quinta-feira, 13 de julho de 2017

Aroma amoroso

(foto do meu acervo)

Sinto um novo aroma,
N'alma atinge o perfume
Que no Coliseu, em Roma,
Digladiam antigos costumes...

Pele odorífera que me atordoa
E meu pensamento conflitante:
Desconhece o novo pulsar,
A presença d'um amor militante...

As narinas vibram, viciadas,
Só querem mais uma dose.
As tremedeiras evidenciadas,
Quente suor em mim escorre...

Desfaço-me em pétalas,
Enquanto o cheiro permanece,
Correndo por entre as frestas,
Em meus dedos, não fenece...

Sinto um novo aroma,
A cobrir-me de êxtase,
A escrever axioma,
A beijar com ênfase...

domingo, 9 de julho de 2017

Ele parou o carro ao lado do monstro...

E encontrando monstro horrendo,
fostes logo perguntando:
- O que há de matar primeiro,
a saudade ou seu assombro exitando?
Criatura tenebrosa, mal sussurra a resposta:
"Saudade não mata, apenas aparta a briga,
razão e sentimento. Faço, então, uma proposta,
o que teu peito abriga? Sobrevive se decifras..."
Não sabias o que responder, nem ser
o que deveria ser o que em si carregava.
Negavas e queria ao desumano maldizer,
adiava o inevitável que aos seus olhos fumegava...
Assobiava canção repleta de dignidade,
o monstro o encarou de alto a baixo
decidiu largá-lo a sua própria sorte,
já que a saudade era seu pior fracasso.

terça-feira, 4 de julho de 2017

A incerteza das horas coloridas...

Quadro "A Pátria" (1919), de Pedro Bruno (retirado de: http://www.museus.gov.br)

Sabe-se que no universo dos pintores,
ora com tinta e sem pincel,
ora com pincel e sem tinta,
ora apenas oram,
para que o quadro
repare
e pare
horas...

As artes criam prêmios leais,
nem sempre o vencedor ganha,
nem sempre perde a prenda.
Perdem-se valores do passado,
perdurando a eternidade
da terna idade
que é impressa
sem pressa
no certificado,
certo?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

AVISO

Boa noite!

Gostaria de agradecer, do fundo do meu coração, todos os recados amorosos que tenho recebido!
Em breve visitarei aos amigos que tanto amo ler e compartilhar meus devaneios!

Beijos a todos!...
=)

terça-feira, 13 de junho de 2017

PAUSA

... Em breve, prometo!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Curta o curto LXXI

As maçãs de ouro geram guerras, ficarei com as podres...
Adubar a terra árida que por acaso (ou descaso?) deixaste...
As sementes já não produzem cianeto!...

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Uma hora de batalha íntima

Imagem retirada do acervo Getty Images.

Embora meu inimigo não vencesse,
Deixou antes a prévia derrota,
Que na vitória eu me perdesse
E na perda, a esperança remota.
Não consenti uma morte há tempos,
Fiz do amor espada inquieta,
Hoje agonizo, além tormentos,
O toque já não é mais extrema meta.

Então deito em áureo leito,
Onde pensamentos incertos são,
Reavendo estranhos conceitos,
A vitória fulgura só na imaginação.
Estas duras vontades, adversárias
De inquietações, por si mostravam
Que, desde o início haviam várias,
E não partiam quem as alimentavam.

Então derrubo, lança e espada,
Concluo que quem vence, antes sua
E até mesmo ao passar estacada,
Já estava em uma morte crua.
Luto comigo, socorrer-me não queria
Por não causar bem, sei bem que erro
Do coração dado arrependia,
Minhas dores combatia a fogo e ferro!...

domingo, 28 de maio de 2017

Curta o curto LXX

Ele dormiu e roncou:
Sílabas poéticas saltaram,
Inundaram seu travesseiro...
Sou a moça da lavanderia -
- Fronha imprópria para sabão...
Notará que levei para mim?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O voo da coruja

Foto pessoal da minha coleção (e amor) de/por corujas

Ela voou, voou...
Para lá que eu vou?
Não, não sabe-se onde pousará agora...

Clarividente da noite,
a lua como guardiã defronte,
ondas a cintilar o breu lá fora...

Tente não segui-la, não ouvi-la voar...
O canto é dor, desamor no chirriar!...
Talvez os us e us são monossílabas d'outrora...

Regressará à Atena, volta em inspiração,
dorme satisfeita, presa na própria audição...
É preciso deixá-la ir embora.

sábado, 20 de maio de 2017

Coffee Break XVIII

Entre um gole e outro de cappuccino,
- Sem café puro para mim -
A chuva lá fora era menor que a dentro,
Goteiras doces, desabamentos inevitáveis...
Capisce?

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ele e a máquina de escrever

(Imagem retirada do acervo: Getty Images)


São poucas teclas,
Não, poucas sílabas...
Há um medo intermitente,
Há uma febre que oscila...

Em seus dedos há um peso,
Sobretudo, anula...
Não há como apagar tudo,
A máquina desdenha...

O que tecla é leve,
Mas as teclas pesam...
Sente dores, palpitações,
Tictic, tictic, tictic, plim...

Lido: se futuro presente,
Enquanto martela, flutua...
O papel acaba, sílabas também,
Precisa de ar, sai sem a máquina...

O cilindro gira, nova folha,
A ausência não impede...
Alavanca de entrelinha,
Folha voa, ganha vida...




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Curta o curto LXIX

A dança nova é um renovar,
Há refletores,
Poucos atores,
Saltos que descalçam...
Alivio aos calos e ao ar!...
E a música?
Canções infindáveis...
- nunca chega a última...