
Procuro abrigo nas palavras.
Ponto. Curta assertiva.
Explicações, explicações... ouço aclamarem ao longe...
(ou será uma voz dentro de mim?)
O que sinto não é visível... não é palpável... nem compreendido...
... as palavras dão concretude ao meu silêncio... e meu silêncio não é indiferença...
É, pois, tentativa de sufocar tamanho sentimento...
Sinto amor... pequenas coisas me enternecem...
... um mínimo 'olá' convicto, sincero... desperta a imensidão de emoções que sinto...
... que me afogam... que faz com que eu pense na vida alheia como se eu fizesse parte natural dela...
... como se eu fosse o outro...
... como se eu fosse o vento em um dia quente que alguém aguarda ansiosamente... necessária...
Meu silêncio cobre as emoções como manta de lã...
as palavras tentam exprimir...confesso: nebulosamente... o que sinto...
Mas às vezes... muitas vezes... os pés ficam fora do cobertor...
As palavras me abraçam... me afagam os cabelos e eu durmo...
Quando acordo estão lá... e dizem baixinho: Nadine, Nadine... nós te compreendemos...
... acorde e abra a janela...
... e eu me recuso a abri-la todos os dias...
... porque espero que as palavras insistam...
... porque espero que o desconhecido entenda o que significa para mim antes de dizê-lo...
... e fico a aguardar os raios de sol em meus olhos úmidos...
O excesso de silêncio também pode me fazer chorar...


