quinta-feira, 25 de junho de 2009

Da gordura que cega, mas não mata...


[para M.R.M.A.]

Viva a substância graxa!
Graciosamente ausente no tecido adiposo...
... presente em gélidos olhos.
Viva o óleo!
Besunta calúnia e ego escabroso
...
óleoduto - despeja em carvalhos.
Viva a gordura!
Excessos alentados, exaltado pelo teimoso...
... placas saturadas, distribuídas como baralhos.

Viva a insolubilidade!
A não homogeneidade no vaso receoso...
... veias para alma, sem atalhos.
[Substância graxa de óleo gorduroso insolúvel no substrato do olhar...]

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Reflexões Cinematográficas...



Precisei sangrar para mostrar que estou viva.
Precisei chorar para provar que sinto dor.
Precisei partir para sentires ira de minha ida.
Precisei poetar para naufragar no Nãoamor...

Alguns fatos parecem filmes monocromáticos...
[Cinza... branco no preto... deveras ausência.
Fatos que não escolhi viver, surgem sintéticos...
[Artificialmente me atingem, cenas de incoerência.

Eu tento sair de telas que igualmente não escolhi...
[Inconformo-me com atores despreocupados...

Que fogem de roteiros, que negam o que há de vir.
[Estou fora de roteiros estereotipados.
Jogo de sombras, marionetes, constante atuação

[Desconhecidos invadem meu set particular...
Os fatos, sentires, eis encenação
[De uma história que por vezes prefiro ocultar.
Soube que não aguentaria assistir até o fim.
[A história era seguramente dura para mim.


Inverte-se a cena... CLAQUETE...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ações dessa noite...


I

Lágrimas... rijas, frias
Peito dilacerado... adaga cravada
Mágoas sem sepulcro, crateras sem meteoritos
Laguna que surge, sem mar para dialogar.
Em meu lacustre, inspeção atenta...
Poeira nos dedos...
Folhas suadas, transpiram inconscientes...
Traços inelegíveis, molhados pelo sufoco
Grito no casebre... as letras chegam...
... Noite cai...


II


A foto, amarelecida, morta... na mesa
Abraço a caneta amarga, letras desfalecidas saem
Algumas ideias, pouco amestradas... incerteza
O papel alvo... sombra contrai...


Escrevo algumas linhas, perfumadas de partida
Releio, reescrevo... odor alterado
Atafulho de sentimentos, perfume de vida
Rosas ásperas, jardineiro equivocado.


Ato de reproduzir o que sinto... verso
Ato inviável, sim, confesso
Bosquejar o que está debilitado
A aurora canta... paro... papel asseado.


Prece ao Nãoamor II


Compadeça-se... Cegue-me...
... Coloque um véu em meu âmago...
... porque o sentimento êmulo insiste em afagar minha essência...

Acostumo-me com a imagem do nada...
...vazio, incompletude... com o choro afônico...
... e tão... tão toante... tão dentro, tão eu...

Traga-me o rum da neblina...
... Permita-me que eu ainda assobie a velha cantiga...
... mas que velhos sentires sirvam-me de adubo...

Desconsidere toda a prece se eu chorar estridente...
... Se eu anseiar compartilhar, sofrer, sorrir...
... entregar minha vida em mãos alheias... querer o pouco...
... o nada ser preenchido por muitos poucos...
... suficientes para que cada dia seja festa...




GR

IMÃS

Ao Pardal


Cultiva rosas formosas... sem espinhos...
Canta suave... oferta-me o coração...
Derruba pedras... no bico, carinhos...
Escuta, conforta... sua alma é canção...



Gêiser de morna água...
Intrínseco... há fonte de calor...
Jatos d'água... carregam mágoa...
Expele lisura, ludibria se é dor.



Não sei escrever com tanto brilho, Pardal.
Não sei descortinar meu sentir com facilidade
Não sei o caminho até Pasárgada, Pardal.
Mas deixo-me ser guiada por sua vivacidade.




sábado, 30 de maio de 2009

Vim... vivendo...


Viver o hoje... é o que aclamam... vozes sensatas...
Viver o agora... sem carregar o fardo do ontem...
O ontem se foi com meus desejos de sorrir...
... céu repleto de nuvens... sorrisos...
Sol... sorrisos...



Agora... nuvens, nata, entulhos... crostas...
Voz sensata... conforto, abraços, meias para pés gelados...
Oscilações, luta interna... meias e friagem, abraços e embates...
... conforto e insegurança...



Dualismos que se chocam e se beijam...
Trocam líquidos segregados, líquidos que acalmam abalos sísmicos...
... e eu vivo...
Vivo para vivenciar a vividez da voz...
Casamento, divórcio... tudo muito tumultuado em meu cerne...



E eu? e meu eu? nesse embate intrínseco...
Vivo... venho vivendo...
Retomo as teclas... e as palavras me tomam...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Poemeto sobre semente trazida por ventos recentes...




Quero que a janela brilhe...
... quero ver seu sorriso à esquerda
Ver notas toantes que me cative...
... ler suas tolices até que amanheça



Desejo de ler/ouvir... ouvir/ler...
... o que preenche um particular vazio
Espaço confortado pela arte e o fazer...
... por chuvas de entrelinhas, abstração de rio



Não cantarei sentimentalidades ...
... canto para a vida, para o sorrir
Agentes físicos e doses elevadas de imaterialidades...
... que permitem deleitar o momento, sem pensar no porvir.






Um sujeito entra no ônibus...


Quero entender...
entrou cambaleando, zero de embriaguez... mas torto, descordenado.
As pessoas o julgaram:

[doido, alienado...

Eu apenas observava:

sem rir, sem sobrancelhas arqueadas

Olhava atentamente:

[sem ideias prontas, limitadas...

Próxima parada...

desconhecidos que descem apressados

[ele lá, objeto de escárnio, dançando, caçoado
E eu aqui ... com olhar indignado

Ônibus vazio...

com sua PSIQUE em mãos e sua alma invisível senta-se ao meu lado

Suado, exausto, não queria ser compreendido...

[anseava minimamente ficar ali sentado.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Alguns pensamentos cotidianos...



... Olho para o piso próximo a pia...
conto quantos cantos tem cada quadrado...

... Não vejo como mania, vício ou vislumbre...

vejo como oportunidade de prestar atenção a pequenos detalhes

... Vejo uma formiga, caminha faceira...
pequena, ligeira...
foge de pés desatentos

... Várias formigas pertubam, protestam...

uma formiga: sem manifestos, panelas em seus devidos lugares

... Ela sai por uma fresta, fico com a indignação de perdê-la...

assim perco meus cálculos, perco minha política, perco minha formiga

... Minha porque no instante que a vi livre, passei a ansiar aquela liberdade...
sentimento humano verde, sentir sem sentido
... Ela partiu carregando minhas partes mais desejosas...

vontade de caminhar nos cantos dos pisos

domingo, 10 de maio de 2009

Prece ao Nãoamor


Tirai esse broto novo...
... rosa púrpura do meu peito!!!
Imploro-lhe... tirai... muitos espinhos... poucos cuidados...
Ah! Dor constante... não é apenas músculo,
ventrículos emaranhados com esporos...
É sede... pouca água...
...muitas ervas daninhas...
Suplico... ajoelho-me diante de ti,
fecho os olhos... e digo:
traga os bons ventos para regular impulsos...
... para polinizar outros jardins...
Senhor do Nãoamor... leve essa rosa cravada sobre o arco da aorta...
... permita que o sangue volte a fluir normalmente...
Deixe-me sem flores... leve-me os espinhos...
Que a sangria demore a cessar...
... que o vazio lúgubre me entristeça...
... logo será carregado pelos bons insetos...
... Mas tirai essa rosa!!!

POEMETO DA ASPEREZA



(Imagem retirada do Google)


Assestar minha fúria para alvos móveis
Assepsia das mãos após cumprimentos indesejados

Alcácer ... suntuosidades dignas de invejar reis

Algemas sob respostas ríspidas para os isolados
Amaciar para autoprovimento
Amalgamar opostos para embaraçar outrem

Alumbrar para depois deixar sofrimento
Aparentar amor, colecionar itens para harém

Americanizar, sobressair, abnegar humildade

Assim, eis a aula de austeridade!

sábado, 2 de maio de 2009

Mutatis mutantis (em construção= a vida)


... focar a felicidade humana...
... posturas baseadas em ethos...
... guiar para um bem comum...
... práxis humana ...
... coexistência de diferenças...
... representação de uma coletividade...

...Politiké...

... Mudando o que deve ser mudado... questionando o que preferem que seja ignorado...