sexta-feira, 31 de julho de 2009

Xale inglês


Cara amiga, escreva-me...
Narra-me sua paixão londrina... longínqua,
Caminhadas por Kensington Gardens
Trilhas ladeadas de flores...

Compartilhe o verde abundante que brinda
Explosão de cores e movimentos...
Ônibus double deckers que dançam nas ruas...
O sol... o sol começa a estrondear!

Descreva-me a beleza do lago ovóide
O desfile dos cisnes majestosos
Os anos... primaveris!

Omita-me a temperatura gélida das águas...
... Diga-me apenas do que é fosfórico.
Seja minha guia...
... Conduza-me às cenas inglesas e aqueça-me com seu xale!...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

DA ROSA QUE SE DIZ MINHA...


A rosa afirma que a mim pertence...

Tudo o que move...
... Remove

Montanhas, grandezas...
... Exigem defesas mínimas

No fundo eu julgo o mundo...
... De muros, jugos profundos

Quando cenas clamam calma...
... A alma pede cenas coerentes...

A vida prossegue...
... Meu coração, sem rumo certo, segue...

O tempo caminha com passos largos, tem pressa...
... Recuso-me, cedo horas a quem interessa

A lua a iluminar asfaltos fatigados...
... Sobressaltos para que eu saia, luzir a rua

A sobra do passado assombra...
... Íntimo assola, há sombra na paisagem

Pressinto dor num silêncio raro que cansou...
... Reminiscências do tempo que não passou

Paz na solidão engana...
... Ser só é morrer, inflama

A pausa do retrato para o passar...
... A voz da intuição é meu trato a não penar

A fórmula do acaso guia alguns passos tórridos...
... Passos de pensamentos caóticos...

O alcance da promessa... ter a rosa... minha!



*Inspirado após ouvir várias músicas ;-)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Estou na partícula do outono...

Estou entre o óleo e a água...
Ideias que bailam na heterogeneidade...
Estou no cinza...
Talvez outono...

Minhas folhas secas tropeçam...
Gramado adornado por gravetos ressequidos
Perfume... aroma de dores que ainda ralham.

Árvores acarinhadas por ventos... ameaçam tombar
Não... raízes resistem, abraçam solos férteis...

O vento grita na janela, grita na pele...
Pelos eriçados... frio que abriga algum verde
[obriga vestimentas pesadas...

Nevoeiros que impedem passos coloridos...
... Tatear mãos confusas...

Baixa umidade... seco, seca...
... Quero água... para pintar retratos...

Amarelo... talvez haja vermelho...
Em frutos que teimam cair...
[sem amadurecer...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Estrangeira d'além mundo


É tarde! Vou-me embora amigo...
Intento de regressar
Sentir-me em casa... sentir-me eu...
Sentir outrem... e ainda assim me sentir...

Acarinhar semelhantes...
Extasiar-se com lugares tatuados intrapele...
Com o reencontro da identidade livre...

Amigo, vou provar da lavanda de tempos infantis!
Correr nos campos que soluçavam segredos florais...
De paixões vãs, alimento a nave...
Vou-me embora, amigo!

Em seu planeta recebi o selo de iconoclasta...
Por acreditar que significados valem mais do que os símbolos
Por ser tocada por subjetividades... mais do que cascas
Por emoções não serem medidas, pesadas, tabeladas...
Amassei, rasguei, cuspi!

Amigo... vou-me... embora...
Retornar aos meus prados esvoaçantes...
Sem paredes, tetos... ilimites... tocar o todo...
Um só músculo a pulsar...
Usar as asas lacradas... pela sensação de estrageira.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Aos fomentadores...


Dia turvo martelado por luz mansa...
Luz que perfura as gotículas da chuva...
Aceito participar da cadência dos corpos...
... Giros constantes... esqueço o motivo que me leva a dançar.

(Lá fora... a chuva ainda molha...)

Lua simulada... de papel...
Astros cintilando, cores discrepantes...
Mão brandas tiram-me corpúsculos oculares.

(Lá fora... a chuva ainda molha...)

Olvido... já não sei quem sou...precipito-me na água...
Constipação... inflamação de ingenuidades...
... Rasteiras, corizas de enganações...
Ofertam-me analgésicos de carinhos balsâmicos...
Já não há predileções...

(Lá fora... a chuva ainda molha...)

Riso silencioso a desenhar-se no meu rosto...
Afeto azul... puro... céu claro...
Gargalhadas acompanhadas de merengues d'alma...
Se alavantam vozes: Aceitas outra dança?

(Aqui dentro... danças com pares que me estimam...)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Estertor da agonia d'um dia morto...


Por caminhos ínvios...
num desfiladeiro me encontrei...

Porvir ante/passado
Solo mordaz...
Intuições, enleios...
[perseguidos pelo ceifador...

Cadáveres que riem...
Sem medos, ríspidos...
... à face da luz solar
[Não vejo... apenas ouço-os...

Retrovisor alinhado...
Espelho que condensa singularidades...
Apontam para lembranças fúnebres...

O invisível açoita...
Punindo recordações;
Cessar de regulações;
Pedras laterais;
Carro obscuro...
Cada mundo numa distância indefinível... refletida.

As trevas assoberbam...
Gadanha entre o que mata e o que parte...
Grito aos fulgores...
Morte... reflete-se para que eu não me esqueça...
da ceifa que corta sem noção de lateralidade...
Reto, profundo... exatidão do tempo...

Olhar para trás... apenas reflexo...
Para frente é que se prossegue...
Adiante o clarão me eleva...
Retrocesso...