segunda-feira, 11 de maio de 2009

Alguns pensamentos cotidianos...



... Olho para o piso próximo a pia...
conto quantos cantos tem cada quadrado...

... Não vejo como mania, vício ou vislumbre...

vejo como oportunidade de prestar atenção a pequenos detalhes

... Vejo uma formiga, caminha faceira...
pequena, ligeira...
foge de pés desatentos

... Várias formigas pertubam, protestam...

uma formiga: sem manifestos, panelas em seus devidos lugares

... Ela sai por uma fresta, fico com a indignação de perdê-la...

assim perco meus cálculos, perco minha política, perco minha formiga

... Minha porque no instante que a vi livre, passei a ansiar aquela liberdade...
sentimento humano verde, sentir sem sentido
... Ela partiu carregando minhas partes mais desejosas...

vontade de caminhar nos cantos dos pisos

domingo, 10 de maio de 2009

Prece ao Nãoamor


Tirai esse broto novo...
... rosa púrpura do meu peito!!!
Imploro-lhe... tirai... muitos espinhos... poucos cuidados...
Ah! Dor constante... não é apenas músculo,
ventrículos emaranhados com esporos...
É sede... pouca água...
...muitas ervas daninhas...
Suplico... ajoelho-me diante de ti,
fecho os olhos... e digo:
traga os bons ventos para regular impulsos...
... para polinizar outros jardins...
Senhor do Nãoamor... leve essa rosa cravada sobre o arco da aorta...
... permita que o sangue volte a fluir normalmente...
Deixe-me sem flores... leve-me os espinhos...
Que a sangria demore a cessar...
... que o vazio lúgubre me entristeça...
... logo será carregado pelos bons insetos...
... Mas tirai essa rosa!!!

POEMETO DA ASPEREZA



(Imagem retirada do Google)


Assestar minha fúria para alvos móveis
Assepsia das mãos após cumprimentos indesejados

Alcácer ... suntuosidades dignas de invejar reis

Algemas sob respostas ríspidas para os isolados
Amaciar para autoprovimento
Amalgamar opostos para embaraçar outrem

Alumbrar para depois deixar sofrimento
Aparentar amor, colecionar itens para harém

Americanizar, sobressair, abnegar humildade

Assim, eis a aula de austeridade!

sábado, 2 de maio de 2009

Mutatis mutantis (em construção= a vida)


... focar a felicidade humana...
... posturas baseadas em ethos...
... guiar para um bem comum...
... práxis humana ...
... coexistência de diferenças...
... representação de uma coletividade...

...Politiké...

... Mudando o que deve ser mudado... questionando o que preferem que seja ignorado...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Segunda parte - No divã - um 'eu' com 'eu'


... Meu coração é um vulcão... saída de matéria magmática... por vezes desativado... raramente ativo... A lava aquece o próximo... vira rocha ígnea em meu peito... Agora não... quero a lava para meu auto-aquecimento...

... Dentro dele tem um misto de emoções... fogos de artifícios de sentimentos... A certa altura podem explodir violentamente... ou simplesmente podem falhar... Explosões ruidosas... pequenos estalos...

... Meus sentimentos são, então, produtos de nuances... Que estranhamente me deixam estranha... sim, porque desconheço a origem dessa sensação... e porque me sinto descontextualizada...

... É.. estive com uma flor... não era crisântemo... era erva daninha... Nasceu espontaneamente... Sorri, reguei e ela morreu... excesso de água? não sei...
... Inço... alastrou-se rapidamente... destrui meu jardim de rosas... Mas trouxe-me sorrisos... A despedida... despede-se a ida... toda interferência em minha cultura abalou o meu ser... naufragou meu realismo... a raiz permaneceu...

No divã - um 'eu'


E o coração?
... No seu devido lugar...



Não, o que está dentro dele... como está?
... No seu devido lugar...



Não, não, o que você sente?
... No seu devido lugar...


[Impaciência]



Não, não, não, pombas!!! Quero saber do seu íntimo e você constrói uma redoma!!! Quer saber?!!! Fica no seu devido lugar que eu estou indo para o meu.
... Assim seja...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Alguns Registros Gerais...


Converso com flores... não, elas não me respondem... não o faço por ausência completa de lucidez... Mas sinto-me tão alegre diante delas que não hesito em dizer 'olá'... modo de extravasar a alegria e encantamento que sinto diante das simplicidades... naturais...




Aliás... gosto tanto de flores que normalmente exponho meu desejo de fazer fotossíntese... desejo íntimo de ficar inerte... busca incessante de buscar minha própria síntese... foto anulada pela inconstância...




Sofro de ansiedade... sem distinções temporais... o ontem, o hoje e o depois mesclam-se... é a imensa vontade que sinto de resolver o que Pandora libertou... Ansiedade que me tira o sono, mas que também me cobre de versos...




Digitais... esqueci algumas marcas... outras viraram estrofes... Algumas deixaram lições... Algumas impressões foram refeitas, remoldadas ou simplesmente expostas... basta colocar mais óleo no singelo lampião [apago-o com frequência... mas é tarde... a luz pode ser dura...




Meu R.G.= não tem números... algumas letras... muitas reticências... tenho um turbilhão de pensamentos e poucas palavras para exprimi-los...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

POEMETO DA DIATÔNICA



& (C) omeça
fum fa fum fa fa
------------------fum fa fum fa fa
Sinfonia da minha vida
Escalas---------------
----------------------que
------------------------descem


Notas des ... to ................ .. ... an ... ... tes
Distorções =====que====fogem====do====meu===== alcance=====

E eu canto...
... Para que afinem minha gaita.

terça-feira, 21 de abril de 2009

À Giselda



A água é bela porque não para
E Giselda também não.


Os peixes na piracema são belos porque não desistem
E Giselda também não.


As pimentas são belas porque para cada um são singulares
E Giselda também é.

Giselda flui naturalmente, assim como suas idéias... Transparentes e contínuas.


Giselda passa por obstáculos, chora... Mas não deixa de nadar contra a corrente.


Giselda é dotada de sensibilidade e esta para alguns pode arder, gerar indigestão... Para outros é cicatrizante...

Para mim... é pitada essencial.

Ao (à) Crisântemo


Flor de ouro... resplandece capins tormentosos

Flor viçosa... vivifica a alvorada nebulosa

Flor alegre... estampa sorrisos em rostos virtuais

Flor saudosa... invade min'alma de nostalgia



No jardim além da janela de meu cerne... lá está...

O Crisântemo... a flor que cobre minhas manhãs cinzentas de matizes...





ADENDO: esse e o próximo poema são homenagens... Escutei maravilhada uma amiga me contando de suas amigas... decidi homenagear quem eu não conheço, mas de tão fascinada com a amizade parece que o desconhecido já faz parte de mim...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Quem sequestrou meu dia?


Dia... onde?
Acordei com a ligeira sensação de que perdi algo...
Olhos abertos, raciocínio rápido, coração disparado
Checagem feita...



Sol... sol... certo...
O cheiro de café...
Auxílio na liberdade de radicais... desintoxicante da alma amargurada...
Certo.



Bem, a sensação não cessa...
Deito-me... o sono me domina novamente...
Dia... onde?
Acordei com a ligeira sensação de que perdi algo...
Sequestraram meu dia...



---------------dia------------------
-------após-----------------------
---dia------------------------------
----------------reminiscências
--de um dia---------------------
morto.

sábado, 18 de abril de 2009

Notícia da notícia... Manuco


"João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia

[num barracão sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado."

(Manuel Bandeira. In "Libertinagem")


É... Manuel Bandeira fez uso da linguagem jornalística.. e de maneira brilhante poetizou...

Hibridismos mil: o prosaismo da não-ficção que está imbricado no material jornalístico... a prosa oriunda deste... a musicalidade dos verbos sequenciais... e a poesia... principalmente por conta do leitor...



Manuco era poeta e morava no Recife

[descobre seu pneumotórax e vai para o Rio de Janeiro.

Numa manhã libertina ele escreve o que

Viveu

Cantou

Morreu

Depois se transformou numa estrela... da vida inteira