quinta-feira, 25 de junho de 2009

Meu conto de um canto de um tempo...


Eu... ser místico... estendi as mãos para a figura lodosa...
Ambiente fétido, obscuridade áspera...
Intrépida, carreguei-o em minhas asas...
Deixei-me ser tocada... e fui perdendo as penas...
E toquei-o igualmente... mãos arenosas... tornei-me humana... e senti um suave calor em seu rosto... pontas dos dedos dormiram... esperança acordara...
Ganhei pulsares antes não sentidos...
(figura lodosa, semi límpida)
Líquens arrancados um a um... gritos de dor que cravavam minha alma de piedade...
Lisonjas... o lodo transforma-se em bálsamo...
E eu... e eu... Eu... já não era eu... nós... argila...
Perdi o brilho... afetada pelo afeto ofertado pela figura afetada...
... Contentava-me com a metamorfose...
Escuridão no céu... inundações na terra... Provações, reprovações, atuações...
O que parecia escultura maciça... por dentro ainda era terra... barro... lama...
Novo teste... as asas sempre estiveram comigo... deixei de enxergá-las quando escolhi o lodaçal...
Devolvi ao esgoto seu filho...
Deixei-me ser carregada pelo vento... Ser purificada... alma lavada... Mas ainda chorei... lágrimas de dor... lágrimas... barro...

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