terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Caixa cor de rosa



Palavras graciosas a brincar na caixa:
Rosa da rosa perfuma olhares...

Fada de palha a iluminar grutas obscuras...
Salta da caixa,
A luzir, tocar, transformar...
Sorrisos esculpidos subitamente!...

Papelão rosáceo,
Ganha vida, ganha odor...
Condão que embala o deleite,
Pula da caixa, salta aos olhos e...
E gargalha com o espectador,
E flutua no espaço das mãos entreabertas,
E descansa na pausa da tampa,
E principia sono dos nobres...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Prece ao Nãoamor III


(Imagem de: http://www.fotolog.com.br/flavielephotos ... porque só uma alma sensível consegue fotografar detalhes igualmente dotados de sentidos)


Hoje não enxergo mais do que um pequeno fulgor...
Sentes decepção?
Pois... há dias que desejamos sair e sentir toda a pele queimar...
... Sentir que privar a vista é melhor do que reconhecer o frio!


Nãoamor... pense... tempos que não lhe rogo...
Então... transcenda!
Faça com que o sol volte a trautear cá dentro,
Faça com que a (in)diferença do meu pulsar determine faltas...


... Não colho flores, apenas alimento-me do que poderia...


Bata em outra janela... Deixai o sim aquentar-me...
Tirai novamente espinhos da rosa!!!





Que assim seja...
Nadine Granad.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vou-me... que o vento seja a mão que afaga e aparta...




Novo dia...
momentos que são
...
e a vida sã!...
Fora do casulo as flores são mais flores;

O ar mais respirável!...

Dói, mas que se vá!...

Vou-me..
.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

... Sei lá...

Sei lá... a vida tem sempre razão

Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer. 


Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão. 


A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.


De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Algumas ideias sufocadas... I

Como consta na definição do blog... ideias sufocadas!...

Muito do que eu escrevo não segue a saudosa métrica clássica... ou simplesmente não é encarado como poema por sua estrutura deveras desestruturada... Que tenha poesia!...
Não digo da forma... refiro-me (sempre) à essência!...
... Muito embora eu seja a sombra de outrem... estou em cada palavra!... E antes de cada palavra, sou eu que 'humanamente' sinto vontade de cuspir nesse espaço palpitações nem sempre físicas!...

E hoje venho para escrever que brotou uma lágrima cardíaca!...
Muito provavelmente a imagem seja difícil... áspera... soa quase como uma fantasia de uma aprendiz de poeta que se abriga em linhas tortuosas e em milhares de reticências...
... Se há o ato de umedecer a conjuntiva, a córnea... digo, pois, que os olhos do peito não ficam imunes de poeira e corpos (nem sempre) estranhos...

... E como uma criança em um dia tempestuoso... quer uma mão para segurar, um cobertor para cerrar os olhos e dormir... Ignorar completamente os relâmpagos e trovões que insistem em bradar...
... Quando não há mãos, cobertas, o ignorar... há o temor... há a lágrima a escorrer do músculo...
... Aqui deixo um cadinho de sal puro...
... Sigo... Há quem torça para que lágrimas não cessem...
... Todavia... Há quem torça para que as lágrimas sequem!...
... Para esses
o coração pulsa embalado pelo frevo...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Não sei... quero que seja!



Seguro a luz do dia;
Escorre-me pelos dedos;
Fuga do que se quer deter;
Anseio que conduz no breu.

Incautos caminhos;
Voz áspera, berros inaudíveis...
Ecos nas trilhas de arautos;
Ouvidos nem sempre eficazes.

Névoa densa e baixa;
Propensa ao não ver;
Faixas a ocultar trilhas;
Mãos a tatear texturas.

Contruindo imagens do cerne...
Constatando o não-segurar...
Impressão incerne da dúvida...
Há censura de duelos - vence-se o sentir!

Rudimentos cinzelados;
Cuidados que juvenescem;
Encanto da qual se quer ser parte e todo...
Desconheço, todavia aspiro!...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma migalha de mi'alma


Migalha branca... amarga!...
Como se o amargo fosse ruim,

Como se o branco fosse paz!...


Percorro e deixo pequenos fragmentos;
Leves, o vento se encarrega;
Ao menos deseje segurar -

Feche a palma em concha e absorve!...

Não exijo a ingestão;
Deglutida;
Compreendida!...
Ao menos assimile a migalha que lhe caiba...

Não fere migalhar...
Dói que não sintas falta;
Que não descortine...
O fragmento que deixo!...

E de migalha em migalha deixo pulsares...
Esvanece-se vida...
Fragmenta-se partículas oníricas...
... Partes de um todo inseguro!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

LESTE


Sinto-me a última... Não que eu queira ser a primeira...
... Mas gostaria de ser única!...
Não que eu me encare como ser raro...

... Mas gostaria de fazer a diferença...

Indiferente da posição ocupada...
Ser o alguém pelo qual possam chorar sem medo do ridículo...

... Sou ridiculamente um eu que mergulhou... e quer voltar para a segurança do leste...
... Mas não controlo mais... Last... voo ao norte ainda...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fase morta, sem muito o que dizer... lagarta de mim...


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu..." (Chico Buarque)

Sol... não vem só...

Nuvem: Chuva ou bom tempo, Mario?

Aqui... chove!...

Deixemos molhar...

Escoem as dores que não se vê...

Filtrem a mágoa que não se crê...
E a borboleta... Volta a ser lagarta?

Não há almofada de seda...

Estou largada, atada... fiz-me empalhada...

Há muros cegantes...

Até mais, viajante!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dessabor


Dia enfadonho
Lágrima gratuita
... sem gosto!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carta a quem (SE) parte...



Acordei chorando... Por isso escrevo-lhe...

Meu jardim de rosas... Recebeu doses elevadas de agrotóxicos raivosos...
... Mas brotam árvores que ficarão altivas... Abrigarão pássaros canoros...
Hoje já não há espinhos...

Lembro-me: o amor... O amor não esvaece... Não é fumaça...
Já não quero saber a frequência com que invado seus pensares...
Sinta-o... Onde quer que esteja...

Quais as cores que lhe prenderiam?
Não, já não há cores para ti...

Posso torcer para que sua viagem seja agradável...
Não sou mais sua companhia... mas enquanto semeei amor...foi de verdade...
Sempre... Sempre é muito tempo... e é com essa periodicidade que você parte...
Sinto-me leve... seja feliz...
Que você sorria...

Raio do meu âmago comece a clarear noutros horizontes...
Leve-me toda forma de tristeza para que em mim floresça

Um novo ser, já que tu partes em vão e sob minhas mãos

tão pequeninas, ainda carrego a flor que tu deixaste

Este sofrimento me vem e não de agora

Sentia-me órfã com você ao meu lado

Vivia esperando em meus anseios que

Tu suprisses esse vazio que em meu peito sinto

Mas tu não leva de mim apenas velhas chagas,

Leva-me amores e desamores...


E já não tenho raiva de ti...

Tu se foi... e eu estou aqui...

Gritando por uma vida nova...


A janela de mi'alma recebe raios de sol...

Brisas, aromas do campo...

Mágoas os ventos levam...

Cortinas se abrem e mostram-me novas paisagens!...


Seu perfume, nossos andares...
Passos fora do compasso...

Lembranças que partem com suas malas!...

Peito a sorrir... despeço-me!

Gargalho para os galhos dos pinheiros que se curvam...

Respiro melhor...


Olhai os pássaros ao redor

Colhei dos lírios, semeai amor...

Onde estiver e para onde for

Eu... eu quero voar!


*Suave e sensível parceria com Jair Fraga!...

VERSOS DO CINZA DO DIA


Dia cinza... e dedos quentes a digitar;
Palavras de camomila espargem;
Quisesse acalmar meu ser a gritar;

Pudera ver-te em minha vida, folhagem.


Incessante luta do pensamento...

Não, já não te esqueço... audaz tormento...


A insônia apontando você

E o coração aqui... tão dentro;

Resignado... perco-o sem buscar o porquê.


Sou fragmentos a bombear... o que se divide

Um dia nublado... e o não saber que envide...


Em linhas invisíveis desenho passos ;

Trilhas que segues de olhos fechados...

Tinjo monocromáticos erros crassos -

Colorir, modificar... adornar o encerrado...

As luzes se apagam... dormir, não poderia

Tateio lembranças do que poderia...


Sentir que será nosso esse chão multicor...

O relógio canta minha hora, caminho...
Camomila atua... sonífero de doce odor

Repouso dúvidas... você: cinza e sozinho.


Nômade de emoções atiradas ao vento
Residências longe da felicidade... sem rima final...