo o café...
Café-café:
- Bom espresso sem pressa!
Sem calor também!

Deixo rastros de gelo e o café todo vira batida:
Ligeira no peito,
Atrasada nas palavras...
Embriaguez sem álcool...
Linhas tortas de bêbado...

Sirvo o café...
Kopi Luwak virou Pilão...
Nas mãos da garçonete!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tentativa sem regras: escrever sensações do hoje!

Hoje acordei querendo dormir!... Pensando em tantas coisas, histórias que já se foram, outras tantas que ao menos vivi!... Em vão tentei escrever sobre os sentimentos que desperta[m] em mim!...
Pensando, pensando, roendo unhas do amor que não tem medida, mas que há muito a poesia abandonou!...
Apaguei, reescrevi... O que transpiro? Ideias que me deixam insegura e assustada: bicho papão é/da vida!...
Queria poder dizer o quanto me alegra aguardar os sábados... aguardar o sono reparador... os “bom dia”... Não consegui... Inquietude não tão quieta... Suspensa no peito como balões...
Estilingadas seriam bem-vindas... ou apenas adiariam a vontade de dizer e não saber!?...
Longe de comparar... Comparo!... Tento me enganar, adiar o que quero gritar: não sei... e não saber me atrasa!... É... meu tempo é pontual!
Não sei o quanto... Não sei o tão longe... Li a alma de outrem... e a minha fica a ir ao encontro, depois volta assustada!...
... Voltar para as cobertas fica mais fácil do que saber que não é ou será igual... Saber que a vida possivelmente tenha se tornado mais séria, seca, talvez menos divertida!...
Dói!...
E medir o que não se mede soa para mim... no momento... como pedir para as flores não morrerem!... Não sei... não entenderá... Mas para mim o escrever compreende!...
Passarinhemos... à Quintana!

Passou!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O enfermo


Sorriso a derreter,
Febre que liquifaz:
Tempo a escorrer!
Volta que não refaz!

O enfermo, na cama, cochilo enganado;
Na cabeceira: telefone e flores que não desejou...
Doente que cospe feridas - outro machucado;
Do termômetro fez-se espada - outro exasperou...

Dor aguda, mexe-lhe com a razão;
Pertuba(dor)... Vazão da vertigem;
Ver-se dilacerar sem saber sua origem;
Voam fuligens de músculo do são...

sábado, 6 de março de 2010

Sobressaltos incoerentes... ou sim...

(foto por Flaviele Leite. IN:http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)

Queria que você lesse últimas palavras...
Queria que você lesse minhas últimas palavras...
Queria que você me lesse...
... E ainda assim, escrevo sabendo que sou eco vazio...
Reflexo da sombra que quis ser sombra...
Se és sombra de si mesmo...
Sou sombra ansiosa a carregá-lo para o sol...
Fraquinha... cof cof...
... Tosse ruborizada por não suportar;
Engasgada para ser lida com olhos carregados de amor!...
Rascunho poético da insistência!...
Até quando!...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma migalha de mi'alma


Migalha branca... amarga!...
Como se o amargo fosse ruim,

Como se o branco fosse paz!...


Percorro e deixo pequenos fragmentos;
Leves, o vento se encarrega;
Ao menos deseje segurar -

Feche a palma em concha e absorve!...

Não exijo a ingestão;
Deglutida;
Compreendida!...
Ao menos assimile a migalha que lhe caiba...

Não fere migalhar...
Dói que não sintas falta;
Que não descortine...
O fragmento que deixo!...

E de migalha em migalha deixo pulsares...
Esvanece-se vida...
Fragmenta-se partículas oníricas...
... Partes de um todo inseguro!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dessabor


Dia enfadonho
Lágrima gratuita
... sem gosto!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Prece ao Nãoamor II


Compadeça-se... Cegue-me...
... Coloque um véu em meu âmago...
... porque o sentimento êmulo insiste em afagar minha essência...

Acostumo-me com a imagem do nada...
...vazio, incompletude... com o choro afônico...
... e tão... tão toante... tão dentro, tão eu...

Traga-me o rum da neblina...
... Permita-me que eu ainda assobie a velha cantiga...
... mas que velhos sentires sirvam-me de adubo...

Desconsidere toda a prece se eu chorar estridente...
... Se eu anseiar compartilhar, sofrer, sorrir...
... entregar minha vida em mãos alheias... querer o pouco...
... o nada ser preenchido por muitos poucos...
... suficientes para que cada dia seja festa...


LÁ

GR

IMÃS

domingo, 10 de maio de 2009

Prece ao Nãoamor


Tirai esse broto novo...
... rosa púrpura do meu peito!!!
Imploro-lhe... tirai... muitos espinhos... poucos cuidados...
Ah! Dor constante... não é apenas músculo,
ventrículos emaranhados com esporos...
É sede... pouca água...
...muitas ervas daninhas...
Suplico... ajoelho-me diante de ti,
fecho os olhos... e digo:
traga os bons ventos para regular impulsos...
... para polinizar outros jardins...
Senhor do Nãoamor... leve essa rosa cravada sobre o arco da aorta...
... permita que o sangue volte a fluir normalmente...
Deixe-me sem flores... leve-me os espinhos...
Que a sangria demore a cessar...
... que o vazio lúgubre me entristeça...
... logo será carregado pelos bons insetos...
... Mas tirai essa rosa!!!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

LUZ DOS CACOS...


... Sou o que sobrou de uma mulher extremamente apaixonada...
... Sou o suspiro aliviado de madrugada após um sonho menos feliz...
... Sou a dúvida, a incerteza, a esperança... porque sou uma mulher que já amou intensamente...
... Sei o quanto meu coração se enchia de felicidade por ter um ombro para se apoiar

... Por se importar com um cisco no olho, uma dor de barriga, uma febre, um susto...
... Amei sim... então vivi.. mas não posso ignorar as marcas do sentimento que aprofundam meus olhos e deixam borboletas em meu ventre...
... É para lembrar que a felicidade está em pequenos frascos... nós abrimos pouco a pouco, a fumaça não para e precisa que duas pessoas a aspire...
... Se agora sou um caco, amanhã me faço jarro... carrego a água das duras lágrimas que aindam teimam brotar dos meus olhos... Amei, me embriaguei com a felicidade que esse sentimento carrega... agora estou de porre...
... Lembro o que passou porque o que passou eu vivi o melhor que pude... mas essas lembranças!!! Essas lembranças vão ser levadas pelo vento... porque o ciclo não para...
... Sofrer é tão inevitável quanto se erguer... reerguer... gosto dos prefixos...eles me dão a chance de repetir... de acrescentar algo a fim de completar-lhe sentido... me completar...
...Sou o que sobrou, mas não quem perdeu...