terça-feira, 1 de agosto de 2017

Perguntas e respostas, ou sobre a dialética da teima

Perguntou se havia amor nas asas,
Sorrindo torto e com olhar reto.
Respondi com olhar torto e sorriso reto
Que as asas estavam em meu amor.

Alcancei algumas estrelas d'um céu,
Sem endereço, sem retorno.
Enquanto ficou na rua de pedras,
Com nomes, com duas vias.

Gritou por mim em seu infinito,
Respondi que não voltava ao fim.
Chorei por decolar sem ar,
Riu por ficar e respirar.

Para escutar:


terça-feira, 25 de julho de 2017

Deu bandeira...

Paraty/RJ - meu clique (2017)
Apresentou o impossível:
Seus olhos disseram,
Dissecaram a derme,
Qualquer coisa, qualquer fato - era mais um retrato!...

O dinheiro apareceu,
A pobreza destacada -
Era sopa de pedras preciosas,
Qualquer pedra, qualquer perda - era mais um retrato!...

Bandeiras presas no fio voaram,
As cores presas ao peso,
Do fio, do arame, no poste,
Qualquer cola, qualquer fita - era um retrato que não colava!...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Curta o curto LXXII

Quero desenhar as últimas palavras...
Não, não é poder - não possuo borracha:
Tenho TOC! Minhas linhas escapam das folhas...
Então toque-me com sua gentileza!


Coffee Break XIX

O café demorou a ser marcado,
aconteceu no acaso!
A cafeína já agia um dia antes...
O caso é que não foi café, foi suco...
Como um soco no peito,
o ruído dos batimentos aceleraram...

domingo, 16 de julho de 2017

D'um dia real

(Meu clique)
Na sua mão uma flor tinha
E nas dela, unhas mal pintadas,
Que por instantes detinham
Impulsos que mal se tocavam...

Essa flor que não aparece
Era um momento perfeito:
Para ela, novo sol resplandece;
E para ele, fixação em aspeitos...

Diziam que vence quem se atreve,
Já estavam em nova segurança,
Quando o pulsar se teve,
Nas mãos corriam possanças...

E o desejo que lhes tomava
Não era apenas brisa passageira.
Ao ouvir o que o coração mandava,
A noite chegava faceira...

Caminharam pela cidade,
Sem temer que novo dia viesse.
Pensavam que tal felicidade,
Nem a distância desfizesse!...

E assim acabou um dia real,
As dúvidas, já não eram
E o sorriso - prova cabal
De que outros dias consideram...


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Aroma amoroso

(foto do meu acervo)

Sinto um novo aroma,
N'alma atinge o perfume
Que no Coliseu, em Roma,
Digladiam antigos costumes...

Pele odorífera que me atordoa
E meu pensamento conflitante:
Desconhece o novo pulsar,
A presença d'um amor militante...

As narinas vibram, viciadas,
Só querem mais uma dose.
As tremedeiras evidenciadas,
Quente suor em mim escorre...

Desfaço-me em pétalas,
Enquanto o cheiro permanece,
Correndo por entre as frestas,
Em meus dedos, não fenece...

Sinto um novo aroma,
A cobrir-me de êxtase,
A escrever axioma,
A beijar com ênfase...

domingo, 9 de julho de 2017

Ele parou o carro ao lado do monstro...

E encontrando monstro horrendo,
fostes logo perguntando:
- O que há de matar primeiro,
a saudade ou seu assombro exitando?
Criatura tenebrosa, mal sussurra a resposta:
"Saudade não mata, apenas aparta a briga,
razão e sentimento. Faço, então, uma proposta,
o que teu peito abriga? Sobrevive se decifras..."
Não sabias o que responder, nem ser
o que deveria ser o que em si carregava.
Negavas e queria ao desumano maldizer,
adiava o inevitável que aos seus olhos fumegava...
Assobiava canção repleta de dignidade,
o monstro o encarou de alto a baixo
decidiu largá-lo a sua própria sorte,
já que a saudade era seu pior fracasso.

terça-feira, 4 de julho de 2017

A incerteza das horas coloridas...

Quadro "A Pátria" (1919), de Pedro Bruno (retirado de: http://www.museus.gov.br)

Sabe-se que no universo dos pintores,
ora com tinta e sem pincel,
ora com pincel e sem tinta,
ora apenas oram,
para que o quadro
repare
e pare
horas...

As artes criam prêmios leais,
nem sempre o vencedor ganha,
nem sempre perde a prenda.
Perdem-se valores do passado,
perdurando a eternidade
da terna idade
que é impressa
sem pressa
no certificado,
certo?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

AVISO

Boa noite!

Gostaria de agradecer, do fundo do meu coração, todos os recados amorosos que tenho recebido!
Em breve visitarei aos amigos que tanto amo ler e compartilhar meus devaneios!

Beijos a todos!...
=)

terça-feira, 13 de junho de 2017

PAUSA

... Em breve, prometo!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Curta o curto LXXI

As maçãs de ouro geram guerras, ficarei com as podres...
Adubar a terra árida que por acaso (ou descaso?) deixaste...
As sementes já não produzem cianeto!...

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Uma hora de batalha íntima

Imagem retirada do acervo Getty Images.

Embora meu inimigo não vencesse,
Deixou antes a prévia derrota,
Que na vitória eu me perdesse
E na perda, a esperança remota.
Não consenti uma morte há tempos,
Fiz do amor espada inquieta,
Hoje agonizo, além tormentos,
O toque já não é mais extrema meta.

Então deito em áureo leito,
Onde pensamentos incertos são,
Reavendo estranhos conceitos,
A vitória fulgura só na imaginação.
Estas duras vontades, adversárias
De inquietações, por si mostravam
Que, desde o início haviam várias,
E não partiam quem as alimentavam.

Então derrubo, lança e espada,
Concluo que quem vence, antes sua
E até mesmo ao passar estacada,
Já estava em uma morte crua.
Luto comigo, socorrer-me não queria
Por não causar bem, sei bem que erro
Do coração dado arrependia,
Minhas dores combatia a fogo e ferro!...