quarta-feira, 10 de março de 2010

Há tempos não canto amor...

(Foto por Flaviele Leite. IN: http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)
Amor é rosa instável que ora perfura, ora perfuma;
Sorrateira, domina veias, de duas aortas, deixa uma.
Flecha que tange em um corpo já oco;

O que nos fere, depois adere e centímetro é pouco!...

Eu amo e cantar basta ao meu coração;

Sou amada e sentir é a certeza-explosão!...

Estou em um dia fatigado...

(Foto por Flaveiele Leite. IN: http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)

Ouço o castanho de seu olhos bramir:
- Respiração densa também é bronca
E a insatisfação encobre a raiva!...


Olhos nos ouvidos, lábios na linha:

Balbucio ao léu desejo de aproximar,

Vontade rouca de tocar o que escorre,

E o querer é encoberto por nuvens mandrionas...

... E no caderno sem pautas suspiro:
Leveza entorta, espantados por sussuros...

Por fim, tédio evidenciado!

domingo, 7 de março de 2010

Para os amigos...


... Excerto em especial a meu amigo poeta que apenas começou a ler ;)
O Pequeno Príncipe
...
Recomendo e releio!...

Abraços!
... que deixemos-nos cativar!...

"(...)O pequeno príncipe escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que batiam no joelho. O vulcão extinto servia-lhe de tamborete. "De uma montanha tão alta como esta", pensava ele, "verei todo o planeta e todos os homens..." Mas só viu pedras pontudas, como agulhas.

- Bom dia! - disse ele ao léu.

- Bom dia... bom dia... bom dia... - respondeu o eco.

- Quem és tu? - perguntou o principezinho.

- Quem és tu... quem és tu... quem és tu... - respondeu o eco.

- Sejam meus amigos, eu estou só... - disse ele.

- Estou só... estou só... estou só... - respondeu o eco.

"Que planeta engraçado!", pensou então. "É completamente seco, pontudo e salgado. E os homens não têm imaginação. Repetem o que a gente diz... No meu planeta eu tinha uma flor; e era sempre ela que falava primeiro."

Mas aconteceu que o pequeno príncipe, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas em direção aos homens.

- Bom dia! - disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia! - disseram as rosas.

Ele as contemplou. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem sois? - perguntou ele espantado.

- Somos as rosas - responderam elas.

- Ah! - exclamou o principezinho...

E ele se sentiu profundamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ele era a única de sua espécie em todo o Universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!

"Ela teria se envergonhado", pensou ele, "se visse isto... Começaria a tossir, simularia morrer, para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade..."

Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. Uma rosa e três vulcões que não passam do meu joelho, estando um, talvez, extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso..."

E, deitado na relva, ele chorou.

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia - disse a raposa.

- Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, olhando a sua volta, nada viu.

- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? - Perguntou o principezinho. - Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa - disse a raposa.

- Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...

-Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa - disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?

- Procuro os homens - disse o pequeno príncipe. - Que quer dizer "cativar"?

- Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?

- Não - disse o príncipe. - Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"...

- Criar laços?

- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. - Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível - disse a raposa. - Vê-se tanta coisa na Terra... (...)"

Trecho de O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry.

sábado, 6 de março de 2010

Sobressaltos incoerentes... ou sim...

(foto por Flaviele Leite. IN:http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)

Queria que você lesse últimas palavras...
Queria que você lesse minhas últimas palavras...
Queria que você me lesse...
... E ainda assim, escrevo sabendo que sou eco vazio...
Reflexo da sombra que quis ser sombra...
Se és sombra de si mesmo...
Sou sombra ansiosa a carregá-lo para o sol...
Fraquinha... cof cof...
... Tosse ruborizada por não suportar;
Engasgada para ser lida com olhos carregados de amor!...
Rascunho poético da insistência!...
Até quando!...

sexta-feira, 5 de março de 2010

O menino e o barquinho

(foto por Flaviele Leite. In: http://www.flickr.com/photos/flaviele-apl)


O menino veleja na cama,
Ondas dos cabelos guiam,

Arma lençóis como marinheiro ama-mar,

Indaga tubarões temporais;

Vendavais dos pesadelos...
Naufraga de cansaço!...

Mamãe é sereia a embalar o mais doce dos sonos!...

MAR À VISTA

Eu não sei,
que será de mim!
Eu não sei
e nada me importa saber
eu só sei,
que havia um mar à vista ali
você passou assim por mim
e eu me perdi.

(Djavan)

O menino doente

O menino dorme.

Para que o menino
Durma sossegado,
Sentada ao seu lado

A mãezinha canta:

— "Dodói, vai-te embora!

"Deixa o meu filhinho,
"Dorme . . . dorme . . . meu . . ."

Morta de fadiga,

Ela adormeceu.

Então, no ombro dela,

Um vulto de santa,

Na mesma cantiga,
Na mesma voz dela,
Se debruça e canta:

— "Dorme, meu amor.

"Dorme, meu benzinho . . . "


E o menino dorme.


(Manuel Bandeira)

Ele não gosta de doce...

(Mais uma imagem sensível, por Flaviele Leite. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos)


Papilas gustativas, gustam do acre;
Ele somente aprecia o sem mel;
E por gostar da sacarose - amargo no sem-afago;
Espargem-se fagulhas que perduram em fel;
Receptor sensorial do paladar a não sentir:
O terno do melaço a regar o porvir...
E, assim, tudo acaba em cocada sem condensar!...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Alguns desabafos...

(Foto tirada por Flaviele. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos)

A foto é linda!
... E acredito veemente que cada momento capturado conversa com nosso estado intrínseco!... Diálogo entre coração, mãos, olhos... sinestesias que batem papo com chá!
Hoje chove, dentro e fora... Quisesse não dormir para ver o sol nascer!... E é engraçado como o cinza lá fora atinge-me por dentro!...
Ignorem a confusão... ou não, já que é assim que estou hoje...
Não sei explicar, mal sei expressar em poesia o turbilhão que passa cá dentro... Sei que tem dias que acordamos [se é que poucas horas de sono podem ser consideradas SONO] tão desgastados que queremos poupar pessoas...
... Então vivam as palavras!...
Se não fossem palavras, talvez cuspisse... rs...
... Escarrar dúvidas, anseios, não-compreensão... Bem, antes de cuspir pensei cinzamente [sim, incorporando a cor] que erro ao desejar que leiam-me nas entrelinhas!... Ao desejar ser um livro com gravuras que qualquer criança diz: olha lá, a personagem está incomodada... está assim, assado...
Raios de afeição disseram-me: Não erra por enxergar mais... não erra por repensar!... Apenas aqueça-se... e aqui venho despejar pitadas de lã...
Vamos costurar?!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Metonímia da Filosofia Poética

(Belíssima foto tirada por Flaviele Leite. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos)


Ao lado: folhas e canetas...
Penso, medito no talvez
- doso o que é incalculável...


Palavras não cabem em linhas simétricas,

Pensamentos não cabem no que é imaterial...


Se a morte fora tomada,

Se o autor fora lido,

Se bebesse o cálice...

Por que não recordar a reflexão?


Vias áereas obstruídas,

Já não sinto o ar diferente

E o igual também não serve!


Cada palavra remete ao que finito,

Torna-se infinito, viagem...

Louca e alucinante viagem poética,

Onde morte sem pernas não alcança.


Penas e torturas não cabem...

Dor de poeta, vida na morte,

Escura sombria e escorregadia,

Vaza pelas mãos munidas de tinteiro.


Folhas azuis no branco das ideias

Caneta branca de tinta azul a dormir...

E o contraste é a diferença que flutua.



Parceria com Sidnei Cordeiro... mais do que aguardada ;)
Obrigada!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Todo Sentimento (ou Do Sentimento Todo)

(por Flaviele. IN: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos)

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,

Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu
.
(Composição: Chico Buarque e C. Bastos)

Porque sinto... sem senso;
Porque afago... sem preço;

Oferto-lhe mais que apreço...

[Em versos embalados por

Sentimento que não meço!...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Pepetizando


... palpitações perambulam pra proas,
portos, prantos palpérrimos...
partículas preferem paz passageira - poeira...
Por quê? Por quem?
Porque palavras passam...
... poesia perpetua!...
Persegue-se pragas,
Polén polinizado, plantas produzidas...
... prender-se por pulsos!...

sábado, 16 de janeiro de 2010

... do redpower...


O vermelho da veia pulula...
Olhos, dedos, cabelos...

Tudo avermelhado,

Tudo pulsando...

Vida vivendo...

Vivices sangrando tal meninices...
No mais poético dos pleonasmos!...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Belíssimo 2010!

A todos os leitores, amigos, almas que se encontram (se)...
Votos de um ano enriquecedor!...
Muito embora saiba que nosso calendário é a junção do 'juliano' e do 'gregoriano' [com dedos intencionais religiosos... cerca de três anos e meio de alteração]...
... Serão mais alguns dias... E que esses dias sejam esclarecedores, sejam escolas diárias!...
Não, não estou a sonhar com maravilhas cotidianas... mas que tudo ensine, acresça e que permita-nos crescer!...

Abraços afetuosos!...