segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Água de pedúnculo



Água que banha mi'alma...
... da haste da rosa, do caule do ser.
Banho de reedificação de pétalas.


Pedúnculo de ouro, dúctil, luzido...

... Eletricidade conduzida
- vida desabrocha;
Uma única ostentação:
verdade do sentir;
Não se comercializa, não se funde
[água se incorpora.

Tempo do banho... que não se cobra
Não se pode medir a força da torrente

Ouro boiando nas água das hastes
Perfume que me cria perfume.

Tudo se faz claro...
Equilíbrio e natural perfeição
Olhares que se falam...
Medos que impedem...
Águas de sustentação...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sentir-me plena...


De tanto amor que lhe tenho,
O coração é quem toca seus lábios;
Em beijos ternos...
Predispostos a tornar-nos um...

Cada verso brada como singular,
Palavras que se conversam,
Vivas pela força imbricadas -
Por sentires únicos... faz-me plena...

Desconheço medida capaz de sintetizar:
Sensações, pulsares... saudades!...
Se amor é o maior que se possa...
Que amor seja e reticências!...

O coração inflou...
Como balão de bons ares...
Não voa, cá fica... e não se descreve:
O que não cabe em vocábulos...

O que sinto... completude por amar e ser amada!...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sono pensante...


Acordei, mas não sei se acordei!...
Não tão simples para explicar
[bem sei...

Muitas coisas a pensar...
Dúvidas, incertezas...
O casulo finda...
Pronta para encarar fraquezas?

No peito: pessoas de brilho singular
... e o pensamento a sorrir com ironia:
Cada qual está onde deveria ficar?

No jogo dos questinamentos o sono não-sono
... o sonho não-sonho...
Ansiedades a perturbar tique bisonho.

A sensação de amar demais...
... como se houvesse medida-síntese
- determinar o que flui perseverante,
O que torna qualquer razão incapaz...

Estou dormindo ainda!...
Estou crisálida do não saber...
Invólucro de mim mesma...
... Por não cuspir o quê...

sábado, 19 de setembro de 2009

Do pulsar que falta para preencher...


Saudade das palavras-tetos;
Abrigos que ecoam do peito
E afagam meus ouvidos...
Proteção... abraços-laços...

Quero... mas querer é pouco...
Força intrínseca me leva...
Na condução, freios que não controlo:
Abnego... propulsão incontida!...

[Duelo... eu-eu

Aqui... só... faltas
Sem cafeína... o sono chega...
Novo tônico: a expectativa do amanhã!...

Vitalidades saúdam:
Mensagens
Palavras
Acalentos para o coração saudoso...

Eis cantiga de ninar-
Ressoa, voa... vem!
Durma bem!...
... que venha o depois - de trem!

Muro no mundo



Muro entre meus olhos e a cidade,
Doses sem pressa e precisão:
De gaiolas e fronteiras!


Tijolos gastos pelo tempo...

De frestas funestas:
Escuro e o claro do mesmo lado do muro:
Infrutuosidade explícita.

Escuto frases reiteradas;
Ludíbrios ditos placidamente,

Perfumados de verdades das quais desacredito...

Bebeu da taça de enganações?


A sombra já não protege...

Temos o mesmos sonhos... lanternas diferentes!

Ah! Pudesse derrubar o muro!...

Ah! Pudesse ter sua mão sobre a minha!


Mas não há certo... o errado é cimento...

NINA

............[para A.R.S.

Menina guia da trilha,
De lúcidas amarelas pupilas.

Braços extendidos de bambus,

Pernas em pranchas... jiraus...

Moça marota de manhas,

Sentada na rede sonhas...

Pulseiras arteiras nos pulsos,

Brilhos e sussuros noturnos.

Sorrisos despertos, acordes domina;

És a bela Nina!...

domingo, 13 de setembro de 2009

Breve desabafo em uma madrugada...

  • ... Palavras têm faltado!...
  • Estou com sentimentos a SE conversar...
... a cuspirem milhares de novelos... Nós inevitáveis!...
  • Estou com pulsares a me deter... a parar mãos...
  • ... Por vezes deixo de respirar... a ideia: confusa e deseja assim estar...
  • Sou garrafa, pedido de socorro...
... Ou então apenas folha seca que o vento leva e por vezes desejo saber onde vou... Impossível!

  • Que o vento leve-me então... E voou... estou... amo!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O cobertor


Abandonei meu bom cobertor...
Não que esteja sol,
Não que nuvens enegrecidas tenham se dissipado
...
... da vida... da minha... descoberta

Tenho frio, mas o cobertor já não me serve
Não que seja descartável,
Não que já não tenha me aquecido...
... variações térmicas... opor-se a lã de cada dia

O cobertor deixa pedaços que o vento leva
Não que eu inveje o vento,

Não que fique inutilizável
...
... mas pedaços não cobrem o todo que clama manta

Meu cobertor queria me aquecer sem vontade
Não que deixasse de me afagar
,
Mas queria tão somente cobrir meus pés
...
... pés gelados, mas todo um resto a desejar meias de metades que se completem

Deixei o cobertor, sem pronome...
Não que de fato eu possuísse,

Não que eu não congele
por vezes incontáveis ...
Mas senti que era hora de deixá-lo...

Ir...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Canteiro de tecido lírico


(Imagem retirada do Google)



Dor fina do gérmen ausente...
Terra adubada, chuva escassa.
Em segredo: canções tristes;
E me inundo de melancolia.

Coso enternecida poesia
Arremato, passo, não lavo.
Bordo pérolas, visto-me;
Frio acalentado, algumas rosas despertam...

Semente pérfida - perece.
Gestos silentes - crescem.
Jardim ávido - esqueces.
Palpitações vãs - padecem.

Ao semear e coser;
Sementes maviosas destacam-se dos meus olhos;
Escorrem frementes,
[terra umedecida.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Rápidas lembranças da casa no campo


Poço aberto, sombra n'água
Balde cheio de nostalgia.
Sazão, todavia, frutos verdes;

Colhemos juntos?

Não, tu apenas desconfiavas...

Ternura em ti havia

(Em mim igualmente...)

Hoje, nem falais...
Não vi seu sorriso,

Seus planos e anseios.
Amor - sentir fugidio!

Hoje, não colho rosas...

Mãos ainda marcadas por espinhos...

Tu não choras...

Entretanto, não esqueço!

E a vida - esta segue...



Poema em parceria com Osvaldo Fernandes...
... Poeta de sensibilidade ímpar...
... De talento igualmente...
Obrigada!!!!


Escrever um livro

Escrever um livro
e uma alma;
dar-lha...
E se viriam orelhas
e parágrafos crivos
cobertos com talma...

Como que com humildade
se cobre brio...

No anverso de páginas
de alvura provisória;
Letras vivazes aquecem vácuos...

Incompletudes d’alma,
afagadas por sentires límpidos.
... no afago do ser é que palavras entoam,
cantam e dançam nas folhas
[músicas que satisfazem leitores escassos
Que tocam... tocam vocábulos...
Tocam linhas... tocam e transpiram essência.

E assim, se escrevem,
cândidos e completos
... o livro
[a alma
e a inspiração...

Singular


Topázio
Lilás
Onde posso encontrar?

- Estão todos sonâmbulos!...
Eu te pudesse repor:
O lençol mitológico da noite
... de estrelas matinais.

Que a distinção desse poema abrigue-se na ternura;
Versos sem amarras e alegrias pueris e palavras límpidas.

Acontecimento ideal - se puder ser singular!
Problemas - que sejam recobertos por soluções!
Jogo de dados - que cada lance possa ser reformado!
Ser - que tenha originalidade inexplicável!